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Invasões Holandesas no Brasil

As Invasões Holandesas no Brasil ocorreram no século XVII e deixaram profundas transformações na região Nordeste, sobretudo em Pernambuco.

As invasões holandesas no Brasil, ocorridas no século XVII, consistiram no maior conflito militar de nossa história colonial e culminaram na formação daquilo que já se convencionou denominar, em história do Brasil, de “Brasil Holandês”. Para compreender os motivos que conduziram os holandeses às terras do Nordeste do Brasil, é necessário saber um pouco do contexto político e econômico da Europa do século XVII.

Nos séculos XVI e XVII, a Europa protagonizou uma onda de transformações políticas intimamente ligada às reformas religiosas. As Reformas Protestantes e a Contrarreforma acabaram por fornecer às autoridades civis da época brechas para guerras civis e institucionalização de modelos políticos específicos. Nesse contexto, coroas como Espanha e Portugal, que eram essencialmente católicas, passaram a representar o principal nicho do catolicismo. Com a União Ibérica, firmada na segunda metade do século XVI, os tronos português e espanhol ficaram sob o jugo do rei da Espanha. Dessa forma, as colônias portuguesas, incluindo o Brasil, também foram submetidas ao domínio espanhol.

A Holanda, que mantinha, até então, uma relação amistosa com a coroa portuguesa, com a qual negociava, entre outras coisas, o refinamento do açúcar produzido nos engenhos do Nordeste brasileiro, viu-se na iminência de ter seus interesses prejudicados com o advento da União Ibérica. Isso porque a relação da Espanha com os Países Baixos, incluindo a Holanda, não era nem um pouco amistosa.

Os holandeses passaram a pressionar Portugal e Espanha com pilhagens das colônias da Costa Africana e ataques à cidade de Salvador, no Brasil, na virada do século XVI para o XVII. Entretanto, esse quadro mudou temporariamente com uma breve trégua entre Espanha e Holanda (de 1609 a 1621). No entanto, a criação da Companhia das Índias Ocidentais pelos holandeses, que tinha como alvo principal o que se produzia nas colônias da América Espanhola e Portuguesa, acirrou novamente a tensão entre as duas potências.

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A primeira investida da Holanda contra o Brasil ocorreu no ano de 1624, tendo como alvo a cidade de Salvador. Essa primeira invasão foi rechaçada pelos portugueses no ano seguinte. Entretanto, cinco anos depois, em 1630, os holandeses tentaram uma nova invasão, dessa vez tendo como alvo a cidade de Olinda, em Pernambuco. O historiador Boris Fausto dividiu esse momento em três fases distintas:

“Entre 1630 e 1637, travou-se uma guerra de resistência, que terminou com a afirmação do poder holandês sobre toda a região compreendida entre o Ceará e o rio São Francisco. […] O segundo período, entre 1637 e 1644, caracteriza-se por relativa paz, relacionada com o governo do príncipe holandês Maurício de Nassau, que foi o responsável por uma série de importantes iniciativas políticas e realizações administrativas. […] O terceiro período de guerra, entre 1645 e 1654, se define pela reconquista. O fim da dominação espanhola em Portugal, com a ascensão de Dom João IV ao trono português deu fim à guerra.” (FAUSTO, Boris. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013. p.75-76.)

Nessa primeira fase, a mais turbulenta da ocupação holandesa, destacou-se a figura de Domingos Fernandes Calabar. Profundo conhecedor da região de Pernambuco, Calabar deixou de apoiar os luso-brasileiros para dar instruções e colaborações aos holandeses na guerra pelo domínio da região. Em razão dessa atitude, Calabar foi capturado e morto pelos luso-brasileiros sob a alcunha de traidor. Essa traição de Calabar foi exaustivamente debatida por historiadores e virou tema de uma peça de teatro, escrita por Chico Buarque de Holanda e Ruy Guerra, em 1973, intitulada: “Calabar: o elogio da traição”.

Ruínas do Forte Orange, em Itamaracá, Pernambuco, construído em 1631 pelos holandeses

Ruínas do Forte Orange, em Itamaracá, Pernambuco, construído em 1631 pelos holandeses

Por: Cláudio Fernandes