Candomblé, uma forma de resistência dos africanos

Iemanjá é uma das entidades do panteão do candomblé
Iemanjá é uma das entidades do panteão do candomblé
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Durante a escravidão vivenciada no Brasil, os africanos escravizados encontraram várias formas de resistência à dominação que estavam sujeitos. Dentre elas há de se apresentar a manutenção de práticas religiosas originárias do continente africano em solo brasileiro. O candomblé insere-se nestas práticas trazidas da África e mantidas vivas até hoje, chegando inclusive à preservação e tombamento de espaços de culto, como a Casa Branca do Engenho Velho, na cidade de Salvador, tombado em 1986 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), preservando sua importância cultural para o país.

A origem do candomblé, porém, é incerta, mas sabe-se que remetem aos povos ioruba. Chegando ao Brasil, esta identificação com a comunidade africana de origem foi misturada com outras tradições, para fugir à proibição a que estes cultos estavam relegados. O candomblé no Brasil se misturou aos costumes indígenas e aos europeus, tendo como exemplo a identificação de Santa Bárbara com Iansã, orixá dos ventos e das tempestades.

Ainda ilustrando esta mistura, pode-se citar a existência nos terreiros de ritual jeje-nagô, do culto aos orixás (entidades dos iorubas), aos vodus (de origem jeje), aos eres (espíritos infantis) e aos caboclos (espíritos indígenas), sendo este braço da religião ligado a elementos de origem sudanesa. Por outro lado, há no candomblé angolano a inclusão de outras entidades como os inquices e os vunjes.

Mas esta resistência em poucos casos foi pacífica. Quando a clandestinidade dos ritos era descoberta, a destruição dos terreiros era uma prática comum. Foi o que aconteceu em 1912, em Alagoas, quando os políticos locais incentivaram à chamada Operação Xangô, que resultou na invasão e depredação de vários terreiros. A ilegalidade da prática religiosa do candomblé era sacramentada nas perseguições da Inquisição durante o período colonial, e foi proibida pela constituição de 1824. Apenas durante a era Vargas que os terreiros foram autorizados a funcionar, mas sob severa vigilância do governo.

Entretanto, a ilegalidade da prática não era um empecilho para a participação nos rituais religiosos, como podemos perceber em estudos históricos e mesmo na literatura, cujas obras de Jorge Amado podem ser um bom retrato. O candomblé superou inclusive a esfera religiosa, sendo percebida sua presença na música brasileira, como nas composições de Baden Powel, ou mesmo o ritmo da capoeira, com os toques de atabaque e agogô.


Por Tales Pinto
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