Histórias do Descobrimento

Pinzón, os fenícios e Zheng He: outros possíveis “descobridores” do Brasil.
Pinzón, os fenícios e Zheng He: outros possíveis “descobridores” do Brasil.
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A questão em torno do descobrimento do Brasil tem hoje estudos completos que nos mostram que essas terras foram visitadas por navegantes bem antes de 1500. Já no século XIX, o imperador Dom Pedro II requisitou ao Instituto de História que fizesse uma pesquisa aprofundada sobre outros possíveis relatos que dessem conta da chegada de estrangeiros em terras brasileiras. Em 1850, o pesquisador Norberto de Souza levantou a hipótese de que os portugueses sabiam a algum tempo da existência de terras a oeste.

Uma das comprovações que sustentam essa tese pode ser buscada nos relatos escritos do navegador português Duarte Pacheco. A documentação atribuída a este aventureiro sugere que ele teria aportado em terras brasileiras por volta de 1498, explorando as regiões do Pará e Maranhão. Em seu manuscrito Esmeraldo de Situ Orbis, diversas expedições marítimas são descritas, inclusive aquelas que descrevem a trajetória e as características do Brasil.

Outra interessante fonte de pesquisa nos sugere que os espanhóis também conheciam a região antes da assinatura do Tratado de Tordesilhas ou do anúncio da descoberta de novas terras ao sul do Oceano Atlântico. De acordo com fontes mantidas no Arquivo das Índias, localizado em Sevilha, o navegador Vicente Pinzón teria chegado ao Brasil em fevereiro de 1500. No mês seguinte, o também espanhol Diego Lepe teria visitado o Oiapoque, na porção norte do Amapá.

Além disso, outros estudos ousam afirmar que a chegada de estrangeiros ao Brasil teria acontecido muito antes da expansão marítima ibérica. De acordo com o estudo de Gavin Mezies, o navegador chinês Zheng He teria comandado um grupo militar chinês que teria aportado no litoral pernambucano ou maranhense, em 1421. Outras teorias ainda mais remotas levantam a hipótese de que os antigos navegadores fenícios teriam chegado ao Brasil por volta do século XII a.C..

O antigo historiador grego Heródoto também levanta essa possibilidade de exploração das terras brasileiras dentro de seus estudos sobre os cartagineses. Segundo o estudioso, o Senado de Cartago teria instituído uma lei que proibia expressamente a navegação no sentido oeste do Oceano Atlântico. Criando polêmica ainda maior, o relato de Heródoto aponta que a medida foi tomada para se conter a evasão populacional que estava afetando a capital cartaginesa.

Um outro cientista do século XIX, chamado Peter W. Lund, também defende a idéia da presença fenícia no Brasil ao estudar nossas populações nativas. Analisando comparativamente as línguas dos povos indígenas do Brasil e a antiga etimologia oriental, Lund percebeu diversas expressões semelhantes entre os fenícios Tupis, Guaranis e Carijós. Outros indícios da mesma espécie também foram encontrados quando o mesmo cientista estudou a cerâmica dos povos marajoaras.

Nesses indícios encontramos uma possibilidade histórica que relativiza seriamente o pioneirismo náutico ibérico e coloca em evidência o conhecimento e o interesse por nossas terras em outras civilizações antigas. Dessa forma, podemos perceber claramente que o nosso país tem diversas outras histórias bem anteriores ao célebre e comemorado 22 de abril de 1500.


Por Rainer Sousa
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