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O conceito de Região

O conceito de Região passou por diferentes transformações ao longo da história do pensamento geográfico.

Por: Rodolfo F. Alves Pena A região é um importante conceito para a Geografia

A região é um importante conceito para a Geografia

A região é uma das principais categorias-chave da Geografia, sendo um conceito muito utilizado ao longo da história dessa ciência, pois refere-se a um determinado tipo de unidade espacial ou de parte dela. Portanto, compreender o conceito de região é de fundamental importância para entender a dinâmica dos estudos geográficos.

No entanto, não existe um conceito único e acabado do que seria região, mas diferentes compreensões ao longo da história. No início, por exemplo, os estudos do autor Vidal de La Blache consideravam a região como uma área pautada por uma característica que a diferenciava de seu entorno. Outros autores clássicos consideravam a região como uma área natural marcada por um conjunto específico de elementos climáticos, geológicos, hidrográficos e biosféricos.

Nessas concepções, é dever do Geógrafo, pois, observar, compreender e descrever minuciosamente os aspectos regionais em todas as suas especificidades. Para La Blache, inclusive, seriam os estudos regionais detalhados que dariam uma melhor perspectiva sobre a compreensão do todo a partir da soma das partes.

Para outro autor da Geografia, Richard Hartshorne, a região não seria algo natural e já existente, mas uma criação intelectual adotada pela compreensão humana, ou seja, em uma linha kantiana de raciocínio, a região não existiria de fato, sendo apenas uma apreensão humana sobre o espaço geográfico com base em um critério específico. Por exemplo: eu posso desenvolver uma regionalização do Brasil a partir das diferentes manifestações culturais existentes, criando as regiões culturais brasileiras. No caso, elas não existem de fato, sendo apenas uma divisão elaborada com base em um critério previamente escolhido.

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Essa definição de região influenciou posteriormente a chamada “Nova Geografia”, corrente de pensamento geográfico pautada no Neopositivismo filosófico e calcada no racionalismo e na utilização de métodos quantitativos em suas análises. Nesse sentido, a região passou a ter um caráter de classificação das áreas, um agrupamento tecnicamente elaborado para fins específicos.

Posteriormente, avolumaram-se as críticas a esse modelo, sobretudo pela ausência de uma crítica social e pelo estabelecimento do contexto histórico no processo formador das diferentes áreas do espaço e consequentemente das regiões. A chamada Geografia Crítica, de cunho marxista, passou a considerar a região a partir de um cunho crítico das desigualdades e contradições promovidas pelo capitalismo, o que geraria regiões desiguais e, em algumas análises, “regiões que explorariam regiões”.

Novamente, uma crítica ao conceito anterior estabeleceu-se, e os geógrafos humanistas, críticos da razão extrema e da ausência da compreensão humana nas análises geográficas, reelaboraram o conceito de região. Nesse sentido, ele ficou entendido como uma área calcada na compreensão e na vivência, sendo assim, a região seria um espaço percebido, vivenciado e compreendido culturalmente pelas relações sociais e humanas. Não se poderia compreender a região, portanto, se o indivíduo não a vivenciasse.

Portanto, como já dissemos, existem diferentes conceitos de região, sendo difícil encontrar um esboço consensual de definição. Independentemente de seus debates, o conceito de região e de regionalização continua sendo muito importante para os estudos referentes ao espaço geográfico e suas características.