Efeitos das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki

As bombas atômicas foram a ferramenta utilizada pelos Estados Unidos para forçar a rendição japonesa e espalharam o horror em Hiroshima e Nagasaki.

Ruínas de Nagasaki em foto de setembro ou outubro de 1945
Ruínas de Nagasaki em foto de setembro ou outubro de 1945
Por Daniel Neves Silva
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As bombas atômicas foram um dos episódios finais do confronto entre japoneses e norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Os americanos alegaram que as bombas atômicas foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki com o objetivo de forçar a rendição japonesa e impedir a invasão terrestre do Japão – o que custaria inúmeras vidas americanas. No entanto, existe a posição de que a ação dos Estados Unidos foi uma demonstração de força para a União Soviética no contexto da Guerra Fria, que já se delineava com o fim da guerra.

Guerra entre Estados Unidos e Japão

O conflito entre Estados Unidos e Japão iniciou-se após o ataque japonês à base americana de Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941. Esse ataque foi resultado da política imperialista japonesa, que defendia a expansão territorial do Império Japonês e a expulsão das potências ocidentais da Ásia. O país fazia parte do Eixo, grupo formado em 1940 por Alemanha, Itália e Japão por meio do Pacto Tripartite.

À medida que o conflito se desenvolvia, o exército e a marinha americana impuseram-se sobre as forças japonesas, sobretudo pela limitada capacidade da economia japonesa em comparação com a americana. Assim, em junho de 1945, os Estados Unidos, juntamente aos Aliados (União Soviética, China e Reino Unido), reuniram-se para discutir os termos de rendição do Japão.

Os termos da rendição foram emitidos na Declaração de Postdam, em julho de 1945, e prontamente rejeitados pelo Japão. Assim, os Estados Unidos, para evitar a invasão do Japão por terra, optaram por utilizar as novas armas produzidas no Projeto Manhattan: as bombas atômicas.

Lançamento das bombas

Mulher japonesa com queimaduras resultantes da bomba lançada em Nagasaki
Mulher japonesa com queimaduras resultantes da bomba lançada em Nagasaki

As bombas foram lançadas, primeiramente, em Hiroshima, no dia 6 de agosto de 1945. Como o Japão não se rendeu, os Estados Unidos lançaram a segunda bomba atômica sobre a cidade de Nagasaki, em 9 de agosto de 1945. Esse segundo ataque seria realizado sobre a cidade de Kokura, porém, por causa das condições climáticas, o avião bombardeiro foi desviado para Nagasaki.

O ataque sobre Hiroshima foi realizado às 8:15 da manhã sobre a ponte Aioi. O bombardeiro B-29 que levou a bomba chamava-se Enola Gay, e o piloto responsável por ele foi Paul Tibbets. A bomba explodiu a cerca de 580 metros do chão e, após a explosão, um clarão espalhou-se por toda a cidade com uma nuvem de calor que devastou Hiroshima.

Algumas pessoas foram instantaneamente vaporizadas pela força da bomba, como aconteceu com a senhora Aoyama (considerada a pessoa mais próxima do local da explosão). Além disso, em alguns casos, a sombra das pessoas foi impressa nas paredes próximas, conforme o relato de Charles Pellegrino:

Na parte sul da cidade […], Toshihiko Matsuda estava para deixar sua sombra no muro do jardim da sua mãe. Ele parecia ter se abaixado para apanhar uma fruta ou arrancar uma erva daninha. Nos milissegundos seguintes, o muro atrás de Toshihiko estaria impresso pelo não somente com a sua sombra, mas também com as imagens fantasmas das plantas que o cercavam […]. Na impressão feita na parede, quando a bomba explodiu, podia se ver a sombra de uma folha recém-caída da videira, e que, embora estivesse em queda, nunca chegaria ao chão|1|.

O ataque a Hiroshima matou, de imediato, cerca de 80 mil pessoas, que morreram vaporizadas e carbonizadas. Os sobreviventes relataram cenas de horror e muitos deles ficaram com queimaduras gravíssimas, além de haver casos de pessoas com a pele do corpo totalmente derretida e pendurada no corpo, olhos derretidos etc. A respeito disso, segue o relato do jornalista americano John Hersey:

Uns vinte homens e mulheres estavam no banco de areia [no rio que corta Hiroshima]. O sr. Tanimoto aproximou-se e os convidou a embarcar. Eles não se mexeram: estavam fracos demais para se levantar. O pastor estendeu os braços e tentou puxar uma mulher pelas mãos, porém a pele se desprendeu como uma luva|2|.

O calor da bomba gerou também uma desidratação severa nas pessoas. Os estudos comprovaram também que a chuva caída logo em seguida foi resultado da umidade lançada ao ar pela ação da bomba de urânio. Essa chuva ficou conhecida pela coloração negra e trouxe um grande perigo a todos aqueles que sobreviveram: a radiação.

A radiação foi outro fator a resultar na morte de inúmeras pessoas tanto em Hiroshima quanto em Nagasaki. As doses de radiação eram elevadíssimas para o corpo humano, e muitos morreram subitamente poucas horas ou dias depois do lançamento da bomba. Os efeitos, em geral, eram desmaios, fraqueza, sangramento pelo corpo e queda dos cabelos. A maioria dos sobreviventes conviveu com doenças graves pelo resto da vida.

O outro ataque ocorreu com o lançamento de uma bomba de plutônio sobre Nagasaki. Essa bomba foi muito mais potente que a de Hiroshima, no entanto, a condição montanhosa de Nagasaki protegeu determinadas partes da cidade. Estima-se que cerca de 40 mil pessoas tenham morrido instantaneamente em Nagasaki. O quadro de sofrimento dessas pessoas foi semelhante ao das outras vítimas, e as cenas de horror repetiram-se.

Rendição japonesa

O lançamento das bombas sobre Hiroshima e Nagasaki conseguiu forçar a rendição do Japão, oficializada em 2 de setembro de 1945. Em seguida, o país foi ocupado pelos americanos, e parte da liderança japonesa foi julgada e condenada por crimes de guerra.

O ataque atômico às cidades japonesas, entretanto, foi extremamente criticado por ter sido realizado em áreas civis. Muitos afirmam que o uso das armas pelos Estados Unidos foi precipitado, e hoje o lançamento de bombas atômicas é considerado um crime de guerra.

|1| PELLEGRINO, Charles. O último trem de Hiroshima: os sobreviventes olham para trás. São Paulo: Leya, 2010, p.4.
|2| HERSEY, John. Hiroshima. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 51.


Por Daniel Neves Silva
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