Parmênides, o fundador da Escola eleática

Parmênides foi o fundador da escola eleática e, em seu poema Sobre a Natureza, oferece-nos o primeiro estudo sobre o Ser.

Parmênides foi o fundador da escola eleática em Eleia, sul da Itália, cerca de 110 quilômetros ao sul de Nápoles
Parmênides foi o fundador da escola eleática em Eleia, sul da Itália, cerca de 110 quilômetros ao sul de Nápoles
Por Wigvan Junior Pereira dos Santos
PUBLICIDADE

A escola eleática tem o seu nome derivado da cidade de Eleia, ao sul da Itália, lugar de origem de seus principais pensadores: Parmênides, Zenão e Melisso. Essa escola caracterizou-se por não procurar uma explicação da realidade baseada na natureza. Suas preocupações eram mais abstratas e apresentaram o primeiro sopro de uma lógica e de uma metafísica. Seus pensadores defendiam a existência de uma realidade única, por isso ficaram conhecidos também como monistas, em oposição ao mobilismo (de Heráclito, principalmente, que acreditava na existência da pluralidade do real). A realidade para eles era única, imóvel, eterna, imutável, sem princípio ou fim, contínua e indivisível.

Vejamos um pouco sobre as principais teorias desenvolvidas por Parmênides, conhecido como fundador da Escola Eleática.

Parmênides e as duas vias para a compreensão da realidade:

Não podemos dizer ao certo quando nasceu e morreu Parmênides, apenas localizá-lo entre o final do século IV e começo do século V a.C. Assim como vários autores da mesma época, escreveu suas ideias filosóficas na forma de poemas.

Dividido em três partes – Proêmio, Primeira Parte e Segunda Parte –, o poema Sobre a Natureza apresenta que há dois caminhos de compreensão da realidade. O primeiro, o da verdade, da razão e da essência, é o mais importante e aquele ressoa na obra de filósofos posteriores. Segundo esse primeiro caminho, se a pessoa é conduzida apenas pela razão, entenderá que “o que é, é – e não pode deixar de ser”. Para o segundo, o da opinião e da aparência enganosa, se a pessoa segue por esse caminho, acreditará que o mundo é baseado em movimento, pluralidade e devir, ou seja, acreditará que o ser e o não ser são e não são a mesma coisa.

Para Parmênides, o ser é: isso significa que o ser (“aquilo que é”) é imutável e imóvel. Apenas o “ser” é a substância permanente, ou seja, em vez de identificar a essência (a arché) com algum elemento, como os filósofos anteriores fizeram, Parmênides identifica-a com o “ser”. Aquilo que não “tem ser” não é nada, não existe. O não ser, a negação do ser, é identificado por Parmênides com a mudança: quando algo “muda”, deixa de ser aquilo que era e ainda não é algo novo.

Vejamos alguns fragmentos do poema de Parmênides*:

O que podes nomear e pensar tem de ser o Ser

Pois o Ser pode, e o nada não pode, ser.”

Com isso, Parmênides quer dizer que, se podemos dar um nome a um animal ou a uma planta, isso significa que eles têm que “ser”. Em seguida, ele nos diz que o “nada não pode ser”, ou seja, se uma coisa “é”, ela tem que ser um animal, uma planta ou qualquer outra coisa. Assim, uma coisa não pode existir e não existir ao mesmo tempo e, para ela existir, ela precisa ter um Ser. Por isso, ele nos diz em seguida:

Nunca poderá suceder que o Não-Ser seja;

Não permitas ao teu espírito tal pensamento”.

Em outras palavras, Parmênides reafirma que se uma coisa não é, ela não é uma coisa e não existe, portanto. Se uma coisa pode ser pensada, ela tem um Ser.

Não poderás conhecer o Não-Ser — isso não pode fazer-se —

Nem proferi-lo; ser pensado e ser é uma só coisa”.

Isso significa que, para Parmênides, se uma coisa pode ser pensada, ela tem um Ser, ou seja, existe. Mesmo coisas que não existem na realidade, podem vir a existir, são formadas de conceitos que existem e, por isso, “são”. Por exemplo, quando Santos Dummont pensou em um avião, ele pensou a partir de coisas que existiam, mas só depois é que ele construiu, de fato, um avião.

No trecho a seguir, Parmênides lista as características do “Ser”.

Há um caminho, assinalado deste modo:

O Ser nunca nasceu e nunca morre;

Firme, imóvel, não permitirá nenhum fim

Nunca foi, nem será; sempre presente,

Uno e contínuo. Como poderia nascer

Ou de onde poderia ter -se criado? Do Não-Ser? Não —

Isso não pode dizer-se nem pensar-se; não podemos sequer

Chegar a negar que é. Que necessidade,

Anterior ou posterior, poderia o Ser do Não-Ser fazer surgir?

Portanto, tem inteiramente de ser ou não.

Nem ao Não-Ser irá a crença atribuir

Qualquer progenitura além de si mesmo (...)

A partir do monismo de Parmênides, os filósofos posteriores tentaram reconciliá-lo com o mobilismo de Heráclito: para o primeiro, até as coisas efêmeras são duradouras em seu nível mais profundo; para o segundo, até as coisas aparentemente mais duradouras são efêmeras.

*As citações de Parmênides foram transcritas de KENNY, Anthony. História Concisa da Filosofia Ocidental. Lisboa, Temas e Debates, 1999. p. 32-33.


Por Wigvan Junior Pereira dos Santos
DESTAQUES
Confira os destaques abaixo

..................................................

Soluções
Revise os seus conhecimentos sobre tipos de soluções.

..................................................

Olho humano
Conheça os nomes das estruturas que formam os olhos.

..................................................