Corrida Armamentista

A Corrida Armamentista foi um fenômeno ocorrido durante a Guerra Fria, consistindo na concorrência entre EUA e URSS em busca da “arma total”.

A construção de armas nucleares deu a tônica da Corrida Armamentista
A construção de armas nucleares deu a tônica da Corrida Armamentista
Por Cláudio Fernandes
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  • O que foi a corrida armamentista?

Por “Corrida Armamentista” entende-se um fenômeno característico do período da Guerra Fria, que pode ser definido pela concorrência entre as grandes superpotências político-militares da época, Estados Unidos e União Soviética, pela construção do arsenal bélico, ou da arma mais tecnologicamente sofisticada e com mais poder de destruição. Essa “corrida” em busca da “arma total” teve como “pontapé” inicial o lançamento das duas bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, nos dias 06 e 08 de agosto de 1945, por parte dos EUA.

  • Tecnologia nuclear como arma

Os comandantes militares, cientistas, engenheiros e autoridades políticas dos EUA deram início ao programa de construção de bombas atônicas nos anos 1940, em meio à Segunda Guerra Mundial, temendo que os nazistas, secretamente, estivessem fazendo o mesmo. O temor derivava do fato de que cientistas especializados na estrutura atômica eram alemães, como Werner Heisenberg, e estavam sob o jugo e as ordens de Hitler. Outro cientista Alemão, Albert Einstein, e o húngaro Leo Szilard, exilados nos EUA, advertiram as autoridades desse país sobre uma provável bomba atômica alemã.

O resultado dessa advertência foi o desenvolvimento do Projeto Manhattan, dirigido pelo físico americano Robert Oppenheimer, que produziu as primeiras bombas atômicas: uma, chamada Trinity, que foi detonada no deserto de Los Alamos, no Novo México, e outras duas, Little Boy e Fat Man, que foram lançadas sobre o Japão.

Com o fim da Segunda Guerra e a derrota da Alemanha e do Japão pelos então “aliados” (lembrando que URSS e EUA estavam juntos nos anos finais da guerra), começa uma nova era em termos de força militar e geopolítica. A URSS ocupou boa parte do território alemão e se apropriou da força de trabalho e do conhecimento tecnocientífico de vários físicos nucleares que trabalharam para o nazismo.

  • Xadrez geopolítico”

A partir de 1947, os então aliados EUA e URSS, mas com perspectivas ideológicas opostas, rompem oficialmente, e passam a delimitar “zonas de influência”, ou blocos, dividindo o globo. Tendo em vista a superioridade dos EUA após a demostração do potencial destrutivo de Little Boy e Fat Man, os soviéticos aceleraram o seu programa nuclear. Em 20 de agosto de 1949, em Semipalatinsk, no Cazaquistão, foi detonada a primeira bomba nuclear soviética. O uso de tecnologia nuclear como arma de guerra, dessa forma, deu a tônica da corrida armamentista.

O potêncial de destruição das ogivas nucleares acabou por servir como anteparo, ou freio, contra uma eventual Terceira Guerra Mundial com armamentos convencionais. Desse modo, o que se fez durante a Guerra Fria foi uma espécie de “xadrez geopolítico”, em que cada superpotência procurava estabelecer posições ao construir bases de mísseis nucleares em locais estratégicos contra o inimigo, como forma de, por meio da ameaça de um “apocalipse nuclear”, evitar disputas que desencadeassem um confronto direto.

O ponto mais tenso desse “xadrez” foi a Crise dos Mísseis, ocorrida em 1962, em decorrência da instalação de uma base nuclear soviética na ilha de Cuba, com mísseis apontados para cidades dos Estados Unidos.

  • Bomba de Hidrogênio

Cabe ressaltar que, além dos mísseis balísticos comuns, contendo ogivas nucleares a base de plutônio ou urânio, as duas superpotências em questão ainda desenvolveram uma arma ainda mais poderosa: a Bomba de Hidrogênio. Essa arma, que dispõe de tecnologia termonuclear, foi planejada e construída pelos cientistas Edward Teller e Stanislaw Ulam, a serviço do Exército dos EUA. Como narra o historiador P. D. Smith, em sua obra Os homens do fim do mundo – o verdadeiro Dr. Fantástico e o sonho da arma total:

A bomba de Teller e Ulam foi testada no Atol Eniwetok, no Oceano Pacífico, em 1º de novembro de 1952, três dias antes da eleição de Dwight Eiseunhower, ex-chefe do Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos como presidente da República. Apelidada de “Salsicha” pelos seus projetistas por causa de sua forma cilíndrica, a bomba pesava 82 toneladas. A sua estrutura, conhecida como “cabina de tiro”, tinha o tamanho de um edifício de seis andares. A explosão recebeu o nome-código de “Mike” – com M de megaton, que corresponde a 1 milhão de toneladas de explosivos potentes. A explosão foi muito mais intensa do que se esperava, com mais de 10 megatons, ou seja, mil vezes mais potente do que a bomba de Hiroshima. Um observador em um avião a cem quilômetros de distância disse que ver a cena era como “olhar para a eternidade ou para as portas do inferno”. [1]

Em 12 de agosto de 1953, os soviéticos, por sua vez, realizaram o primeiro teste com bomba de hidrogênio. Em 1º de março de 1954, os EUA detonam, no Atol de Bikini, a bomba Castle Bravo, de 15 megatons. Começava a “corrida” para se chegar à “bomba do fim do mundo”, com mais de 50 megatons de potência, isto é, mais de 700 vezes o poder da bomba lançada sobre Hiroshima. O ponto mais alto da construção de uma bomba de hidrogênio se deu em 1961, por iniciativa também dos soviéticos, com o projeto RDS-220, que ficou conhecido como Tsar Bomba. Essa bomba foi testada em Nova Zembla, no Oceano Ártico, e devastou uma região de 35 Km de raio.

  • Bomba de Cobalto

Físicos nucleares como Leo Szilard advertiam ainda, durante a era da “Corrida Armamentista”, que um perigo ainda maior que as bombas de hidrogênio poderia surgir: tratava-se de uma superbomba de hidrogênio revestida com o elemento químico Cobalto 60. Segundo o historiador P.D. Smith, citando informações do jornalista William Laurence:

[…] uma bomba termonuclear com uma chapa de cobalto que envolvesse os instrumentos de fissão e fusão criaria uma nuvem radioativa letal ao explodir. Essa arma não precisaria ser lançada sobre uma cidade. Ela teria a forma de um navio-bomba, com mais de uma tonelada de hidrogênio pesado. Harrison Brown, que tinha moderado a Mesa-Redonda de Chicago e era então professor de química nuclear na Caltech [Universidade Técnica da Califórnia] disse a Laurence que se um navio-bomba de cobalto explodisse no Pacífico, a 1600 quilômetros a oeste da Califórnia, “a poeira radioativa alcançaria toda a costa em mais ou menos um dia e chegaria a Nova York em quatro ou cinco dias”, matando tudo o que estivesse no caminho. Uma única bomba poderia acabar com um continente inteiro. [2]

Bastaria a detonação de quatro desses navios-bomba para que a população humana de todo o globo perecesse.

NOTAS

[1] SMITH, P. D. Os homens do fim do mundo – o verdadeiro Dr. Fantástico e o sonho da arma total.(trad. José Viegas Filho). São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 390-91.

[2] Ibid. p. 407.


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