Fundação de Goiânia

A fundação de Goiânia resultou da necessidade de descentralização do poder oligárquico de Goiás e acabou se tornando símbolo da nova república inaugurada por Vargas.

Busto de Pedro Ludovico Teixeira, Palácio das Esmeraldas, Goiânia – Goiás *
Busto de Pedro Ludovico Teixeira, Palácio das Esmeraldas, Goiânia – Goiás *
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A cidade de Goiânia é um dos símbolos da Revolução de 1930, podendo ser considerada como “filha” dessa revolução empreendida por Getúlio Vargas. Goiânia nasceu das necessidades de descentralização do poder local do estado de Goiás, então concentrado em famílias oligárquicas, como as famílias Caiado, Jardim e Bulhões, — ocorrência típica de regiões do interior do Brasil na denominada “República Velha”.

A necessidade de transferência da capital — que era, à época, a Cidade de Goiás — para outra região já era tema secular (o primeiro governador da província de Goiás, Conde dos Arcos, já havia sugerido, na década de 1750, ao rei de Portugal que se fizesse a transferência da capital para o município de Meia Ponte – atual Pirenópolis). No entanto, somente com a ruptura política varguista foi possível a sua consolidação. Como o objetivo de Vargas era centralizar o poder na nova república que se erguia, o enfraquecimento das oligarquias locais era terminantemente necessário. Construir uma nova capital em Goiás simbolizava a nova política que se erguia, ao passo que tornava psicologicamente evidente a descentralização do poder local, como pode ser atestado no trecho do documento escrito pelo interventor Pedro Ludovico Teixeira mostrado a seguir:

“A ideia de transferir a Cidade de Goiás, antiga Vila Boa, a sede dos poderes públicos estaduais, atravessou longo período de hibernação mas sempre esteve ligada aos destinos do Estado. Conquanto não tenha encontrado quem a perfilhasse com ânimo de torná-la realidade, ela surgia a revezes, nítida e viva, nas relações oficiais de Goiás, aparecendo nos atos mais importantes.” (LUDOVICO, Pedro. Apud. MORAES, Maria A. De S.; PALACÍN, Luís. História de Goiás. Goiânia: Ed. UCG, 2001. pp.112. )

Para tanto, Vargas nomeou como interventor em Goiás Pedro Ludovico Teixeira, que, a partir de 1932, começou a estudar e a elaborar o plano para mudança da capital, que se fazia urgente à época. Nem a forte oposição política que julgava dispendiosa a construção da nova capital impediu que os planos de Ludovico fossem levados a cabo, já que tanto o interventor quanto a cúpula dos revolucionários de 1930 consideravam a construção da nova cidade um investimento, e não fonte de gastos desnecessários.

Em 24 de outubro de 1930, homenageando à data em que o presidente Washington Luís foi deposto e Getúlio assumiu o poder, foi lançada a pedra fundamental para a construção da nova cidade, cujo nome – eleito posteriormente, via concurso – trouxe o elemento do “novo”: Goiânia (“Goia” [de Goiás] mais Nea [do latim “neo”, novo]. Em resumo: “Nova Goiás”).

A inauguração efetiva de Goiânia só ocorreu em 1937, ano em que os primeis edifícios ficaram prontos. Para sua concepção urbanística e arquitetônica, foram contratados os serviços do arquiteto e urbanista Attlio Corrêa Lima, que se inspirou no modelo das cidades-jardins do urbanismo francês para definir a estrutura de Goiânia.

*Créditos da imagem: Commons


Por Cláudio Fernandes
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