Proclamação da República (1889)

A tela Proclamação da República, de Benedito Calixto (1853-1927), retrata o momento em que Deodoro da Fonseca chegou ao centro do Rio de Janeiro
A tela Proclamação da República, de Benedito Calixto (1853-1927), retrata o momento em que Deodoro da Fonseca chegou ao centro do Rio de Janeiro
Por Tales Pinto
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A Proclamação da República ocorreu na manhã do dia 15 de Novembro de 1889, comandada por militares descontentes com o governo imperial de Dom Pedro II. Entretanto, a ação que pôs fim à dinastia dos Bragança não contou com a participação popular. Esta situação levou Aristides Lobo, um republicano que seria ministro no governo provisório que se instalava, a afirmar: “o povo assistiu bestializado à proclamação da República”.

Essa frase serve para evidenciar o fato de o golpe de Estado que derrubou Dom Pedro II ter sido orquestrado por setores da elite brasileira e pelo exército, que não viam mais utilidade no governo centralizado do Império. A Proclamação da República foi uma ação que confluiu o interesse dos seguintes setores da sociedade brasileira: os militares, os civis ligados às correntes políticas republicanas e os cafeicultores paulistas.

Os militares já estavam se fortalecendo politicamente desde o fim da Guerra do Paraguai (1864-1870) e transformavam-se num atrativo aos jovens que queriam ascender socialmente, através da conquista de patentes de oficiais das Forças Armadas. As escolas militares, como a Escola Militar da Praia Vermelha, serviam como centros educacionais e também como polos de difusão de algumas vertentes das ciências sociais, entre elas, pode-se destacar o positivismo. Esta teoria social apontava a necessidade de modernização através da aliança entre as várias classes da sociedade, defendendo o ideal de progresso, que seria conseguido através das ciências.

Além disso, a modernização da sociedade brasileira passava pelo fim do Estado imperial, associado ao atraso, e pela emergência da República. Neste ponto os militares se aproximavam de alguns grupos civis, principalmente os oriundos de camadas sociais médias urbanas. Esses grupos vinham formando o Partido Republicano desde a década de 1870, que penetrou o interior do estado de São Paulo. Neste movimento, os cafeicultores latifundiários passaram a ver a República como o regime político positivo para suas pretensões econômicas.

O fim da escravidão colocou a necessidade de encontrar formas de suprir a mão de obra da economia cafeeira, incentivando a vinda de imigrantes europeus às lavouras. Além do mais, o fim da escravidão fez com que o governo imperial perdesse a utilidade para os cafeicultores paulistas, já que não era necessário mais um governo forte para enfrentar as nações contrárias ao escravismo. O que os cafeicultores queriam era autonomia para administrar o estado de São Paulo, em franco crescimento econômico. O modelo de uma república federativa seria ideal para este interesse.

Esses três grupos tinham pequena participação política no governo Imperial, o que proporcionou a aliança a favor do republicanismo. Houve também um descontentamento das elites agrárias do Norte e Sul do Império com o fim da escravidão decretado em 1888.

Sem apoio político, Dom Pedro II tentou uma última cartada para salvar seu poder. Nomeou Afonso Celso de Oliveira Figueiredo, o visconde de Ouro Preto, como primeiro-ministro, com o objetivo de realizar reformas de acordo com as aspirações republicanas. Mas o Parlamento rejeitou suas propostas, temendo perder privilégios, e o fato desencadeou uma crise que resultou no fechamento da Assembleia Legislativa e a convocação de novas eleições.

O marechal Deodoro da Fonseca foi o líder militar que comandou o golpe de Estado que pôs fim ao Império Brasileiro.*
O marechal Deodoro da Fonseca foi o líder militar que comandou o golpe de Estado que pôs fim ao Império Brasileiro.*

A crise foi a deixa para os republicanos se mobilizarem. Na noite de 14 de novembro de 1889, os corpos militares que estavam em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, rebelaram-se. Na manhã seguinte, marcharam sob o comando do marechal Deodoro da Fonseca até o centro da capital para depor o Imperador. Durante a tarde, José do Patrocínio declarou a proclamação da República na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, pondo fim ao Império Brasileiro. Dom Pedro II foi enviado ao exílio dois dias depois com sua família, e o povo, bestializado, viu a inauguração de um novo período na História do Brasil.

* Crédito da Imagem: Georgios Kollidas e Shutterstock.com


Por Tales Pinto
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