O despotismo esclarecido

<i>Catarina II da Rússia e o despotismo esclarecido</i>
Catarina II da Rússia e o despotismo esclarecido
Por Lilian Maria Martins de Aguiar
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Alguns soberanos europeus aderiram às ideias iluministas propagadas pelos filósofos franceses. Por compactuarem com os novos ideais iluministas e por procurarem, através dele, promover reformas sociais e modernizar os seus Estados, tais soberanos absolutistas foram denominados déspotas esclarecidos. Para esses monarcas, modernizar o Estado significava: ampliar e organizar a economia e a administração voltadas para o capitalismo industrial, efetuar reformas e determinar regras limitadas nas relações entre o Estado e a igreja, sem, contudo, perder o poder centralizador político. Os mais famosos déspotas esclarecidos foram:

Catarina II da Rússia, mais conhecida como Catarina, a Grande. Nasceu na Alemanha e casou-se com Pedro III da Rússia. Moralmente, Catarina II deixava muito a desejar, mas como administradora foi extraordinária. Ela fundou hospitais e escolas e aperfeiçoou a administração. Foi a continuadora da obra de modernização da Rússia iniciada por Pedro, o Grande. Erudita e apreciadora da cultura francesa, manteve correspondência com Voltaire, Diderot e D’Alembert, cujas ideias liberais possivelmente despertaram sua simpatia pelos camponeses, embora, muitas vezes, tomasse suas terras para dá-las a seus prediletos.

Frederico II da Prússia, filho de um monarca absoluto e ignorante, Frederico I, fez da Prússia o país mais bem organizado da Europa no período. Suprimiu a tortura dos malfeitores, fundou escolas essenciais, cujo ensino era obrigatório, desenvolveu a indústria e a agricultura. Sua corte era frequentada por famosos intelectuais, era admirador nato da cultura francesa e cultivava grande simpatia por Voltaire, a quem conhecia pessoalmente.

Na juventude, Frederico II foi um homem extremamente emotivo e completamente contrário ao militarismo exacerbado do pai. Mais tarde tornou-se representante da tradição militar dos junkers (nobreza prussiana caracterizada pelo seu acentuado militarismo), organizando um dos maiores exércitos da época e tomando a Silésia da Áustria (governada nessa época por Maria Tereza), como também grande parte da Polônia.

José II da Áustria, dentre os demais déspotas esclarecidos, foi, talvez, aquele que mais se aproximou da essência das reformas de caráter iluminista, pois libertou os servos, deu igualdade a todos perante a lei e liberou igualmente o culto das variadas religiões que existiam em seu país.

D. José I, o Marquês de Pombal, foi ministro de Portugal, e nos vinte e sete anos de sua administração governou Portugal como se fosse um verdadeiro monarca. Reorganizou o exército, a administração e a educação pública, saneou as finanças e proibiu a exportação de ouro para a Inglaterra. A administração de Pombal teve expressivas transformações no Brasil colônia, destacando a transferência da capital da Bahia para o Rio de Janeiro. Perseguiu os jesuítas no Brasil da mesma forma que o fez em Portugal, fato que trouxe muitas perdas ao ensino escolar brasileiro, pois os jesuítas eram os grandes responsáveis pela educação da colônia, atuavam entre os ameríndios e mantinham colégios de qualidade na cidade.

Quanto às reformas baseadas nos princípios iluministas, muitas foram realizadas, mas a teoria estava muito longe da prática. Existia, portanto, uma grande distância entre o que o Iluminismo concebia e o que realmente foi implantado no Estado governado pelos déspotas esclarecidos.


Por Lilian Maria Martins de Aguiar
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