Guerra Civil Americana

A Guerra Civil Americana ocorreu entre 1861 e 1865 e opôs as regiões Sul e Norte dos Estados Unidos. Foi a guerra mais mortífera da história estadunidense.

A Guerra Civil Americana foi o conflito mais sangrento da história dos EUA
A Guerra Civil Americana foi o conflito mais sangrento da história dos EUA
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A Guerra Civil Americana foi um conflito armado que transcorreu entre os anos de 1861 e 1865, nos Estados Unidos da América. Nesse conflito estavam polarizados os cidadãos americanos em duas frentes, a da União, que congregava os estados do Norte do país, e a dos Estados Confederados, que reunia os estados sulistas. Essa guerra, que resultou em mais de 600 mil mortos, foi a mais sangrenta da história dos Estados Unidos e do continente americano.

Para compreendermos os motivos que desencadearam a Guerra Civil Americana, também chamada de Guerra de Secessão, é preciso saber o que polarizou o Sul e o Norte dos EUA.

  • Diferenças entre o Norte e o Sul

Sabemos que os Estados Unidos tornaram-se independentes da Inglaterra em 1776. Com a Independência, o modelo político adotado foi o presidencialismo republicano e federativo, ou seja, as ex-colônias tornaram-se estados federativos (cada qual com autonomia política) submetidos à Carta Magna (Constituição Federal) elaborada em meados dos anos 1780. Ocorreu que o desenvolvimento econômico e social desses estados não foi homogêneo.

As colônias do Norte desenvolveram um modelo pautado na pequena propriedade de terra, na indústria e, portanto, no trabalhado assalariado. O Sul, por sua vez, optou pelo modelo da plantation, isto é, da grande propriedade agrícola, na qual se cultivava um só tipo de vegetal, geralmente o algodão, e o trabalho era integralmente feito por escravos negros africanos.

  • O Sul e os Estados Confederados

Além dessas divergências sociais e econômicas, começaram também as divergências propriamente políticas. Apesar de haver integração entre as duas regiões, sobretudo por meio da indústria têxtil – os teares do Norte necessitavam do algodão do Sul –, o sistema escravocrata de uma não era aceito pelo trabalho livre da outra e vice-versa. Nas eleições presidenciais de 1860, muitos sulistas já manifestavam o desejo de secessão, isto é, de separação e criação de um Estado independente dos EUA. Em dezembro do mesmo ano, foi declarada a secessão e, como presidente dos Estados Confederados, foi escolhido Jefferson Davis, do Mississippi. A capital ficou sendo Montgomery, no Alabama.

  • Estoura a Guerra

Abraham Lincoln, presidente da União, eleito em 1860 e então líder dos estados do Norte, não reconhecendo a independência dos estados do Sul, decidiu pela reincorporação deles à União. O Sul, como esperava por isso, preparou-se para a guerra. O líder militar que esteve à frente das tropas sulistas foi o general Robert E. Lee, um dos mais destacados militares de toda a história dos Estados Unidos.

Apesar da grande habilidade do general Lee e de outros oficiais ligados ao Sul, o Norte possuía dois tipos de vantagem: 1) a vantagem numérica; e 2) a habilidade que Lincoln teve de valer-se de instrumentos tecnológicos, como a locomotiva a vapor e o telégrafo, a fim de criar redes estratégicas para cercear os ataques das tropas do Sul. A comunicação via telégrafo era bem mais eficiente que o envio de mensageiros, e as locomotivas a vapor foram usadas para transportar mais rapidamente milhares de soldados de uma frente de batalha para outra.

Mas o emprego da tecnologia não se restringia aos exemplos citados acima. Os recursos bélicos também se valeram dela, principalmente no tocante à munição usada. Tanto os sulistas quanto os nortistas usavam em seus rifles as balas minié, cujo efeito era devastador. Uma só bala minié era capaz de arrancar um braço de um homem. Se alvejada no tórax ou na barriga, podia estraçalhar todos os tecidos do corpo e esmigalhar os ossos, não deixando qualquer chance de sobrevivência ao combatente, fazendo com que os campos de batalha se tornassem palcos de terríveis carnificinas.

Como diz o historiador Leandro Karnal:

As batalhas tornaram-se verdadeiros palcos de horror. Numa delas, os nortistas, com cerca de 30 mil homens a mais que os sulistas, obrigaram o general Lee a se refugir na Virgínia e cerca de 12 mil homens morreram em cada um dos lados dos conflitos. Em outra, os confederados lançaram-se com mais de 150 mil homens contra as trincheiras da União próximas a Gettysbury, na Pensilvânia. Os confederados acabaram dizimados pelas tropas federais e cerca de mil soldados sulistas morreram nesse conflito. [1]

  • Fim da Guerra e novos rumos

O presidente separatista, Jefferson Davis, foi preso pelos soldados do Norte quando tentava fugir em 1864. Nesse mesmo ano, as tropas sulistas não tinham mais coesão. O general Lee rendeu-se ao general Ulysses Grant, do Norte, em 19 de abril de 1865, pondo um ponto final à guerra. Os impactos dessa guerra foram os mais terríveis da história dos EUA. À vitória do Norte seguiu uma difícil fase de reconfiguração da nacionalidade americana, que demoraria a ser cimentada.

NOTAS

[1] KARNAL, Leandro [et al.]. História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI. São Paulo: Contexto, 2007.


Por Cláudio Fernandes
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