Formação da Monarquia Inglesa

A formação da Monarquia Inglesa passou por um processo longo, marcado pela disputa entre o poder da nobreza e o poder do monarca.

O rei João Sem Terra teve que reconhecer as limitações de seu poder como rei por meio da Magna Carta
O rei João Sem Terra teve que reconhecer as limitações de seu poder como rei por meio da Magna Carta
Por Cláudio Fernandes
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A formação das monarquias europeias ocorreu durante a Idade Média e consolidou-se no início da Idade Moderna. Sabemos que cada uma dessas monarquias desenvolveu-se a partir das mesclas culturais dos povos bárbaros, que ocuparam o território europeu durante o esfacelamento do Império Romano, e do cristianismo, que, por meio da instituição da Igreja Católica, conseguiu dar certa unidade a esses povos. A Monarquia Nacional Inglesa foi uma das primeiras a formar-se. Seu processo de constituição ocorreu entre os séculos XI e XIII.

Até o século XII, as ilhas que formam o atual Reino Unido não possuíam unidade política. Constituíam um bloco de quatro reinos independentes, herdeiros dos povos anglo-saxões. Entretanto, já na segunda metade do século XI, os normandos, que também haviam ocupado territórios ingleses, formaram uma nobreza propensa a uma administração central. Assim sendo, o processo efetivo de centralização monárquica começou com o rei Henrique II (1133-1189).

Entretanto, o sucessor de Henrique II, Ricardo Coração de Leão (1157-1199), permaneceu boa parte de seu reinado fora do seu centro de poder, fosse em guerra contra os franceses ou nas campanhas das Cruzadas no Oriente Médio. As dispendiosas batalhas do rei Ricardo, somadas à sua ausência, provocavam enorme insatisfação na nobreza inglesa, que cuidou para que seus sucessores tivessem limitações nas decisões políticas.

A medida encontrada pelos nobres para que houvesse maior equilíbrio sobre as decisões que pudessem atingir o âmbito de toda a sociedade foi a elaboração da Magna Carta, assinada no dia 15 de junho de 1215 pelo rei João Sem Terra. Os sessenta e três artigos da Magna Carta foram propostos a João Sem Terra como forma de acordo feudal entre o monarca e os nobres. Contudo, nos séculos seguintes, esse documento passou a ser símbolo do parlamentarismo moderno e da divisão entre os poderes.

Também no século XIII, após o advento da Magna Carta, foi criado o Parlamento Inglês, que passou a ser formado por duas câmaras: a Câmara dos nobres leigos e dos clérigos e a Câmara dos comuns, constituída pelos membros da baixa nobreza. A instituição do parlamento deu maior consistência política à Inglaterra, sobretudo após a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), quando os nobres tornaram-se ainda mais influentes e mais poderosos.

Todavia, no século XV, houve um fenômeno de recuo do poder do parlamento na Inglaterra. Esse recuo ocorreu em virtude da ascensão da dinastia Tudor ao poder em 1485. Essa ascensão deveu-se às graves consequências da Guerra das Duas Rosas (1455-1485) entre as famílias nobres dos Lancasters e dos Yorks. Henrique Tudor, o primeiro rei da nova dinastia, promoveu novamente o fortalecimento da monarquia (com amplo apoio popular), o que provocou o enfraquecimento do poder parlamentar. 


Por Cláudio Fernandes
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