A origem das peças de museu

As guerras foram de grande importância para a formação do acervo de diversos museus.
As guerras foram de grande importância para a formação do acervo de diversos museus.
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Ao chegar a um museu, muitos visitantes se deparam com uma rica cultura material que conta a história de diferentes civilizações. Esculturas, quadros, armamentos, adereços e artefatos compõem uma gama de riquezas que transmitem conhecimento aos visitantes do mundo inteiro. No entanto, poucos são aqueles que se questionam como tantas peças, provenientes dos mais diversos lugares do mundo, foram parar no acervo daquele determinado museu.

De fato, as peças de museu possuem sua própria historicidade e podem nos revelar dados de interessantes acontecimentos. Já na Antiguidade, podemos notar que muitas nações guerreiras costumavam pilhar e preservar artefatos trazidos de seus povos conquistados. Esse tipo de coleção tinha por trás de si o interesse de reafirmar a superioridade de um povo.

Ao contrário do que se possa pensar, esse hábito não se restringiu aos tempos remotos. O Museu do Louvre, por exemplo, só conseguiu seu amplo acervo graças aos cuidados tomados por Napoleão Bonaparte durante a conquista de novos territórios. Cada vez que subjugava um reinado, o imperador francês enviava uma equipe responsável por catalogar importantes artefatos dos povos dominados. Somente com a queda do imperador que algumas dessas peças de importância histórica foram devolvidas.

Outro grande líder fascinado pelo passado e pela cultura material de outras civilizações foi o nazista Adolf Hitler. Somente após a vitória dos Aliados contra os exércitos alemães que várias relíquias, obras de arte e documentos foram devolvidas aos países de origem. Os norte-americanos, obedecendo ao princípio de autodeterminação dos povos, se esforçaram para devolver várias peças. Em contrapartida, a Rússia preferiu utilizar as obras recolhidas como verdadeiros troféus de guerra expostos no Museu Hermitage.

Esse trânsito do patrimônio cultural de certos países acaba criando algumas situações, no mínimo, peculiares. No século XIX, um diplomata britânico chamado Thomas Bruce, lorde de Elgin, se apropriou de algumas esculturas encontradas no Pathernon grego para depois vendê-las ao Museu Britânico. Atualmente, autoridades e diplomatas gregos ainda brigam pela devolução das peças.

No Egito existe um importante projeto para se realizar a constituição de um grande museu nas proximidades das pirâmides de Gizé. No entanto, para realizar uma inauguração contando com importantes peças da cultura egípcia, os curadores tiveram que buscar o empréstimo de artefatos encontrados em museus da Inglaterra e da Alemanha. Além disso, grandes institutos de pesquisa tomaram um “empréstimo determinado” de relíquias de países estrangeiros.

Nas últimas décadas, a dificuldade de se identificar e devolver peças aos seus donos é encoberta por outra questão. Vários museus se negam a restituir determinados artefatos alegando que isso ameaçaria o acesso do grande público a essas peças. O mercado de obras de arte movimenta o interesse de agentes e colecionadores particulares que tem restrito interesse econômico nos acervos públicos. Dessa forma, os museus tentam preservar seu acervo predominantemente estrangeiro.


Por Rainer Sousa
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