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Invasões Holandesas no Brasil

As Invasões Holandesas no Brasil ocorreram no século XVII e deixaram profundas transformações na região Nordeste, sobretudo em Pernambuco.

Por: Cláudio Fernandes Ruínas do Forte Orange, em Itamaracá, Pernambuco, construído em 1631 pelos holandeses

Ruínas do Forte Orange, em Itamaracá, Pernambuco, construído em 1631 pelos holandeses

As invasões holandesas no Brasil, ocorridas no século XVII, consistiram no maior conflito militar de nossa história colonial e culminaram na formação daquilo que já se convencionou denominar, em história do Brasil, de “Brasil Holandês”. Para compreender os motivos que conduziram os holandeses às terras do Nordeste do Brasil, é necessário saber um pouco do contexto político e econômico da Europa do século XVII.

Nos séculos XVI e XVII, a Europa protagonizou uma onda de transformações políticas intimamente ligada às reformas religiosas. As Reformas Protestantes e a Contrarreforma acabaram por fornecer às autoridades civis da época brechas para guerras civis e institucionalização de modelos políticos específicos. Nesse contexto, coroas como Espanha e Portugal, que eram essencialmente católicas, passaram a representar o principal nicho do catolicismo. Com a União Ibérica, firmada na segunda metade do século XVI, os tronos português e espanhol ficaram sob o jugo do rei da Espanha. Dessa forma, as colônias portuguesas, incluindo o Brasil, também foram submetidas ao domínio espanhol.

A Holanda, que mantinha, até então, uma relação amistosa com a coroa portuguesa, com a qual negociava, entre outras coisas, o refinamento do açúcar produzido nos engenhos do Nordeste brasileiro, viu-se na iminência de ter seus interesses prejudicados com o advento da União Ibérica. Isso porque a relação da Espanha com os Países Baixos, incluindo a Holanda, não era nem um pouco amistosa.

Os holandeses passaram a pressionar Portugal e Espanha com pilhagens das colônias da Costa Africana e ataques à cidade de Salvador, no Brasil, na virada do século XVI para o XVII. Entretanto, esse quadro mudou temporariamente com uma breve trégua entre Espanha e Holanda (de 1609 a 1621). No entanto, a criação da Companhia das Índias Ocidentais pelos holandeses, que tinha como alvo principal o que se produzia nas colônias da América Espanhola e Portuguesa, acirrou novamente a tensão entre as duas potências.

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A primeira investida da Holanda contra o Brasil ocorreu no ano de 1624, tendo como alvo a cidade de Salvador. Essa primeira invasão foi rechaçada pelos portugueses no ano seguinte. Entretanto, cinco anos depois, em 1630, os holandeses tentaram uma nova invasão, dessa vez tendo como alvo a cidade de Olinda, em Pernambuco. O historiador Boris Fausto dividiu esse momento em três fases distintas:

“Entre 1630 e 1637, travou-se uma guerra de resistência, que terminou com a afirmação do poder holandês sobre toda a região compreendida entre o Ceará e o rio São Francisco. […] O segundo período, entre 1637 e 1644, caracteriza-se por relativa paz, relacionada com o governo do príncipe holandês Maurício de Nassau, que foi o responsável por uma série de importantes iniciativas políticas e realizações administrativas. […] O terceiro período de guerra, entre 1645 e 1654, se define pela reconquista. O fim da dominação espanhola em Portugal, com a ascensão de Dom João IV ao trono português deu fim à guerra.” (FAUSTO, Boris. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013. p.75-76.)

Nessa primeira fase, a mais turbulenta da ocupação holandesa, destacou-se a figura de Domingos Fernandes Calabar. Profundo conhecedor da região de Pernambuco, Calabar deixou de apoiar os luso-brasileiros para dar instruções e colaborações aos holandeses na guerra pelo domínio da região. Em razão dessa atitude, Calabar foi capturado e morto pelos luso-brasileiros sob a alcunha de traidor. Essa traição de Calabar foi exaustivamente debatida por historiadores e virou tema de uma peça de teatro, escrita por Chico Buarque de Holanda e Ruy Guerra, em 1973, intitulada: “Calabar: o elogio da traição”.