O futebol de botão

Futebol de botão (ou futebol de mesa) - esporte que mistura criatividade, técnica e saudosismo.
Futebol de botão (ou futebol de mesa) - esporte que mistura criatividade, técnica e saudosismo.
Por Demercino José Silva Júnior
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Em uma época em que não existia videogame, computador e internet, as crianças se divertiam criando jogos com os materiais que tinham a mão. Frutas viravam vaquinhas; sabugo de milho, bonecas; e meias velhas, bola. Seguindo este princípio de sustentabilidade, houve um jogo, muito popular na década de 80, que uniu matéria-prima barata com a paixão nacional: o futebol de botão.

Não se sabe ao certo quando o futebol de botão surgiu (estima-se que foi no início do século XX), nem de onde veio. Os primeiros praticantes eram oriundos das cidades portuárias, fato esse que nos leva a crer que os marinheiros introduziram a diversão nas cidades que aportavam.

No Brasil, o primeiro registro do jogo foi em 1929, com o lançamento do primeiro livro de regras, escrito pelo compositor e artista plástico Geraldo Décourt. Carioca, Geraldo batizou o jogo como “Foot-Ball Celotex”. Há controvérsias quanto ao nome: uns dizem que era o nome da madeira que ele usou para a fabricação dos botões. Outros afirmam que “Celotex” era o nome de alguma exportadora que aparecia estampado nas caixas de madeira que Geraldo, supostamente, usou para a confecção das peças. No estado de São Paulo, o dia 14 de fevereiro, aniversário de Geraldo, é considerado o “dia do botonista”, data outorgada em julho de 2001, pelo então governador Geraldo Alckmin.

Na década de 40, as peças de madeira deram lugar a botões de camisa. As peças eram lixadas a fim de ter um melhor deslizamento. Na década seguinte, iniciou-se a confecção das peças para uso exclusivo no jogo. Fichas de pôquer eram coladas umas às outras e, posteriormente, lixadas e polidas. Em 60, começou-se a usar o vidro de relógios, que tinha a vantagem, por ser transparente, de possibilitar a colagem de escudos e fotos de jogadores de futebol, dando início aos botões como conhecemos hoje. É desta época também o início do uso de outros materiais como: casca de coco, chifre de boi e plástico, e o surgimento dos primeiros campeonatos. Na década de 70, os botões começaram a ser industrializados. As fábricas usavam o acrílico e a madrepérola para a confecção dos botões profissionais e plástico para a fabricação das peças destinadas às crianças.

Em 1988, o futebol de botão foi oficialmente reconhecido como esporte pelo antigo Conselho Nacional de Desportos (CND, órgão substituído atualmente pelo INDESP), através da Resolução N.º 14, de 29 de setembro de 1988, acatando ao Of. N.º 542/88 e ao Processo N.º 23005.000885/87-18, baseado na Lei N.º 6.251, de 8 de outubro de 1975 e no Decreto N.º 80.228, de 25 de agosto de 1977.

Como muitas pessoas consideravam o jogo mera diversão, o nome foi trocado para “Futebol de Mesa” (no exterior, o esporte é conhecido como “sectorball”). No Brasil existem três modalidades consideradas oficiais: baiana (ou disco um toque), carioca (ou bola três toques) e paulista (ou bola doze toques). O esporte hoje conta com diversas federações espalhadas mundo afora, campeonatos estaduais e nacionais (oficialmente regularizados) e um campeonato mundial. Em tempos cibernéticos, em que o computador é a forma de diversão mais popular, o futebol de botão ainda resiste, carregando saudosismo e criatividade. Segundo José Jorge Farah, presidente da Comissão Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM), há cerca de seis mil botonistas filiados, e mais de cem mil praticantes, espalhados pelo país.
 

Por Demercino José Silva Júnior
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