Leitura e Autonomia textual

Antes de ser um escritor autônomo, é preciso ser um leitor crítico, pois a leitura crítica e a autonomia textual são inseparáveis.

É necessário ser um leitor crítico para ser um escritor autônomo, portanto, para ser livre como os pássaros, é preciso aprender a ler criticamente
É necessário ser um leitor crítico para ser um escritor autônomo, portanto, para ser livre como os pássaros, é preciso aprender a ler criticamente
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Na produção textual, a autonomia é uma das qualidades essenciais de um texto. No entanto, antes de falarmos sobre o que é a autonomia e como consegui-la, falaremos de um processo essencial para a escrita: a leitura.

A leitura deve preceder a escrita, entretanto, quando falamos em leitura, não é simplesmente “passar os olhos” ou organizar as palavras em frases e conseguir lê-las. A leitura que deve vir antes da escrita é a leitura crítica, aquela que consegue ver além do que está sendo dito. É sair da superfície e “mergulhar” na essência.

Para esclarecer melhor a diferença entre as leituras, imagine a seguinte situação:

Recentemente, o Brasil mais uma vez indignou-se com os ministros do STJ que votaram favoráveis ao novo julgamento para os “mensaleiros”. As mídias comentaram e escreveram muito sobre isso, então, suponha que duas pessoas que estavam próximas começaram a ler o mesmo texto. Ao final, uma simplesmente contou os fatos para uma terceira pessoa, enquanto a outra leitora comentou: “Como é possível que haja a possibilidade de um segundo julgamento e ainda mais com modificações nos componentes da banca? Isso é um absurdo! O que estará por trás dessa manobra dos advogados”?

Qual das duas aproximou-se mais da leitura crítica? A segunda, não é mesmo?  Já que ler deve ser um processo contínuo de fazer perguntas. Ler é interagir com o texto lido e com os outros que estão “guardados” com você.  Logo, não leia como se cada texto fosse o único exemplar, mas faça associações, relacione as leituras, compare-as, analise os pontos de vista de cada autor, crie tabelas reais ou imaginárias e analise os prós e os contras apresentados, veja como os argumentos e os contra-argumentos foram trabalhados. Enfim, não seja passivo no processo de leitura, posicione-se. E em que essa postura pode auxiliar na autonomia do texto?

Ser autônomo é ser livre, é ser capaz de determinar as próprias condutas. Portanto, a autonomia dentro da produção textual é a capacidade que o produtor do texto possui de pensar com independência e, consequentemente, escrever com independência. Quando falamos nisso, não estamos falando em infringir as regras da norma padrão, mas em demostrar posicionamento crítico, saindo da opinião de todos para a sua opinião, eliminando as frases feitas e usando uma frase de efeito que desperte o leitor, que faça com que ele reflita.

É importante destacar ainda que autonomia também se relaciona à clareza, ou seja, à forma como o texto precisa “falar” por si. Já que o autor não estará ao lado do leitor, é importante que ele seja claro, apresentando todas as informações necessárias para que o leitor compreenda o tema e o seu raciocínio. Além disso, se a redação for para o Enem, é essencial que sua proposta de intervenção seja coerente com os argumentos apresentados no texto.

Por fim, o uso de um vocabulário adequado também é uma forma de demonstrar autonomia, já que a escolha das palavras também demonstra independência. Será que o seu vocabulário vai ser simplesmente baseado nos textos de apoio ou coletânea, ou demonstrará para a banca o seu conhecimento de mundo? Lembre-se de que vocabulário adequado considera a finalidade do texto, seu destinatário, além do gênero proposto. Portanto, não se trata de usar palavras difíceis, mas palavras precisas que demonstrem seu conhecimento sobre o assunto. Veja os exemplos:

“A educação no Brasil é precária, existem cidades melhores, mas a maioria é uma vergonha.”

“O Brasil é um país de contrastes, comparando o IDEB, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, de 2011, dos estados de Alagoas e de Minas Gerais, nota-se uma diferença quase que intransponível entre eles. Enquanto a cidade de Monteirópolis, em Alagoas, obteve um índice de 2,5, Claraval, em Minas Gerais, alcançou 8,3.”

É possível afirmar, a partir da leitura dos trechos acima, que o tema entre os textos foi o mesmo – “A educação no Brasil”; entretanto, o primeiro exemplo não demonstra autonomia, pois simplesmente repetiu o que a maioria diz.  Já o segundo trouxe exemplos, afirmou que o Brasil é um país de contrastes e explicou o porquê dessa afirmação. Logo, demonstrou ser um leitor crítico, portanto, autônomo.

Na busca pela qualidade textual, a autonomia está presente por demonstrar ao leitor a capacidade que o produtor tem de pensar por escrito, de forma clara, independente e com vocabulário adequado. Entretanto, é impossível ser autônomo na produção e não ser na leitura. Por serem habilidades que se completam, devem ser desenvolvidas juntas, por isso é tão importante ler buscando a essência do texto.


Por Mayra Gabriella de Rezende Pavan
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