Poesia Marginal

A Poesia Marginal foi um movimento literário ocorrido nas décadas de 1970 e 1980. Entre seus principais representantes estão Torquato Neto e Paulo Leminski.

Paulo Leminski, Waly Salomão e Torquato Neto estão entre os maiores representantes da Poesia Marginal brasileira *
Paulo Leminski, Waly Salomão e Torquato Neto estão entre os maiores representantes da Poesia Marginal brasileira *
Por Luana Castro Alves Perez
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Cogito

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

Torquato Neto

Torquato Neto, multiartista piauiense, foi um dos principais representantes da Poesia Marginal, também conhecida como Geração Mimeógrafo. Movimento literário brasileiro que ocorreu nas décadas de 1970 e 1980, a Poesia Marginal floresceu em um conturbado momento político, enfrentando a censura imposta pela ditadura militar.

A Geração Mimeógrafo recebeu esse nome porque as publicações eram feitas de maneira pouco convencional: os artistas marginais, mal vistos pelas editoras, recorriam ao mimeógrafo (máquina para realizar cópias, com um original escrito ou desenhado em relevo) para reproduzir seus textos e livros. Eram mal vistos porque uma das principais características da Poesia Marginal era a transgressão, seja da forma, seja da linguagem, fatores que distanciavam o movimento dos cânones literários. O método artesanal de fabricação dos poemas, aliado à forma de divulgação – os poemas e livros eram vendidos de mão em mão em eventos relacionados com a cultura marginal –, subverteu os meios tradicionais de circulação das obras: sem editoras ou livrarias, a Poesia Marginal era independente e absolutamente alternativa.

Trabalho do artista plástico Hélio Oiticica que define em poucas palavras o movimento conhecido como Poesia Marginal
Trabalho do artista plástico Hélio Oiticica que define em poucas palavras o movimento conhecido como Poesia Marginal

A estética marginal, ou marginália, encontrou representantes nas diferentes manifestações artísticas. Na Literatura, ecoou nas obras de Paulo Leminski, José Agripino de Paula, Waly Salomão, Francisco Alvim, Torquato Neto e Chacal. Na música, foi defendida por Sérgio Sampaio, Tom Zé, Jorge Mautner, Jards Macalé e Luiz Melodia, injustamente rotulados como “malditos”, já que eram preteridos pelas grandes gravadoras da época. A não aceitação da cultura marginal deveu-se à não adequação de seus representantes aos moldes literários impostos pela Academia e não alinhamento com a chamada “cultura oficial”, responsável por deixar à margem qualquer produção artística que ousasse reinventar as já sacralizadas formas de expressão.

Para você conhecer mais sobre a Poesia Marginal, o Alunos Online traz para você poemas de Paulo Leminski, Chacal e Waly Salomão, grandes expressões da Geração Mimeógrafo na Literatura. Boa leitura!

Waly Salomão foi um dos maiores representantes da Poesia Marginal. Nasceu em Jequié, Bahia, em 1943, e faleceu no Rio de Janeiro no ano de 2003
Waly Salomão foi um dos maiores representantes da Poesia Marginal. Nasceu em Jequié, Bahia, em 1943, e faleceu no Rio de Janeiro no ano de 2003

Escritor, poeta, crítico literário, tradutor e professor, Paulo Leminski nasceu em Curitiba em 1944 e faleceu na mesma cidade no ano de 1989
Escritor, poeta, crítico literário, tradutor e professor, Paulo Leminski nasceu em Curitiba em 1944 e faleceu na mesma cidade no ano de 1989

Chacal, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, nasceu no Rio de Janeiro em 1951. É uma das maiores expressões da Poesia Marginal
Chacal, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, nasceu no Rio de Janeiro em 1951. É uma das maiores expressões da Poesia Marginal

*A imagem que ilustra o artigo foi criada a partir das capas dos seguintes livros:
O bandido que sabia latim, biografia de Paulo Leminski escrita por Toninho Vaz, Editora Record;
Poesia Total, antologia de Waly Salomão, Editora Companhia das Letras;
A biografia de Torquato Neto, do escritor Toninho Vaz, Editora Nossa Cultura.


Por Luana Castro Alves Perez
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