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Batalha de Berlim e a queda do Reich nazista

A Batalha de Berlim mobilizou 2,5 milhões de soviéticos com ordens de conquistar a capital alemã a todo custo. Essa conquista levou à queda do Reich nazista.

Por: Daniel Neves Silva Prédio alemão localizado na cidade de Berlim, destruído pouco antes do ataque soviético. Foto de março de 1945

Prédio alemão localizado na cidade de Berlim, destruído pouco antes do ataque soviético. Foto de março de 1945

A Batalha de Berlim foi o último grande capítulo da Segunda Guerra Mundial na Europa. Com a conquista da capital da Alemanha, a derrota do nazismo foi consolidada. Essa batalha causou grande destruição à cidade, que ficou marcada pelas demonstrações de violência dos soldados soviéticos contra a população alemã. Durante esse episódio da guerra, também aconteceu o suicídio de Adolf Hitler em seu bunker.

Antecedentes

A guerra, iniciada na Europa a partir da agressão da Alemanha contra a Polônia, em setembro de 1939, foi o objetivo de Hitler desde que havia assumido o poder em 1933. Em busca desse objetivo, o líder nazista doutrinou os alemães para que a guerra fosse vista como vital para o país.

Após um início empolgante, a Alemanha tomou o grande passo na guerra e promoveu a invasão da União Soviética, em 1941, na Operação Barbarossa. No entanto, a guerra na União Soviética marcou o início do fim do regime nazista. Depois de quase conquistar Moscou, os alemães foram barrados pelo inverno de 1941 e, em Stalingrado, sofreram uma grande derrota.

As possibilidades de vitória da Alemanha na União Soviética foram desmanteladas quando Hitler precisou recuar seus exércitos em Kursk para fortalecer suas posições na Itália. A derrota em Kursk iniciou a marcha dos exércitos soviéticos rumo à Alemanha. Em janeiro de 1945, a cidade de Varsóvia, capital da Polônia, foi reconquistada, e, em fevereiro, os soviéticos conquistaram Budapeste, capital da Hungria.

Em 1945, as decisões de Hitler contribuíram para acelerar o fim do nazismo, pois, mesmo fortemente advertido pelos seus generais, ele recusou-se a recuar estrategicamente as tropas para fortalecer a resistência na Alemanha, sobretudo em Berlim. Com isso, formaram-se bolsões de resistência nazista em várias partes do Leste Europeu, que foram cercados por tropas soviéticas.

Batalha de Berlim

Em 1945, a guerra transformou-se em total desastre para a Alemanha, pois, nos quatro primeiros meses daquele ano, mais alemães haviam morrido que em 1942 e 1943 juntos. O historiador Max Hastings traz os dados da quantidade de mortos em 1945: aproximadamente 1,3 milhão de alemães morreram.

A conquista de Berlim era prioridade máxima para a União Soviética. Por ordem de Stalin, os generais soviéticos deveriam conquistar a cidade a todo custo, uma vez que isso representava, para esse líder, o desfecho ideal da vingança após toda a destruição causada no território soviético. Além disso, a União Soviética buscava ter acesso às pesquisas científicas sigilosas que lhe permitiriam a construção de uma bomba atômica.

A invasão da cidade alemã levou os soviéticos a mobilizarem 2,5 milhões de soldados, além de 6.250 blindados e 7.500 aviões|1|. O ataque foi iniciado em 16 de abril de 1945 contra as posições defensivas dos alemães nas colinas de Seelow. Essa ofensiva custou aos soviéticos cerca de 30 mil soldados – o que foi considerado um custo alto. A carga do ataque a Seelow foi extremamente pesada, como aponta o historiador Antony Beevor, pois, somente no primeiro dia, os canhões soviéticos atiraram 1.236.000 vezes|2|.

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Enquanto o ataque contra Seelow acontecia, outro grupamento liderado por Konev atacava Berlim pelo sul. No dia 25, essa cidade havia sido cercada por inteiro pelas tropas de Zhukov e Konev, e, durante uma semana, as batalhas aconteciam pelas ruas com os soviéticos abrindo caminho aos poucos, em razão da resistência desesperada dos berlinenses.

A essa altura, as tropas alemãs haviam mobilizado idosos e crianças para a resistência, e boatos espalhavam-se pela cidade de que as tropas americanas e britânicas abririam caminho para resgatá-los dos soviéticos. Os boatos, no entanto, eram infundados, pois os soldados desses dois países tinham ordens de não atacar Berlim.

Após entrarem na capital da Alemanha, os soviéticos promoveram um grande massacre contra civis alemães. Além disso, foi iniciado um frenesi de estupros contra mulheres de todas as idades. Essas ações foram incentivadas por Stalin, pois eram consideradas apenas um espólio de guerra merecido pelos soldados, depois de anos de sofrimento com a guerra. A (esperada) vingança soviética levou milhares de berlinenses a cometerem suicídio pouco antes da invasão.

A respeito da violência dos soldados soviéticos em Berlim, o historiador Max Hastings faz a seguinte menção:

Os soldados soviéticos não viam vergonha alguma, como veem as sociedades ocidentais, no conceito de vingança. A guerra fora travada precipuamente em solo russo. O povo russo aguentara sofrimentos incomparavelmente maiores do que os americanos e britânicos. Como conquistadores, os alemães se comportaram como bárbaros, modo de agir tornado ainda mais vil porque falavam tanto em honra e professavam respeito a valores civilizados. Agora, a União Soviética aplicava-lhes um castigo terrível. A nação alemã trouxera sofrimento ao mundo, e em 1945, pagaria a conta. O preço por iniciar e perder uma guerra contra uma tirania tão cruel quanto a de Stalin era uma vingança cobrada em termos quase tão intolerantes quanto aqueles que os seguidores de Hitler impuseram à Europa desde 1939|3|.

No dia 30 de abril, as forças soviéticas conquistaram o Reichstag (parlamento) alemão e, logo depois, Hitler cometeu suicídio em seu bunker, juntamente de sua esposa, Eva Braun. O almirante Karl Dönitz assumiu o comando após a morte de Hitler e, no dia 2 de maio de 1945, oficializou a rendição incondicional da Alemanha. O Terceiro Reich estava oficialmente derrotado. A partir disso, o solo alemão foi ocupado pelas tropas Aliadas e os responsáveis pelos crimes de guerra cometidos pelos nazistas foram julgados no Tribunal Militar Internacional de Nuremberg.

|1| HASTINGS, Max. O mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012, p. 643.
|2| BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 817.

|3| HASTINGS, Max. O mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012, p. 651.





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