Guerra Fria

A Guerra Fria foi um período histórico do século XX no qual o mundo ficou dividido em dois blocos políticos e ideológicos: os Estados Unidos e a União Soviética.

A Guerra Fria foi um período de tensão política e militar que irrompeu no mundo após a Segunda Guerra Mundial
A Guerra Fria foi um período de tensão política e militar que irrompeu no mundo após a Segunda Guerra Mundial
Por Cláudio Fernandes
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O período denominado de Guerra Fria começou, propriamente, em meados do ano de 1947 e estendeu-se até o ano de 1989. A data de início está relacionada com a crise política que se instalou entre os antigos aliados da Segunda Guerra, que, de 1943 a 1945, uniram forças contra o inimigo em comum: as “Potências do Eixo”, isto é, Alemanha, Itália e Japão. Esses aliados eram, do lado ocidental, Estados Unidos, Inglaterra e França e, do lado oriental, lê-se Leste Europeu, isto é, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), então comanda por Josef Stalin.

A crise política a que nos referimos teve como base a diferença ideológica entre as potências ocidentais e a URSS. Como sabemos, a URSS foi um fruto direto da Revolução Russa, deflagrada em 1917 sob o comando dos bolcheviques, isto é, revolucionários de orientação marxista cujo objetivo principal era implementar o regime comunista na Rússia e nos países que a circundavam no Leste Europeu. A revolução bolchevique e o sistema comunista dela derivado mostraram-se, contudo, tão arbitrários e monstruosos quanto os regimes nazista e fascista, combatidos durante a Segunda Guerra.

Os países ocidentais, sobretudo Inglaterra e Estados Unidos, eram herdeiros da tradição das democracias liberais, nas quais a liberdade econômica e as instituições políticas e jurídicas garantiam as liberdades individuais. Obviamente que a concepção política dessa tradição entrava em conflito direto com o comunismo da URSS. Por esse motivo, com o fim da guerra, o então líder da Inglaterra Winston Churchill deixou explícita a sua preocupação com o avanço do comunismo na Europa e na Ásia. À manifestação de Churchill seguiram-se as medidas adotadas pelo então presidente dos Estados Unidos, Henry Truman. Truman decidiu promover um programa de reconstrução dos países do oeste europeu ancorado na tradição política democrática. Esse projeto ficou conhecido como Plano Marshall e foi implementado ainda em 1947.

Apesar de os Estados Unidos terem proposto a extensão de tal plano aos países do leste europeu e à própria URSS, Stalin, de sua parte, recusou o auxílio americano e condenou a estratégia do Plano Marshall como “imperialista”. Além disso, havia por parte da URSS o fomento e o incentivo aos vários partidos comunistas que se formaram ao redor do mundo, que também tinham propostas revolucionárias. Esse era o início da ruptura decisiva entre um modelo comunista de conceber a sociedade, baseado em uma política centralizadora e antidemocrática, e um modelo liberalista, ancorado nas liberdades individuais e na economia de livre mercado (também chamada de sistema capitalista).

A Alemanha, que havia sido arruinada na guerra, teve seu território dividido entre as potências ocidentais e a União Soviética. Essa divisão aplicou-se também à capital, Berlim, que ficou do lado soviético, mas teve uma parte administrada por um governo cujo suporte era dado pelos ocidentais. Em 1961, os soviéticos construíram um muro circundando a parte ocidental de Berlim, impedindo que as pessoas saíssem da ou entrasse na cidade. Esse “Muro de Berlim” ficou conhecido como o símbolo máximo da Guerra Fria.

A característica principal da polarização entre esses dois modelos foram: a busca pelo desenvolvimento tecnológico em vários setores, mas sobretudo no desenvolvimento de tecnologia nuclear e da indústria aeroespacial. Tanto a União Soviética quanto os Estados Unidos lançaram-se a um “combate” tecnológico para demonstrar um ao outro a suposta superioridade. Essa guerra tecnológica foi marcada pela construção dos primeiros satélites artificiais e das primeiras espaçonaves, que puderam levar o homem para fora da atmosfera terrestre (feito conseguido primeiramente pela URSS) e, sobretudo, à Lua (feito conseguido pelos EUA).

Essa rivalidade também desembocou na chamada “corrida armamentista”, haja vista que o desenvolvimento de tecnologia nuclear também levou à construção em série de ogivas atômicas. A quantidade de ogivas produzidas chegou a ser suficiente para aniquilar todo o planeta. Os EUA e a URSS quase chegaram às vias de fato de uma guerra nuclear com a chamada “Crise dos Mísseis”, em 1973 (quando a URSS tentou deixar uma base atômica com mísseis nucleares na ilha de Cuba – então aliada comunista dos soviéticos).

A Guerra Fria teve desdobramentos tipicamente bélicos em duas ocasiões em especial: a Guerra das Coreias, ocorrida na década de 1950, e a Guerra do Vietnã, ocorrida ao longo das décadas de 1960 e 1970. A partir da década de 1980, a União Soviética foi perdendo força por não conseguir mais sustentar o regime de cerceamentos das liberdades políticas e de centralização administrativa e intervencionismo econômico. O fim da Guerra Fria veio com dois fenômenos simultâneos: a ruína interna do comunismo soviético e a queda do símbolo máximo que representou a divisão entre as duas concepções de mundo: o Muro de Berlim, em 1989.


Por Cláudio Fernandes
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