Guerra Franco-Prussiana

A Guerra Franco-Prussiana transcorreu entre os anos de 1870 e 1871 e foi um dos acontecimentos mais importantes do século XIX.

Por Cláudio Fernandes
Acima, metralhadora de fabricação francesa usada na Guerra Franco-Prussiana
Acima, metralhadora de fabricação francesa usada na Guerra Franco-Prussiana
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Durante o processo de Unificação da Alemanha, na segunda metade da década de 1860, muitas guerras foram empreendidas pelo Estado Prussiano, que tinha como rei Guilherme I e como Primeiro-ministro Otto von Bismarck. Essas guerras envolviam sobretudo campanhas contra países que tinham influência sobre as regiões de interesse germânico, como a Dinamarca, que tinha soberania sobre Estados de cultura alemã. Após a sequência de guerras e negociações com vistas à construção de um Estado nacional forte, sob o comando de Bismarck, os Estados germânicos concentraram-se contra o Império Francês, de Napoleão III, dando início à Guerra Franco-Prussiana.

O termo “Guerra Franco-Prussiana” é utilizado para designar o conflito entre o reino da Prússia, que tinha como aliados os Estados alemães que a ele se associaram na Confederação Alemã, e a França. Essa guerra ocorreu entre os anos de 1870 e 1871. A Prússia, como já salientado, liderava o processo de unificação e expansão dos Estados alemães e tinha interesse em algumas regiões que estavam sob a posse do Império Francês, como a fronteiriça Alsácia-Lorena.

O estopim do conflito entre as duas nações, contudo, foi a disputa pela sucessão do trono espanhol em 1868. O primo do rei prussiano, Leopoldo de Hohenzollern, tinha interesse na sucessão do trono espanhol, mas Napoleão III, da França, indispôs-se às pretensões dos prussianos, temendo uma aliança entre Espanha e Prússia contra a França. Mesmo com a renúncia de Hohenzollern à candidatura ao trono, Otto von Bismarck soube provocar Napoleão III e incitá-lo a declarar guerra contra a Prússia. O Primeiro-ministro prussiano modificou uma carta do rei Guilherme I, publicada em jornal, na qual havia uma suposta ofensa do rei a um embaixador da França. Em decorrência desse mal-entendido, as duas nações foram resolver as diferenças no campo de batalha.

Com relação às condições para a guerra, a Alemanha possuía muitas vantagens sobre o exército francês. Essas vantagens derivavam da união entre os Estados e da modernização militar empreendida por Otto von Bismarck, como assinala o historiador Armando Vidigal:

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[…] A Alemanha, graças a cuidadoso planejamento e esmerada organização do sistema de transporte, especialmente ferroviário, pôde colocar 3 exércitos em posição – cerca de 380 mil homens – em 18 dias. Por outro lado, na França, a confusão foi enorme: unidades chegaram ao front sem suprimentos e sem meios de transporte, e os atrasos foram frequentes. Quando Napoleão III juntou-se ao Exército em Mertz, a 18 de julho, nenhum corpo estava em condições de dar início às operações. [1]

A França, mesmo tendo um corpo militar mais preparado e experiente, não pôde suportar por muito tempo os incisivos ataques dos exércitos alemães unificados. Prossegue Vidigal:

Em consequência, perdeu-se a vantagem inicial que seria da França, com maior proporção de tropas profissionais e melhores armas portáteis. A vantagem alemã era numérica – além dos prussianos, contava com tropas de outros Estados da Confederação (inclusive da Saxônia e do Hesse) e também dos Estados do Sul (Bavária, Württemberg e Baden) –, além da superioridade da artilharia, em organização e mobilidade. [2]

A França foi derrotada no espaço de um ano. Em 1871, a Unificação Alemã havia se completado com a vitória sobre seu principal adversário. A região da Alsácia-Lorena foi anexada à Alemanha e a França saiu humilhada da guerra após o rei Guilherme I, da Prússia, ter sido sagrado imperador do II Império Alemão no Palácio de Versalhes, o símbolo máximo da coroa francesa.


NOTAS

[1] VIDIGAL, Armando. “As guerras de unificação alemã”. In: MAGNOLI, Demétrio (org.). História das Guerras. São Paulo: Contexto, 2013. p 310.
[2] Idem. p. 310. 

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