Gelo-Seco

O gelo-seco passa diretamente do estado sólido para o gasoso
O gelo-seco passa diretamente do estado sólido para o gasoso
Por Jennifer Rocha Vargas Fogaça
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O gelo-seco, ao contrário do que o nome possa indicar, não é feito de água, mas na verdade é o gás carbônico (dióxido de carbono CO2) no estado sólido.

É um composto inorgânico da função dos óxidos (compostos bivalentes, sendo que o elemento mais eletronegativo é o oxigênio). Além disso, pode ser ainda classificado como óxido ácido, pois, ao entrar em contato com a água, o CO2 produz um ácido (H2CO3).

Composição química e estrutura do cristal de gelo-seco

Esse composto recebe esse nome pois realmente parece um gelo; porém, com uma propriedade especial: a sublimação; ou seja, ele passa diretamente do estado sólido para o gasoso, em temperatura ambiente. O estado líquido só pode existir numa pressão superior a 50 atmosferas por litro.

Por ser facilmente sublimável, o gelo-seco se perde muito rapidamente para a atmosfera. Dependendo da forma, do seu tamanho, da temperatura exterior e da quantidade utilizada, as perdas de gelo-seco podem atingir os 5 kg em 24 horas num recipiente normal. E mesmo se estiver em recipientes próprios, devidamente isolados, ainda assim existem perdas. Em razão disso, o gelo-seco deve ser utilizado logo que possível, após a sua produção. Além disso, procura-se não abrir o recipiente em que ele está armazenado, preenchendo possíveis espaços vazios com papel ou outro material, pois esses espaços favorecem sua sublimação.

Sua rápida e contínua sublimação pode elevar muito a sua concentração no ambiente, tornando o ar “asfixiante”. Assim, ele não deve ser transportado juntamente com os passageiros ou o condutor num veículo fechado e também não deve ser guardado num local sem ventilação exterior onde estejam pessoas ou animais. A concentração normal desse composto no ar é de cerca de 0,035%. Se essa concentração ficar acima de 5%, ele pode se tornar tóxico.

Quando o gelo-seco passa para o estado gasoso, arrasta consigo moléculas de água, originando uma névoa mais densa que o ar. Graças a essa “fumaça branca” formada, o gelo-seco é muito utilizado como um recurso cênico em filmes, shows, teatros, programas de televisão e festas.

“Fumaça” de gelo-seco sendo usada em festa

Para produzir o gelo-seco usado nesses eventos, normalmente utiliza-se uma máquina, onde é usado um cilindro de CO2 líquido. Mas se você quiser produzir gelo-seco de uma forma caseira, poderá utilizar um extintor de gás carbônico. Usando uma luva e tomando muito cuidado, você coloca um pano na boca do extintor e pressiona o gatilho. Nesse pano você irá coletar o gelo-seco, pois dentro do extintor o CO2 está sob uma pressão muito forte, permanecendo no estado líquido; mas na hora em que o dióxido de carbono despressuriza, ele perde temperatura, parte dele é expelida como gás e o restante sai como gelo-seco. Colocando-o em um copo com água, você terá o visual fumegante característico da substância.

Máquina de produzir fumaça branca de gelo-seco

O gelo-seco também é utilizado como recurso de refrigeração de alimentos perecíveis, como nos carrinhos de sorvete, pois o CO2 fica nesse estado sólido abaixo de 78°C negativos. Portanto, o manuseio do gelo-seco exige mais cuidados, como utilizar luvas e mantê-lo longe do alcance de crianças, pois se este entrar em contato com a pele pode gerar queimaduras graves de frio. Por esse mesmo motivo, o gelo-seco nunca deve ser engolido e nem mesmo colocado na boca.


Por Jennifer Rocha Vargas Fogaça
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