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Agrossistemas

Os agrossistemas envolvem as variadas classificações dos tipos de produção agropecuária.

Por: Rodolfo F. Alves Pena Os agrossistemas variam conforme os critérios utilizados em sua classificação

Os agrossistemas variam conforme os critérios utilizados em sua classificação

Um agrossistema – também conhecido como sistema agrário – é um tipo ou modelo de produção agropecuária cuja elaboração obedece a uma classificação pautada em critérios específicos que variam conforme a abordagem desejada. Em geral, eles revelam a relação da produção no campo com o índice de aproveitamento do espaço, as técnicas utilizadas, as estratégias desenvolvidas e os objetivos adotados.

Um primeiro critério utilizado para classificar os agrossistemas é a intensidade de utilização do terreno. Nesse ínterim, divide-se a agropecuária em intensiva e extensiva. A agropecuária intensiva é aquela em que se realiza o máximo aproveitamento do terreno, concentrando a produção de gêneros agrícolas e a criação do gado, o que provoca um maior desgaste do solo. Já a agropecuária extensiva é aquela que se utiliza de maiores espaços, com menor concentração produtiva, o que provoca o alargamento das terras e o aumento do índice de desmatamento.

Outro critério é o destino ou o objetivo da produção, em que há a agropecuária comercial e a de subsistência. A agropecuária comercial é aquela voltada para atender ao mercado, seja para exportação, seja para o consumo interno. Já a agropecuária de subsistência procura abastecer as necessidades dos seus trabalhadores e comercializar apenas o excedente, quando houver.

Além disso, também é possível considerar o tamanho das propriedades como forma de classificação. As grandes propriedades constituem os latifúndios e as médias e pequenas áreas são chamadas de minifúndios. O conceito e o tamanho utilizados para cada uma dessas expressões variam de um lugar para o outro, a depender do valor da terra e do tamanho do território do país ou região em questão.

O tipo de propriedade também se configura como uma tipologia. Existem, assim, as propriedades privadas (predominantes, atualmente), em que a posse da Terra pertence a pessoas físicas ou jurídicas e que são destinadas aos interesses de seus proprietários. A propriedade estatal, por sua vez, é aquela em que a posse e a produção pertencem ao Estado, algo muito comum, por exemplo, na China e em países de economia planificada. Por fim, temos a propriedade coletiva, em que a posse da produção é de uma comunidade ampla de pessoas, o que é mais comum em tribos indígenas ou assentamentos realizados por movimentos sociais do campo.

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Apesar de todas essas classificações, existe uma tipificação mais comumente utilizada e que se refere às técnicas, tecnologias, funções dos trabalhadores e outras características concernentes ao modo de produção adotado. Nessa divisão, há os agrossistemas tradicionais, modernos e alternativos.

Os agrossistemas tradicionais são aqueles em que há uma menor presença dos aparatos tecnológicos e, consequentemente, uma maior quantidade de trabalhadores. São muito comuns em alguns países subdesenvolvidos, em que a modernização agrícola ainda não chegou com intensidade, e em outros países desenvolvidos em que houve um predomínio por essa opção, a exemplo do Japão. Geralmente, a produção costuma não apresentar uma grande quantidade de agrotóxicos e quase nenhum maquinário, além de ser geralmente voltada para a produção interna ou, em alguns casos, apenas para subsistência.

Agricultura tradicional: sem a presença de maquinários e tecnologia
Agricultura tradicional: sem a presença de maquinários e tecnologia

Os agrossistemas modernos são aqueles em que há uma ampla presença de maquinários e tecnologia avançada no contexto da produção, exigindo menor quantidade de mão de obra. Há, nesses sistemas, uma grande quantidade de produtos químicos e biológicos e uma produção sistematicamente controlada, geralmente voltada para atender ao mercado internacional. A modernização dos agrossistemas é chamada de revolução verde.

Os agrossistemas modernos possuem mais maquinários e menos trabalhadores
Os agrossistemas modernos possuem mais maquinários e menos trabalhadores

Os agrossistemas alternativos são aqueles elaborados para serem ecologicamente sustentáveis, procurando causar menores danos em relação aos outros dois tipos acima apresentados. A escala e o destino da produção variam muito, mas a opção é quase sempre pela agropecuária orgânica, ou seja, sem nenhum tipo de produto ou técnica que provoque uma agressão ao meio ambiente.

Os agrossistemas alternativos visam a uma maior harmonia com o meio ambiente
Os agrossistemas alternativos visam a uma maior harmonia com o meio ambiente