25 de dezembro - Natal

O Natal passou a ser comemorado em 25 de dezembro, após o século IV, quando a Igreja católica percebeu a necessidade de aliar o cristianismo com algumas celebrações pagãs.

Tela de Lorenzo Lotto (1480-1556), Adoração dos Pastores, representando o nascimento de Jesus.
Tela de Lorenzo Lotto (1480-1556), Adoração dos Pastores, representando o nascimento de Jesus.
Por Tales Pinto
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O Natal é uma das principais festas religiosas do mundo ocidental. Entre os cristãos, principalmente entre os católicos, é a data em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo, que supostamente teria ocorrido em 25 de dezembro. Durante a Idade Média e até os dias atuais, as comemorações se difundiram para grande parte do mundo, e com o advento do capitalismo, e seu intenso desenvolvimento no século XX, o Natal também se transformou na principal data para o comércio, estimulando a produção e o consumo de mercadorias e serviços.

Em diversas religiões cristãs o Natal não é comemorado como data do nascimento de Jesus Cristo. E por que isso se dá?

O principal motivo é que não existe nos textos bíblicos qualquer indicação precisa de que Jesus Cristo tenha nascido no dia 25 de dezembro.

As chamadas Escrituras Sagradas indicam, pelo contrário, que possivelmente Jesus não nasceu nesta data, pois há a referência à prática de pastoreio noturno nos dias próximos ao que ele teria nascido. Como no hemisfério norte – onde se localiza a Palestina, região em que viveu Jesus – em dezembro é inverno, não existia a prática do pastoreio noturno, já que pastores e seus rebanhos passavam as noites em abrigos.

O fato de José e Maria, os pais de Jesus, terem se deslocado para Belém para a realização de um censo, uma contagem da população, também dificilmente ocorreria durante o inverno, devido às dificuldades decorrentes de longas viagens nesta estação do ano.

Mas por que o dia 25 de dezembro então?

Um dos possíveis motivos seria a celebração da Saturnália e a Festa do Sol Invicto no Império Romano. A Saturnália era uma festa realizada para celebrar o solstício de inverno, início da estação e período de maior distância angular do Sol em relação ao plano da linha do equador, que ocorre em 22 de dezembro. É o dia com a mais longa noite, mas que também reinicia o processo em que os dias passam a aumentar sua duração, até seu ápice no verão.

Por isso a Saturnália era uma comemoração ao deus Sol realizada no templo de Saturno, o deus da agricultura. Era a festa mais popular para os romanos. Elas eram marcadas por grandes banquetes, visitas e trocas de presentes, o que pode explicar o fato de até hoje procedermos dessa forma no Natal. Era também momento em que havia trocas de papéis sociais, sendo que escravos se tornavam senhores, ao menos por alguns dias.

Ao fim da Saturnália, era comemorada a Festa do Sol Invicto no dia 25 de dezembro, em homenagem ao deus Mitra. Este deus era adorado no Oriente e foi levado à Roma por soldados que realizaram campanhas de expansão territorial nesta região. Com o passar dos séculos, se tornou a principal festa do paganismo romano.

Possivelmente este foi o motivo para a Igreja católica adotar o 25 de dezembro como data para a celebração do nascimento de Jesus, por volta do século IV. As demais correntes cristãs não celebravam esse momento da vida do messias, e o catolicismo teria adotado o Natal como uma forma de aproximar os romanos pagãos do cristianismo, mantendo a celebração, mas com um novo conteúdo, ligado à religião que se expandia em Roma.

Era uma forma da Igreja católica consolidar seu poder dentro do Império Romano. Essa ação da Igreja Católica seria uma forma de troca cultural, levando ao culto de Jesus, a ideia do Sol, da luz, como fonte de salvação para a humanidade.

Ao longo dos séculos e do contato com outras culturas a celebração do Natal também foi se alterando, incorporando outros elementos de culturas de povos europeus não cristãos. Um exemplo está entre os nórdicos, já que algumas características do Yule, sua festa de celebração do solstício, continha a decoração colorida das habitações e a utilização da árvore como símbolo da festa.

No século XX, com o intenso desenvolvimento do capitalismo, a troca tradicional de presentes de Natal se transformou em um importante momento para a economia, sendo o Natal a principal data no comércio de diversos países.


Por Tales Pinto
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