Governo JK e a utilização política da TV

Foi na TV Tupi, de Assis Chateaubriand (na foto acima), que Juarez Távora pronunciou um discurso contra o presidente JK
Foi na TV Tupi, de Assis Chateaubriand (na foto acima), que Juarez Távora pronunciou um discurso contra o presidente JK
Por Tales Pinto
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O governo de Juscelino Kubitschek se destacou por uma série de fatos que o caracterizou como um governo de modernização da sociedade brasileira. Indústria automobilística, a construção de Brasília e o plano de desenvolvimento econômico, expresso no lema 50 anos em 5, foram algumas das medidas que marcaram esta modernização. Outro símbolo desta época foi o crescimento da televisão como meio de comunicação no Brasil. Apesar de ter chegado ao país em 1950, seis anos depois a TV era utilizada como meio para tentar derrubar um governo eleito.

O ano de 1956 marcou o início das transmissões em rede no país, feito realizado pela TV Record, de São Paulo. Antes disso, as transmissões se direcionavam às regiões próximas às sedes das emissoras, limitando o raio de ação desse meio de comunicação. A estimativa era que existiam cerca de 200 mil aparelhos de TV no país em 1956. E foram através deles que parte da população que tinha acesso à TV pôde conhecer uma crise militar que pretendia derrubar o governo de JK.

As ameaças de golpe de Estado apareceram desde a divulgação dos resultados da eleição de 1955, dando vitória a JK como presidente e a João Goulart como vice. Setores conservadores do exército e da União Democrática Nacional (UDN) queriam impedir a posse de JK, acusando-o de proximidade com os comunistas. O jornalista Carlos Lacerda, principal líder da UDN, afirmava que JK não poderia tomar posse por não ter conseguido maioria absoluta dos votos.

JK tomou posse e iniciou seu mandato, mas não sem enfrentar a oposição dos setores conservadores das Forças Armadas. Em seu primeiro ano de governo, em 1956, o presidente eleito enfrentou uma revolta militar. Em fevereiro, houve a ocupação da base aérea de Jacareacanga, no Pará, por oficiais da aeronáutica, no fato que ficou conhecido como Revolta de Jacareacanga. Dias depois, a revolta foi contida, apesar da resistência de outros oficiais que não queriam enfrentar os colegas de farda. Mesmo assim o governo conseguiu controlar a revolta e prender os líderes, que seriam anistiados tempos depois.

Entretanto, em novembro do mesmo ano, o general Juarez Távora, um dos líderes da rebelião tenentista da década de 1920, utilizou da TV Tupi, do Rio de Janeiro, para pronunciar um discurso contra JK, com o intuito de angariar forças para derrubá-lo. Este fato resultou em uma nova crise militar no governo. A utilização desse meio de comunicação para a expressão de posições antigovernistas rendeu a Távora uma punição, definida pelo Ministro da Guerra, general Henrique Lott. Era a primeira vez no país que a TV era utilizada como instrumento político. No ano seguinte, o programa Noite de Gala, da TV Rio, foi censurado por veicular opiniões contrárias ao presidente JK.

A campanha presidencial de 1960 mostraria também a crescente importância da TV na propaganda política. Para defender e divulgar a candidatura de Jânio Quadros, numa composição política apoiada pela UDN, o jornalista Carlos Lacerda se valeu de vários programas da TV Rio para fazer a campanha do futuro presidente.

A TV serviu ainda nestes primeiros momentos para fazer a publicidade das ações do governo de JK. Com a adoção pelas TV’s do uso do videoteipe foi possível realizar a transmissão da inauguração de Brasília para Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo, em abril de 1960.

Rapidamente a TV mostrava sua utilidade política, que nas décadas seguintes seria fortemente explorada para defender governos ou mesmo para esconder reações populares.


Por Tales Pinto
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