Fim do comunismo soviético

O fim do comunismo soviético desenrolou-se aos longo de cerca de cinco anos, a partir do momento que Mikhail Gorbachev assumiu a liderança do partido comunista soviético, em 1985.

O comunismo soviético chegou ao fim na virada da década de 1980 para a década de 1990
O comunismo soviético chegou ao fim na virada da década de 1980 para a década de 1990
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O início do “Império Soviético”, isto é, da superpotência conhecida como União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), começou no início dos anos 1920, após a guerra civil na Rússia provocada pela Revolução Bolchevique de outubro de 1917. Tendo como impulso inicial pós-guerra civil a chamada Nova Política Econômica (NEP), desenvolvida por Lênin, a União Soviética logo militarizou sua sociedade, estatizou sua economia e transformou-se no centro de “exportação” e financiamento do movimento comunista internacional. Esse imenso império, que exerceu influência sobre meio mundo durante boa parte do século XX, ruiu na transição da década de 1980 para a década de 1990.

O colapso da União Soviética ocorreu quando Mikhail Gorbachev estava à frente do comando do país, no período de 1985 a 1991. Gorbachev procurou reconfigurar os pilares do comunismo soviético por meio de reformas, mas, com tais reformas, acabou por acelerar o processo de dissolução. Os programas de reformas de Gorbachev ficaram conhecidos por seus respectivos nomes em russo: “Perestroika” e “Glasnost”. Entre as principais medidas que essas reformas implicavam estavam: o corte de verbas a países comunistas fora do leste europeu (como era o caso de Cuba e Coreia do Norte), a retirada de tropas soviéticas de regiões de guerra civil (como era o caso do Afeganistão à época) e, também, a negociação direta com os EUA para a desativação conjunta de ogivas nucleares.

Tais tentativas de transformação coincidiram com alguns acontecimentos decisivos para o cenário político europeu daquele tempo. A queda do muro de Berlim, em 1989, e a consequente reunificação da Alemanha é o exemplo mais flagrante. Os sinais de abertura que Gorbachev dava ao mundo, de forma geral, e à Europa, de forma especial, acabaram por provocar uma reviravolta na estrutura de poder da URSS. Alguns países pertencentes à URSS, ou dependentes dela, também passaram a se insurgir contra o poder central de Moscou no fim dos anos 1980. Foi o caso de Hungria e República Checa, como afirma o historiador Robert Service:

Na República Checa, instituíram uma lei proibindo líderes comunistas de ocupar cargos no governo. Na Alemanha reunificada, os alemães passaram a ter acesso aos documentos sobre eles criados pela polícia de segurança. As portas dos arquivos nacionais foram abertas ao público e divulgados os horrores do governo comunista. O consenso nos meios de comunicação era de que o “pesadelo totalitário” havia chegado ao fim. Do litoral siberiano no Pacífico até à Hungria, nos Bálcãs e na Antiga Alemanha Oriental aconteceu a mesma coisa. Os povos recuperaram o orgulho nacional e as tradições culturais e religiosas foram reinstauradas; bandeiras, redesenhadas, ruas, renomeadas, estátuas de heróis marxista-leninistas, derrubadas, e os livros de história, reescritos. Os velhos partidos comunistas tiveram confiscados seus escritórios, suas casas de veraneio e contas bancárias. [1]

Na medida em que essas transformações ocorriam, o centro do comunismo soviético, a Rússia, entrava em convulsão política. Dois setores principais dividiam o cenário: de um lado, os progressistas, que buscavam uma abertura completa do regime, liderados por Boris Iéltsin; de outro lado, os tradicionais comunistas do alto escalão burocrático e militar, defensores da manutenção do regime e da recuperação das zonas de influência da URSS, liderados por Valentin Pavlov. Esses últimos tentaram um golpe de Estado contra o governo de Gorbachev, prendendo-o em agosto de 1991, mas foram confrontados pelos representantes progressistas, que exigiram a libertação do então líder.

Ainda em 1991, Gorbachev renunciou seu posto e oficializou a dissolução definitiva da União Soviética. Iéltsin, que havia se destacado entre as lideranças, disputou e venceu o primeiro pleito para a presidência da república da Rússia pós-soviética.

NOTAS

[1] SERVICE, Robert. Camaradas: uma história do comunismo mundial. (trad. Milton Chaves de Almeida). Rio de Janeiro: Difel, 2015. p. 537.


Por Cláudio Fernandes
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