Iluminismo

O iluminismo foi um movimento abrangente e seus ideais, principalmente a confiança na razão humana, eram expressos também nas artes e na política.

Influenciados pela Revolução Industrial, os iluministas confiavam na razão humana e nas tecnologias como meios de se atingir o progresso humano
Influenciados pela Revolução Industrial, os iluministas confiavam na razão humana e nas tecnologias como meios de se atingir o progresso humano
Por Wigvan Junior Pereira dos Santos
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  O que é o Iluminismo?

O Iluminismo é um movimento intelectual e cultural que se inicia a partir da segunda metade do século XVIII, também referimos a esse movimento como “Século das Luzes”, “Ilustração” ou “Esclarecimento”. Por esses termos já podemos entender que os representantes desse movimento queriam combater o obscurantismo, a ignorância e o despotismo. Além disso, queriam divulgar o conhecimento científico a fim de, por meio dele, possibilitar o progresso humano. No entanto, o progresso humano também possibilitaria o desenvolvimento da ciência, ou seja, quanto mais o homem conhece a ciência, mais progride intelectualmente e é capaz de fazer a ciência ir além.

O progresso humano não era entendido apenas pelo viés da ciência, também era expresso pelo desenvolvimento literário, teórico, prático (no sentido de que o progresso também deveria ocorrer em questões políticas e morais) e artístico. Percebemos, então, que o Iluminismo foi um movimento cultural abrangente e não uma doutrina filosófica específica. As ideias e valores compartilhados, principalmente no que se refere à confiança na capacidade da razão humana, eram expressos de forma diferente e adquiriam características próprias a depender do país e do contexto sócio-histórico em que se inseriam.

Quais são suas principais características?

1) Consciência individual autônoma

Para que o homem desenvolvesse sua razão e assim pudesse conhecer o real em todos os aspectos, ele deveria fazer uso do próprio entendimento e não agir conforme aquilo que lhe diziam. Pelo uso da razão seriam capazes de intervir na realidade para organizá-la racionalmente. Dizer que o homem possui consciência individual autônoma significa dizer que ele não precisa de uma autoridade externa, seja política, religiosa ou até mesmo médica; também significa que pode ser livre em relação às suas emoções, paixões e desejos.

O indivíduo era livre, conceito baseado no livre comércio e oposto ao absolutismo, individual, ou seja: consciente e capaz de se autodeterminar e que deveria ser tratado com igualdade jurídica em relação aos outros, uma forma de garantir sua liberdade.

2) Noção de progresso

A mentalidade da época, influenciada pela Revolução Industrial, era a de que, se o homem tinha pela razão as condições de enfrentar os problemas que a realidade lhes apresentava, ele tinha pela ciência e pela tecnologia as condições de se impulsionar para a verdade e ao progresso humano.

3) Caráter pedagógico

Para o Iluminismo, todos os homens são igualmente dotados de uma luz natural que torna todos capazes de aprender. Pela educação, pela ciência e pela filosofia, os homens desenvolveriam sua capacidade mais fundamental, ou seja, eram instrumentos da consciência individual autônoma contra a ignorância. Os estudos do ser humano e da história são a prioridade pois, por meio de ambos, poderiam colocar em perspectiva aquilo que não deu certo no passado em relação às necessidades de todos na sociedade.

4) Pensamento laico

Tudo aquilo que pudesse dificultar o aprimoramento da razão deveria ser questionado. Era preciso, portanto, identificar quais eram esses obstáculos. O principal era a autoridade religiosa que impunha crenças irracionais a fim de manter os homens submissos.

5) Autoridade

O homem não poderia permitir que alguém assumisse a responsabilidade pelo seu pensamento. O homem tem a capacidade de fazer uso da própria razão para estabelecer seus modos de conduta e deve ser o único responsável pelas suas decisões. Tudo aquilo que tenta impor um pensamento prévio e uma forma de agir, até mesmo a medicina, deveria ser enfrentado se não puder ser justificado racionalmente ou que recorra ao medo e à força para ser cumprido.

Quem foram principais representantes do Iluminismo?

Como foi dito, o Iluminismo foi um movimento cultural abrangente que teve expressão em diversas áreas do conhecimento, como as artes, as ciências políticas e a doutrina jurídica. Também ocorreu em diversos países europeus, mantendo os valores fundamentais, mas adquirindo características próprias. Vejamos seus principais representantes:

1) França:

* Voltaire (1694-1778): Pseudônimo do poeta, dramaturgo e filósofo François-Marie Arouet. Suas obras se caracterizam por um estilo irônico pelo qual submetia à sua dura análise aqueles que abusavam do poder, os membros do clero que se comportavam de forma inapropriada e à intolerância religiosa. Defendia uma monarquia esclarecida, ou seja, um governo em que o soberano respeitasse as liberdades individuais, principalmente a liberdade de pensamento.

* Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): Nasceu na Suíça, mas se transferiu para a França em 1742 onde escreveu suas principais obras. Em Do contrato social, defendia um Estado que ofereceria aos seus cidadãos um regime de igualdade jurídica por meio da contemplação da vontade geral do seu povo.

* Denis Diderot (1713-1784) e Jean le Rond D'Alembert (1717-1783): Organizaram uma Enciclopédia de 33 volumes pela qual se pretendia apresentar os principais pensamentos da época e que representa a confiança na razão e na capacidade libertadora do conhecimento. Entre os colaboradores da Enciclopédia, temos outros nomes importantes para o Iluminismo francês: Buffon, Montesquieu, Turgot, Condorcet, Holbach e os já mencionados Voltaire e Rousseau.

2) Inglaterra:

* David Hume (1711-1776): Nasceu na Escócia e ocupou uma importante posição como diplomata na Inglaterra o que o possibilitou conhecer vários países e entrar em contato com seus mais eminentes pensadores. Foi considerado um dos mais radicais empiristas partindo da tese de que nossas ideias sobre o real se originam na experiência sensível. Para ele, a ciência é resultado da indução e a probabilidade é o critério de certeza possível dentro do seu sistema.

* Adam Smith (1723-1790): Também escocês, escreveu em “Ensaio sobre a riqueza das nações” contra a política mercantilista na qual o Estado desempenhava uma intervenção reguladora. Partilhava do pensamento iluminista a confiança na racionalidade humana, desde que os homens pudessem gozar de liberdade econômica.

Entre os representantes do iluminismo na Inglaterra podemos ainda incluir o poeta Alexander Pope, o jurista e cientista político Jeremy Bentham e o historiador Edward Gibbon.

3) Itália:

* Giambattista Vico (1668-1744): Filósofo, historiador e jurista. Sua principal obra, “Ciência nova”, discute a metodologia das ciências, tema relevante em seu contexto histórico. No entanto, Vico não conseguiu difundir suas ideias. A teoria de estudiosos como Marco Lucchesi (1999) e José Carlos Reis (2001) é a de que o pouco conhecimento de sua obra se deveu à oposição que ele fazia ao racionalismo cartesiano: para Vico, o racionalismo cartesiano não poderia ser válido para todas as ciências por priorizar a matemática em detrimento da história.

4) Portugal:

* Luiz António Vernay (1713-1792): O principal embate teórico de Vernay era concernente à educação do seu tempo, baseada nas doutrinas e métodos jesuítas. O ensino, para ele, deveria priorizar a realidade concreta e a experiência em vez do ensino teórico. Além disso, pensava que era responsabilidade do Estado garantir que todos os gêneros e todas as classes sociais tivessem acesso a uma educação de qualidade.

5) Alemanha:

* Johann Gottfried von Herder (1744-1803): Nascido na Prússia Oriental, publicou obras de crítica literária e de arte, teologia, teoria política, filosofia da linguagem, filosofia da história, obras de poesia e coletâneas de contos populares. Foi representado pela história da literatura como sendo pré-romântico pelos equívocos gerados por sua obra “Também uma Filosofia da História para a Educação da Humanidade”: o tom irônico e sarcástico com o qual se refere ao século das luzes e aos seus expoentes foi interpretado como revolta em relação ao Iluminismo.

* Immanuel Kant (1724-1804): Considerado o maior filósofo do Iluminismo alemão. Em sua obra “A resposta à pergunta O que é o Esclarecimento?” Kant desenvolve seus ideais iluministas a partir de dois conceitos: “autonomia” e os pares “maioridade/menoridade intelectual”. Diz Kant, no primeiro parágrafo:

Esclarecimento (Aufklärung) significa a saída do homem de sua minoridade, pela qual ele próprio é responsável. A minoridade é a incapacidade de se servir de seu próprio entendimento sem a tutela de um outro. É a si próprio que se deve atribuir essa minoridade, uma vez que ela não resulta da falta de entendimento, mas da falta de resolução e de coragem necessárias para utilizar seu entendimento sem a tutela de outro. Sapere aude! Tenha a coragem de te servir de teu próprio entendimento, tal é portanto a divisa do Esclarecimento”.  


Por Wigvan Junior Pereira dos Santos
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