Marcha para o oeste do Brasil

A marcha para o oeste foi um projeto do governo Vargas durante o Estado Novo para promover o desenvolvimento populacional do interior brasileiro.

Getúlio Vargas, ditador do Brasil durante o Estado Novo (1937-1945) *
Getúlio Vargas, ditador do Brasil durante o Estado Novo (1937-1945) *
Por Daniel Neves Silva
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A “Marcha para o Oeste” foi um projeto desenvolvido por Getúlio Vargas durante o Estado Novo para promover a ocupação territorial e integração econômica do Norte e Centro-Oeste do Brasil. Essa “marcha” fez parte do projeto ideológico e nacionalista utilizado por Vargas durante os oito anos de ditadura do Estado Novo. Além disso, o projeto considerava promover o desenvolvimento das vias rodoviárias do Brasil.

Estado Novo e a Integração com o Interior

Em novembro de 1937, Getúlio Vargas realizou o golpe do Estado Novo, resultando na centralização do poder e na instauração de uma ditadura. Fazia parte da estrutura ideológica do Governo o controle da opinião pública de maneira a calar os opositores e veicular uma propaganda oficial para todo o Brasil.

Um dos projetos desenvolvidos pelo Estado Novo foi a Marcha para o Oeste. A intenção desse projeto era promover o desenvolvimento do Norte e Centro-Oeste, até então pouco desenvolvidos. Uma das etapas previa o crescimento populacional dessas regiões, que eram pouco habitadas em comparação com as regiões litorâneas, que concentravam grande parte da população brasileira. Além do desenvolvimento populacional, pretendia-se também desenvolver uma malha rodoviária que interligasse o interior do Brasil com os principais centros localizados no litoral.

Para promover essa ocupação do interior brasileiro, a propaganda varguista defendeu a ideia de que o verdadeiro sentido da nação brasileira era encontrado somente no interior do país. Além disso, a propaganda varguista afirmava que a construção do Brasil como uma grande nação passava pela integração do interior, conforme o relato a seguir:

A propaganda do Estado Novo com relação à “marcha para o oeste” apresentava como necessidade premente a incorporação de novas áreas semidespovoadas visando a construção de uma grande nação; uma nação não contaminada pelos “vícios do litoral”; uma nação pautada na “originalidade da nossa conformação racial” formada no interior do país nos tempos coloniais|1|.

A construção ideológica da marcha para o oeste foi atribuída a Cassiano Ricardo, que ocupava funções burocráticas no Estado Novo. Para isso, Cassiano Ricardo escreveu um livro chamado “Marcha para o Oeste: a influência da bandeira na formação social e política do Brasil” para legitimar o plano varguista a partir da integração territorial iniciada pelos bandeirantes.

A marcha para o oeste, segundo intenções do Governo, deu preferência para brasileiros pobres em detrimento da mão de obra estrangeira. Além disso, o governo procurou desenvolver o projeto com pequenas propriedades produtivas. Assim, o camponês trabalharia no seu próprio sustento e poderia também produzir um excedente para comercialização. Esse modelo, em alguns estados, como Goiás, foi um problema por causa da existência de uma oligarquia que possuía grandes latifúndios.

Marcha para o Oeste: o exemplo goiano

Fazia parte da marcha para o oeste a integração do índio com a economia nacional, e isso levou Vargas a visitar uma aldeia indígena na Ilha do Bananal em 1940 (atual Tocantins). No caso goiano, também foi promovido o desenvolvimento de uma colônia agrícola nacional, que posteriormente se transformou na cidade de Ceres.

A Colônia Agrícola Nacional de Goiás (CANG) foi criada em 1941 e tinha como objetivo o desenvolvimento da produção agrícola local para promover o abastecimento das grandes cidades. Foi instalada no Vale do São Patrício, a cerca de 180 km da capital, Goiânia. Vargas nomeou Bernardo Sayão como administrador da CANG.

Os primeiros moradores foram atraídos a partir da propaganda varguista divulgada em todo o país. Vinham sobretudo de São Paulo e Minas Gerais e receberam lotes de terra do Governo, dos quais tirariam o sustento. Os primeiros anos foram marcados pela precariedade. Entretanto, em pouco tempo, a colônia já possuía uma população considerável, apesar da falta de apoio do Governo: 10.000 moradores em 1946.

Apesar do desenvolvimento populacional e da fundação da cidade de Ceres a partir da colônia em 1951, o projeto baseado na pequena propriedade fracassou. Muitos dos moradores iniciais venderam suas terras e mudaram-se para outros locais. Além dessa colônia em Goiás, foram desenvolvidas colônias nos estados do Amazonas, Maranhão, Mato Grosso e Pará.

|1| CASSIANO, Luiz de Carcalho. Marcha para o Oeste: um itinerário para o Estado Novo (1937-1945). 2002. Dissertação (Mestrado em História). Universidade de Brasília, 2002, p.69.

*Créditos da imagem: Commons


Por Daniel Neves Silva
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