10 conceitos da filosofia de Epicuro

Para compreender a filosofia de Epicuro, precisamos conhecer suas noções fundamentais, como a mortalidade da alma e a busca do prazer.

Algumas noções fundamentais para o filósofo Epicuro são a ataraxia, a aponia e o logismos
Algumas noções fundamentais para o filósofo Epicuro são a ataraxia, a aponia e o logismos
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A filosofia do helenismo é representada por pensadores importantes como Zenão de Cítio, Sêneca, Plotino e Epicuro e compreende aproximadamente dez séculos. Das obras produzidas, restaram apenas trechos e, talvez por essa razão, esses pensadores não tenham sido considerados como grandes mestres como foram Platão e Aristóteles. Nos trechos aos quais temos acesso, vemos comentários dos filósofos clássicos e dos fundadores das escolas.

O pensamento do helenismo é um pensamento de escola, ou seja, valorizavam o pertencimento de uma ideia a uma tradição ou corrente filosófica. A primeira das grandes escolas helenísticas foi a de Epicuro de Samos, por volta do fim do século IV. a.C. Vejamos dez noções fundamentais sobre ele:

1) Nascido em 341 a.C., em Atenas ou em Samos, Epicuro conheceu as doutrinas do atomista Demócrito (c. 460 - 370 a.C.) em seus estudos com Pânfilo e Nausífanes de Teo.

2) Foi professor de gramática e de filosofia, primeiro em Lâmpsaco, depois em Mitilene e Colofonte.

3) Por volta de 306 a.C., adquiriu uma pequena casa em Atenas e abriu uma escola de filosofia, que ficou conhecida como o Jardim de Epicuro. Em sua escola ensinava que para alcançar a verdadeira felicidade fundada em uma vida de prazer é necessário se libertar dos males da crença em deuses e da ideia de morte, pois são crenças na felicidade inacessível durante a vida e no sofrimento insuportável.

4) Para ele, a filosofia deve ser dividida em três partes: Uma lógica que permitisse distinguir quais as formas de conhecimento verdadeiro, uma física que mostrasse a verdadeira estrutura da realidade na qual se insere o homem e uma ética, a terceira parte da filosofia e seu objetivo último, que constituísse a chave para abrir as portas da felicidade.

5) Toda sua ética representa um esforço para libertar a alma humana de equívocos ou de crenças aterrorizadoras e alcançar a verdadeira felicidade, que consistiria na serenidade de espírito pelo domínio de si mesmo.

6) A teoria do conhecimento dos epicuristas (que eles chamavam de canônica) é o empirismo, ou seja, a redução de toda a origem do conhecimento à experiência sensível. A canônica trata dos critérios e dos princípios da verdade e não é nem uma dialética platônica e nem uma teoria do conceito e da argumentação aristotélica, mas é um meio de aproximação da realidade pela sensação, antecipação e afecção.

7) As afecções ocorrem de duas maneiras: o prazer, que é segundo a natureza, e a dor que é oposta à natureza. O prazer para ele é basicamente um prazer corpóreo, mas os homens devem buscar aquele que não é o da pura satisfação física imediata e mutável, deve ser aquele que norteie a conduta humana, "o prazer do repouso".

8) Este é constituído pela ataraxia (ausência de perturbação) e pela aponia (ausência de dor) e ambas podem ser alcançadas na medida em que o homem, por meio do autodomínio, busca a autossuficiência e é capaz de ser feliz e sereno independentemente das circunstâncias. É preciso, para tanto, renunciar aos prazeres que possam ser fontes de aflição e aceitar a dor quando ela é portadora de um bem futuro, que não é um bem alcançado depois da morte.

9) Pode-se escapar da dor por meio da lembrança dos prazeres passados ou pela expectativa de prazeres futuros. O hedonismo de Epicuro considerava a contemplação intelectual e a amizade os mais elevados prazeres e ensinou que o homem escapa da dor por meio de suas recordações e esperanças.

10) Pelos estímulos sensíveis registrados pela memória em forma de impressões, a alma move a carne e produz a partir dos sentimentos, pensamentos e reflexões. Epicuro supõe, no modo como o pensamento ocorre, um mecanismo de pensar denominado pelo termo grego logismós que engloba os significados raciocínio, cálculo e pensamento discursivo. Por meio desse mecanismo podemos verbalizar os elementos imperceptíveis que os homens desejam explicitar e que o estudo da phýsis busca empreender. O logismós tem também a finalidade de livrar a alma do erro em seus julgamentos e em suas opiniões e torná-la capaz de discernir os limites do prazer e quais são os prazeres que proporcionam uma vida agradável e a imperturbabilidade. Por isso esse conceito pode ser interpretado como capacidade de medir e de ponderar.


Por Wigvan Junior Pereira dos Santos
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