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Impactos ambientais negativos da transposição de rios

A destruição de habitat e a redução da biodiversidade aquática e terrestre estão entre os impactos ambientais negativos da transposição de rios.

Por: Vanessa Sardinha dos Santos A transposição pode afetar negativamente o meio ambiente

A transposição pode afetar negativamente o meio ambiente

A transposição de rios é uma técnica usada desde a Antiguidade e baseia-se na alteração dos cursos de água para suprir a demanda de uma área onde essa substância é escassa. Apesar da transposição aparentemente melhorar a qualidade de vida de uma população, diversos aspectos ambientais devem ser considerados.

A transposição de rios pode provocar diversos impactos ambientais negativos tanto na área de construção como nas bacias hidrográficas. Esses impactos são bastante questionados pelos ambientalistas, que, na maioria dos casos, não recomendam esse tipo de obra.

Um dos principais problemas desencadeados pela transposição de rios é o desmatamento de grandes áreas. Ao longo da região onde canais são instalados, grande quantidade de vegetação é perdida, o que provoca, além da perda de espécies vegetais, a destruição do habitat da fauna terrestre local.

A destruição de habitat é hoje um dos problemas ambientais que mais provocam extinção de espécies. Sendo assim, ao fragmentar áreas, devemos ter em mente que podemos afetar diretamente a biodiversidade de uma região, uma vez que ocorre alteração na migração de espécies, na obtenção de alimento e na reprodução.

O desmatamento também pode ocasionar processos erosivos e acelerar a desertificação nas áreas de construção. Esses problemas podem afetar diretamente a economia, pois prejudicam principalmente a agricultura. A saúde da população também pode ser afetada, uma vez que esse tipo de obra pode provocar o aumento de doenças, proliferação de vetores e aumento de acidentes com animais peçonhentos, que migram em busca de um novo habitat.

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Além da biodiversidade das comunidades terrestres, a transposição de rios também afeta as comunidades aquáticas. As bacias receptoras, por exemplo, podem ter sua biodiversidade reduzida significativamente, principalmente como consequência da introdução de novas espécies. Outro importante impacto negativo é a eutrofização dos novos reservatórios.

Os impactos ambientais da transposição de águas infelizmente não ficam apenas em suposições. Existem diversos exemplos de projetos que não deram certo e hoje podem ser usados como alerta antes do início de uma nova obra. Esse é o caso do Aqueduto Tajo-Segura, na Espanha, e do Colorado-Big Thompson, nos Estados Unidos.

O Aqueduto Tajo-Segura foi uma grande obra que não conseguiu atingir seu objetivo e necessitou da criação de outros canais de transposição. Além disso, graves problemas de salinização do solo ocorreram, principalmente como consequência do uso na irrigação. Já no caso do Colorado-Big Thompson, a transposição causou mudança física nos rios, prejudicando a sobrevivência de peixes e aves. Além desse problema, ocorreram inundações que afetaram o desenvolvimento de peixes marinhos.

Todos os impactos ambientais negativos causados por uma obra afetam a vida de toda a população local. Sendo assim, antes da transposição de rios, é necessário que a população tenha conhecimento do projeto e que sejam discutidos todos os possíveis impactos e prováveis medidas para solucioná-los. Projetos bem elaborados normalmente possuem menos riscos, portanto, é papel de todos contribuir para a sua construção.