Trabalho no mundo contemporâneo

O trabalho no mundo contemporâneo é visto como fonte de inúmeros fenômenos sociais.

Linhas de produção em fábricas têxteis na Primeira Revolução Industrial
Linhas de produção em fábricas têxteis na Primeira Revolução Industrial
Por Lucas de Oliveira Rodrigues
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O bem inalienável do Homem

O teórico alemão Karl Marx (1818-1883) definiu trabalho como a ferramenta com a qual o homem altera a natureza em seu benefício, a atividade fundadora da humanidade e de todo o contexto social. Por meio dele, o homem pré-moderno, agrário em sua origem, produzia o que necessitava para sua subsistência e construía o seu mundo com seu próprio labor. Partindo dessa lógica, o trabalho para Marx seria o “bem inalienável do homem,” isto é, algo que não poderia ser vendido ou cedido, uma vez que seria a ferramenta de manutenção de sua própria sobrevivência. Nessa relação entre trabalho e sobrevivência, Marx enxergava a essência da própria vida humana. Portanto, vender a força de trabalho por um salário seria o mesmo que vender a própria vida.
 

 

A Revolução Industrial e o Trabalho Assalariado

Vender a própria mão de obra, ou o chamado trabalho assalariado, entretanto, tornou-se atividade comum. A Revolução Industrial iniciou uma série de mudanças nas relações sociais e nas relações de trabalho do indivíduo, que até então vivia ligado diretamente à terra. O êxodo rural propiciado pelos cercamentos provocava o inchamento das cidades, que agora ficavam abarrotadas de pessoas que não mais possuíam meios de produzir seu próprio sustento como antes. Marx observou que esse novo homem urbano perdeu seu acesso à terra, o que fez surgir uma classe de trabalhadores cuja única forma de subsistência era a venda de sua força de trabalho.

Com essa nova forma de se relacionar com o trabalho, o sujeito, antes intimamente ligado ao seu labor, passou a se ver desconectado do que produzia. Assim, nunca colhia os frutos de seu trabalho, que passou a ser comprado por um salário que, na maior parte das vezes, era suficiente apenas para manter-se vivo. Esse fenômeno desencadeou grandes problemas sociais, que se alastraram por todo o século XIX e grande parte do século XX, momento em que ações de melhorias das condições de trabalho e o estabelecimento de leis trabalhistas surgiram em defesa do trabalhador.

A produção automatizada substituiu grande parte da mão de obra humana
A produção automatizada substituiu grande parte da mão de obra humana

Trabalho em tempos recentes

Todavia, ainda hoje enfrentamos problemas em relação ao trabalho, em virtude da busca constante pela redução dos custos de produção e, consequentemente, aumento do lucro. De várias maneiras, a produção industrial automatizada tornou a mão de obra humana obsoleta em muitos aspectos, forçando aqueles que necessitam de vender sua força de trabalho para sobreviver, principalmente aqueles que possuem menor grau de especialização, a fazê-lo de forma cada vez mais barata. Esse fenômeno tornou-se mais evidente em tempos mais recentes se observarmos a realidade da produção de bens de consumo em escala global, em que países em desenvolvimento e com grande população encontram-se no topo se considerarmos o aspecto da produção industrial. Entretanto, ao observarmos os índices de qualidade de vida e de trabalho, vemos que a grande produção industrial não se converte em melhoria de condição de vida para o trabalhador que produz. Isso se deve à exploração do enorme exército de trabalho existente nesses países e das leis trabalhistas mais frouxas que permitem que grandes produtoras industriais mantenham uma alta rotação de trabalhadores com baixos salários.

Trabalho no Setor Terciário

É preciso salientar que nossa realidade distingue-se bastante da retratada por Karl Marx no início da chamada Revolução Industrial. Enquanto a maioria dos trabalhadores daquela época concentrava-se em atividades de manufatura relacionadas com a produção industrial, hoje o setor de serviços é o que mais possui trabalhadores. No Brasil, por exemplo, o setor terciário, ou setor de serviços, foi responsável por 69,4% do valor adicionado ao PIB do ano de 2013, segundo as Contas Nacionais Trimestrais do IBGE. Embora não se trate de bens concretos, a lógica da exploração do trabalho ou da mais-valia ainda se aplica. Isso porque mesmo quando o trabalho não é aplicado na produção material, ele ainda possui valor agregativo. O trabalho de um professor que se dedicou a aprender a ensinar, por exemplo, possui valor agregado ao ato de ministrar as aulas.

Esse contexto histórico-social é importante para que entendamos os conflitos que nossas novas formas de relação com o trabalho trazem. O desemprego associado com esse processo torna-se um dos principais problemas de nossa sociedade moderna. Ao negar o direito ao trabalho, nega-se também o direito do sujeito de subsistir no meio social. Podemos, então, relacionar o agravamento de problemas como a violência, a miséria e a falta de acesso à educação a esse tipo de exclusão social.


Por Lucas de Oliveira Rodrigues
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