18 de maio – Dia Internacional dos Museus

Museu do Louvre, em Paris. Um dos mais conhecidos e visitados museus do mundo.*
Museu do Louvre, em Paris. Um dos mais conhecidos e visitados museus do mundo.*
Por Tales Pinto
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O Dia Internacional dos Museus é comemorado em 18 de maio. Esta data marca uma iniciativa do Conselho Internacional de Museus – ICOM. O objetivo da celebração, comemorada desde 1977, é conscientizar o público em geral sobre o papel dos museus no desenvolvimento da sociedade.

A palavra museu tem raiz etimológica na Grécia Antiga e se referia ao Mouseion, o templo das nove musas. Além de estarem ligadas a diversos ramos das artes e das ciências, as musas eram filhas de Zeus e Mnemosine, a deusa da memória, e seu templo era um local dedicado à contemplação e ao estudo científico literário e artístico.

Pode-se perceber que não havia o sentido de local de exposição de objetos para o lazer das pessoas que hoje compõe uma das finalidades dos museus. Mas a utilização cotidiana dos museus mantém seu caráter de produção do conhecimento.

Tal utilização está ligada ao desenvolvimento que os museus conheceram a partir dos séculos XV e XVI, quando a prática de colecionar objetos de arte passou a ocorrer em algumas cortes, com a formação das coleções principescas. Porém, esse hábito que se desenvolvia era restrito a alguns frequentadores, não sendo abertas essas coleções ao público.

Os primeiros museus modernos surgiram na Inglaterra em meados do século XVII e XVIII. O Ashmolean Museum, da Universidade de Oxford, foi formado a partir da doação da coleção de John Tradescant, por Elias Ashmole, em 1683. Em 1759, a aquisição da coleção de Hans Sloane pelo parlamento britânico deu origem ao British Museum.

Com a Revolução Francesa, as coleções de objetos e obras de artes pertencentes às igrejas e aos nobres foram reunidas com o intuito de educar a população nos preceitos de civismo e da história nacional. Nesse sentido, foi criado, em 1793, o Museu do Louvre, em Paris, e passou-se a criar métodos de inventário e gestão de objetos, que seriam utilizados durante o século XIX nos museus que iriam se difundir por algumas partes do mundo, principalmente na Europa.

No Brasil, o primeiro museu que se tem notícia foi o Museu Real, atual Museu Nacional, no Rio de Janeiro, criado em 1818. Este museu estava incluído nos diversos incentivos dados às artes e às ciências quando D. João VI esteve no Brasil com a corte portuguesa.

Durante o século XIX, os museus se desenvolveram, em linhas gerais, em duas vertentes: uma direcionada mais ao aspecto de preservação histórica e da cultura nacional, como o Louvre, e outra vertente direcionada aos estudos científicos nos ramos da pré-história, da arqueologia e da etnografia.

Voltando ao caso brasileiro, a concepção histórica e cultural da nação iria predominar na constituição dos museus do país durante o século XX, privilegiando uma interpretação histórica da formação nacional tida pelas classes dominantes do país. Os conflitos resultantes da formação social da população brasileira não eram tratados, buscando construir uma identidade nacional unificada. Resultou-se na apresentação das belas-artes produzidas no país como símbolos nacionais e no esquecimento da cultura popular.

Apenas a partir da década de 1970 que se iniciou uma mudança nessa concepção, incorporando a produção cultural dos grupos sociais explorados e oprimidos. Estes grupos deixaram de ser vistos apenas como objeto de estudo para serem tratados como produtores de conhecimento. Nesse sentido, pretendeu-se criar um movimento de redemocratização nas políticas de patrimônio cultural, ampliando a concepção para abarcar as produções imateriais deste mesmo patrimônio, mantendo viva a memória de práticas sociais com o intuito de conservá-las.

Os museus devem, nessa perspectiva, contribuir tanto para a preservação do passado como auxiliar a inserção de grupos sociais marginalizados na produção cultural da sociedade atual. Possivelmente, este deve ter sido o objetivo, por exemplo, do tema escolhido pelo ICOM para o Dia Internacional dos Museus de 2013: Museus (memória + criatividade = progresso social).

* Crédito da Imagem: Rostislav Glinsky e  Shutterstock.com


Por Tales Pinto
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