Império Bizantino

Surgido em 395, o Império Bizantino, com capital em Constantinopla, foi a continuidade do Império Romano do Oriente. Sua existência estendeu-se até 1453.

Por Daniel Neves Silva
A Basílica de Santa Sofia foi construída durante o reinado Justiniano no século VI
A Basílica de Santa Sofia foi construída durante o reinado Justiniano no século VI
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O Império Bizantino, considerado como a continuação do Império Romano do Oriente, surgiu no século IV a partir da divisão desse império em ocidente e oriente. Ele sobreviveu à fragmentação até o século XV, quando a cidade de Constantinopla foi invadida pelos turcos otomanos.

Surgimento de Bizâncio

O Império Bizantino originou-se como uma continuidade da parte oriental do Império Romano, que sobreviveu aos ataques dos povos germânicos e não se fragmentou como havia acontecido com a parte ocidental no século V a.C. O termo bizantino foi utilizado pelos historiadores para referir-se pela primeira vez a esse império no século XVI e faz menção à cidade de Bizâncio, primeiro nome que a cidade de Constantinopla recebeu.

Constantinopla, capital do Império Bizantino, começou como colônia grega em 657 a.C., sob o nome de Bizâncio. Esse nome era uma referência a um suposto lendário rei, Bizas, que teria fundado essa cidade. A expressão “Império Bizantino” popularizou-se a partir do século XIX.

O surgimento do Império Bizantino estava relacionado com a decadência do Império Romano. Na transição dos séculos II e III d.C., esse império iniciou um processo de declínio relacionado com a crise que envolvia o sistema escravista, a economia, a política etc. Essa crise levou as autoridades romanas a dividirem o Império Romano em duas partes. Assim, em 395, foram formados:

  • Império Romano do Ocidente, com capital em Milão e, depois, em Ravena.
  • Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla.

A cidade de Constantinopla foi fundada pelo imperador Constantino em 330, com o objetivo de tornar-se a nova capital do Império Romano. O objetivo desse imperador era afastar o governo do império da crise política instalada em Roma. Além disso, a transferência da capital visava afastar a sede do império dos ataques germânicos.

Designada por Constantino como “Nova Roma”, essa cidade foi renomeada, tempos depois, em sua homenagem com o nome de Constantinopla. A parte oriental do império sobreviveu aos ataques germânicos principalmente por sua prosperidade, que lhe permitia, muitas vezes, pagar para que esses povos migrassem para outros locais, como a parte ocidental do Império.

Apesar de ter feito parte do Império Romano, o Império Bizantino desenvolveu-se a partir de tradições culturais distintas das existentes em Roma. A sua influência mais forte foi a tradição cultural grega, e isso resultou em profundas diferenças entre Constantinopla e Roma, como o idioma (em Constantinopla falava-se o grego, e em Roma falava-se o latim).

Essas diferenças culturais levaram ao surgimento de divergências marcantes nas duas igrejas cristãs que se estabeleceram nessas duas cidades. Nas terras do Império Bizantino, por exemplo, não se aceitava a veneração de imagens religiosas (iconoclastia). A Igreja instalada em Constantinopla estava sujeita ainda à autoridade política estabelecida, o que ficou conhecido como Cesaropapismo.

As diferenças nas questões teológicas entre as igrejas de Roma e Constantinopla estendiam-se também nos interesses políticos. A ambição das duas cidades em tornarem-se o grande representante do cristianismo provocou o Grande Cisma do Oriente em 1054, quando as duas igrejas romperam definitivamente e foi criada a Igreja Ortodoxa.

Reinado de Justiniano

Ao longo da história bizantina, um dos imperadores de maior destaque foi Justiniano, que governou o Império Bizantino de 527 a 565. Durante o seu reinado, esse imperador conseguiu recuperar alguns territórios conquistados e ocupados pelos povos germânicos, como parte da Península Itálica (ocupada pelos ostrogodos) e o Norte da África (ocupado pelos vândalos).

Além disso, Justiniano ordenou a restauração de parte da cidade de Constantinopla. Desse processo, foi construída a Hagia Sofia, também conhecida como Basílica de Santa Sofia, que existe até hoje na atual cidade de Istambul. Outro grande acontecimento, durante o reinado de Justiniano, foi a Revolta de Nika em 532.

A Revolta de Nika surgiu de um desentendimento entre Justiniano e o povo presente no hipódromo sobre o resultado de uma corrida de cavalo. Essa discordância acabou ampliando a insatisfação popular com os problemas que afetavam a cidade de Constantinopla, como a falta de alimentos. Os historiadores estimam que cerca de 30 mil pessoas foram mortas pelas tropas de Justiniano.

Decadência do Império Bizantino

A partir do século XII, o Império Bizantino iniciou um período de decadência, marcado por muitas guerras civis e disputa pelo poder. Esse processo também estava relacionado com o enfraquecimento de Constantinopla, após essa cidade ter sido invadida e saqueada pelos cruzados durante a Quarta Cruzada. Toda essa turbulência coincidiu com o fortalecimento dos turcos otomanos, que cercaram e saquearam a cidade de Constantinopla em 1453.

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