Filosofia

A pergunta pelo que é a Filosofia mobilizou diversos filósofos. A maior parte das respostas está associada ao espanto e à investigação constante.

A atitude que todo filósofo deve ter, segundo García Morente, é a disposição infantil de sempre colocar perguntas sobre o mundo
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Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.) dizia: A admiração sempre foi, antes como agora, a causa pela qual os homens começaram a filosofar (...) Procurar uma explicação e admirar-se é reconhecer-se ignorante*."

Assim, temos a primeira palavra-chave para entender um pouco a respeito da atividade de filosofar: ela surge do espanto a respeito das coisas, mas um espanto que não podia ser satisfeito com as explicações mitológicas. Os homens, espantados com algo, a natureza ou a própria condição humana, passam a procurar meios racionais de responder a todas as suas dúvidas.

É por essa razão que o filósofo Karl Jaspers (1883-1969) irá dizer:As perguntas em filosofia são mais essenciais que as respostas e cada resposta transforma-se numa nova pergunta”**. Com isso, Jaspers concorda com Aristóteles e associa um valor à atividade de perguntar: perguntar, para a Filosofia, e as tentativas de resposta são mais importantes que uma resposta final. A Filosofia também é entendida como atividade incessante de fazer perguntas por Edmund Husserl (1859-1938): "Qual o pensador para quem, na sua vida de filósofo, a filosofia deixou de ser um enigma?".

O filósofo García Morente associa, por essa investigação ininterrupta, o exercício da filosofia à infância. Se na infância tudo nos causa admiração e, a partir dessa admiração, construímos nossos primeiros conhecimentos, o filósofo é uma pessoa que manteve essa disposição infantil para se aventurar na descoberta daquilo que se apresenta, para não se satisfazer com respostas simplificadoras, para não se cansar de fazer perguntas até que sua necessidade de conhecer seja satisfeita. Diz ele:

“Para abordar a filosofia, para entrar no território da filosofia, é absolutamente indispensável uma primeira disposição de ânimo. É absolutamente indispensável que o aspirante a filósofo sinta a necessidade de levar seu estudo com uma disposição infantil. (…) Aquele para quem tudo resulta muito natural, para quem tudo resulta muito fácil de entender, para quem tudo resulta muito óbvio, nunca poderá ser filósofo”***.

Nesse sentido, diz Maurice Merleau-Ponty (1908-1961): "A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo." Assim, se nós aprendemos o mundo desde que chegamos a ele, a filosofia permite que coloquemos todo esse aprendizado em xeque, em dúvida, para ir além daquilo que já foi dito e ensinado a nós. Com o exercício do nosso pensamento, conseguiremos reaprender o mundo, agora visto pelos nossos próprios olhos.

Epicuro, por sua vez, associa a filosofia não à infância e sim à juventude. Se Morente diz que o filósofo precisa ter uma disposição infantil, Epicuro diz que o fato de ser jovem não pode ser empecilho para atividade filosófica. Além disso, ele associa a atividade de filosofar à felicidade, afirmando que, da mesma forma que ninguém se diz muito jovem ou muito velho para ser feliz, não pode usar o pretexto semelhante para se esquivar da filosofia. Diz ele:

Nunca se protele o filosofar quando se é jovem, nem o canse fazê-lo quando se é velho, pois que ninguém é jamais pouco maduro nem demasiado maduro para conquistar a saúde da alma. E quem diz que a hora de filosofar ainda não chegou ou já passou assemelha-se ao que diz que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz."

Podemos ver que, desde o seu surgimento, em Mileto no século VI a.C., e do aparecimento da palavra “filosofia”, que Cícero e Diógenes atribuem a Pitágoras, muitos filósofos tentaram responder à pergunta: “O que é isto: a Filosofia?” Isso porque essa questão é ela mesma aquilo que chamamos de “problema filosófico”: problemas que só podem ser resolvidos por meio da investigação racional, pois não podem ser constatados por meio de uma experimentação, como faz a Física; de cálculo, como faz a Matemática; ou de análise de documentos, como faz a História, por exemplo.

Desde então também surgiram problemas filosóficos variados, além da pergunta sobre a própria natureza da filosofia. Para os pré-socráticos, a questão principal era a physis; para a Filosofia Antiga: a atividade política, técnicas e ética do homem; para a Filosofia Medieval, o conflito entre fé e razão, os Universais, a existência de Deus, a conciliação entre Presciência divina e Livre-arbítrio; para a Filosofia Moderna, o empirismo e o racionalismo; para a Filosofia Contemporânea, diversos problemas a respeito da existência, da linguagem, da arte, da ciência, entre outros.

Em nosso site você poderá conhecer muitas dessas questões, as soluções para elas e as suas refutações. Assim, em contato com a diversidade de pensamentos e de correntes, você poderá construir também a sua própria noção de Filosofia. Como disse o filósofo Kant: “sapere aude! Atreva-te a conhecer”.

* Com exceção das citações de Nietzsche, García Morente e Karl Jaspers, as demais foram transcritas conforme citadas por Sílvio Gallo em Ética e Cidadania – Caminhos da Filosofia, p. 22.
** JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico, p. 140
*** MORENTE, García. Fundamentos de filosofia, p. 33-34.


Por Wigvan Junior Pereira dos Santos
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