Vitórias japonesas na Segunda Guerra Mundial (1941-1942)

A Segunda Guerra Mundial na Ásia teve uma primeira fase marcada pelas rápidas vitórias do exército japonês sobre as colônias do Reino Unido e Holanda.

Antes do sudeste asiático o Japão havia invadido e conquistado a China desde 1937
Antes do sudeste asiático o Japão havia invadido e conquistado a China desde 1937
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A Segunda Guerra Mundial na Ásia iniciou-se a partir do ataque japonês à base naval de Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941. Entretanto, o Japão já estava em guerra desde 1937, na Segunda Guerra Sino-japonesa. Veja como foi a primeira fase do cenário de guerra na Ásia e no Oceano Pacífico, período marcado pelas vitórias japonesas e pela rápida expansão do Império Japonês.

Ataque a Pearl Harbor

A guerra entre Estados Unidos e Japão teve início após o ataque à base naval de Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941. O plano de ataque surpresa havia sido organizado pelo almirante Isoruku Yamamoto, e o ataque liderado pelo almirante Chuichi Nagamo resultou na morte de mais de 2 mil soldados americanos, além da destruição de muitos navios. Veiculado pela imprensa japonesa como um grande sucesso, o ataque contentou a expectativa de muitos japoneses que desejavam uma guerra contra os Estados Unidos desde a década de 1920. Entretanto, apesar de não ter alcançado os seus objetivos na totalidade (a destruição total da frota americana no Havaí), Pearl Harbor serviu como uma pequena e temporária vitória estratégica do Japão com a destruição parcial da frota americana.

Vitórias japonesas no sudeste asiático

O estado geral das tropas britânicas nas colônias do sudeste asiático era extremamente modesto. O Reino Unido havia posicionado suas melhores tropas na Europa e no Oriente Médio. Em razão disso, os seis primeiros anos de guerra contra o Japão foram considerados um desastre total. Em dezembro de 1941, o Japão atacou Cingapura, Malásia e Hong Kong. Além disso, o Japão invadiu e dominou rapidamente a Tailândia.

O ataque japonês a Cingapura, Malásia e Hong Kong foi fulminante. As defesas britânicas desmancharam-se rapidamente com os ataques pelos flancos. Isso porque as tropas japonesas embrenharam-se no meio da selva e de lá avançaram posições, estratégia que teria surpreendido os britânicos. Além disso, faltava o básico para as tropas britânicas e algumas divisões não possuíam armas para atacar os blindados japoneses.

Os exércitos coloniais formados por indianos e canadenses também pouco ajudaram, pois muitos fugiam desesperados, enquanto outros se rendiam sem oferecer a mínima resistência. Em mais ou menos 70 dias, o Japão já havia conquistado Cingapura, Malásia e Hong Kong dos britânicos. As conquistas japonesas no sudeste asiático foram acompanhadas de demonstrações de brutalidade, que marcaram o exército japonês durante toda a guerra: prisioneiros eram mortos indiscriminadamente e sujeitos a todo tipo de violência, e estupros ocorriam em grande número.

As vitórias em Cingapura e Malásia permitiram às tropas japonesas iniciar o ataque contra as Índias Holandesas Orientais (atual Indonésia), e a história repetiu-se: tropas locais mal preparadas e mal lideradas que, após os ataques, desfizeram-se facilmente, o que resultou em milhares de prisioneiros. Dessa forma, as Índias Holandesas Orientais foram conquistadas pelo Japão, que garantiu o controle de importantes fontes de petróleo.

Paralelamente a esses acontecimentos, houve a batalha na Birmânia. A Birmânia também estava sob o domínio britânico e sofreu os primeiros ataques em 23 de dezembro de 1941. Os interesses japoneses também consistiam em garantir o controle sobre as reservas materiais do país e fechar a chamada “rota da Birmânia”, rota terrestre por onde o exército americano enviava armas ao exército chinês, inimigo dos japoneses.

A história na Birmânia repetiu o que havia acontecido na Malásia e Cingapura: derrota humilhante para os britânicos. O exército britânico dispunha de pouco apoio aéreo, os comandantes eram inexperientes e a resistência oferecida pelas tropas britânicas e indianas era pequena. Apesar disso, a resistência britânica no país durou 127 dias e cerca de 13 mil britânicos morreram contra 4 mil japoneses.

Em pouco menos de seis meses, as vitórias japonesas foram colossais sobre o exército britânico. As perdas foram mínimas e, em um tempo relativamente curto, o Japão já controlava uma vasta região que oferecia inúmeros recursos para a guerra, principalmente petróleo e alimentos. O exército britânico, por sua vez, saiu com a imagem desgastada, pois suas defesas estavam muito mal preparadas e as retiradas ocorriam de forma desordenada.

Conclusão

As rápidas vitórias sobre as colônias inglesas e holandesas retrataram bem a preparação do exército japonês para a guerra. Os soldados japoneses, muitas vezes, marchavam mais de 20 quilômetros por dia e muitos receberam bicicletas e pedalavam durante todo o dia. Em batalha, o exército japonês também se mostrou altamente preparado e organizado por meio da estratégia de embrenhar-se na selva e impor medo nas tropas britânicas.

Apesar disso, essas vitórias disfarçaram uma realidade que o Japão ainda se negava a enxergar: uma guerra a longo prazo seria inviável para o país. A economia japonesa era muito modesta e não possuía capacidade de suportar tantas batalhas espalhadas por toda a Ásia e, muito menos, suportar a guerra contra os Estados Unidos e sua poderosa economia. Tanto que, depois dessas vitórias iniciais, o Japão conquistou as Filipinas dos Estados Unidos a duras penas e, em junho de 1942, os Estados Unidos já haviam virado a balança no conflito com vitória contra os japoneses na Batalha de Midway.


Por Daniel Neves Silva
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