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Incas

Os incas foram uma civilização pré-colombiana que se desenvolveu em Cusco (atual Peru) e foi responsável por estender o seu gigantesco império por toda a região andina.

Por: Daniel Neves Silva A cidade inca de Machu Picchu foi descoberta em 1911 e é um dos sítios incas conhecidos mais bem preservados.

A cidade inca de Machu Picchu foi descoberta em 1911 e é um dos sítios incas conhecidos mais bem preservados.

Os incas foram uma civilização pré-colombiana que se estabeleceu na região andina e formaram, a partir de 1438, um poderoso império. Ficaram conhecidos pela sua riqueza e pela sua sofisticação, tendo entrado em decadência após a morte de Huayna Capac e a conquista definitiva pelos espanhóis liderados por Francisco Pizarro em 1532.

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Resumo

Os incas estabeleceram-se na região andina, formando um império que se estendeu por 4.000 quilômetros, indo da Colômbia até o Chile e Argentina. O centro do império ficava em Cusco (atual Peru), e o crescimento do império aconteceu após 1438. As cidades conquistadas pelos incas eram conectadas à capital a partir de uma vasta rede de estradas.

O imperador era considerado uma manifestação de Inti, o deus Sol dos incas. A sociedade era hierarquizada em diversos grupos, e a nobreza possuía os cargos de maior importância. Na economia, sobreviviam da agricultura. Todo o comércio realizado no império era feito pela troca de mercadorias, pois não existia dinheiro.

A religião era politeísta, e os principais deuses eram Viracocha e Inti. Existiam sacerdotes que cumpriam o papel religioso em tempo integral. O grupo de sacerdotes mais importante eram as acllas, sacerdotisas escolhidas para adorar Inti e para cuidar da família real. Poderiam ser concubinas reais ou ser sacrificadas a Inti.

A decadência dos incas está relacionada com uma guerra civil e com a chegada da expedição de Francisco Pizarro na região, em 1531.

Localização e origens

Pachacuti, conhecido por ter sido o primeiro imperador dos incas, foi coroado em 1438 e governou por 33 anos.
Pachacuti, conhecido por ter sido o primeiro imperador dos incas, foi coroado em 1438 e governou por 33 anos.

Os incas estabeleceram seu império na região andina, abrangendo territórios que iam desde a atual Colômbia até o norte do Chile e da Argentina. O centro do Império Inca era estabelecido na cidade de Cuzco (aportuguesando a palavra, escreve-se Cusco), localizada a mais de 3.000 metros de altitude no Peru. Aquela região era habitada desde aproximadamente 4500 a.C.

O fortalecimento dos incas na região andina, no entanto, só aconteceu a partir do século XV. Tudo se iniciou durante uma guerra contra o povo chanca em 1438. Nesse ano, os chancas atacaram os quéchuas e também os incas que estavam instalados na cidade de Cusco. O governante da cidade, chamado Viracocha, nomeou seus dois filhos, Yupanqui e Roca, para defender a cidade.

Como resultado dessa guerra, os incas conseguiram conter o ataque chanca, e Yupanqui acabou sendo coroado imperador de Cusco com o nome de Pachacuti (significa “cataclismo”). A partir desse momento, Pachacuti iniciou o processo de expansão territorial dos domínios incas. Ao longo de várias décadas, ele e seu filho Tupac Yupanqui lideraram as tropas incas, que conquistaram diversos povos e expandiram as fronteiras. Ao todo, o Império Inca estendia-se por 4.000 quilômetros e impunha impostos aos povos dominados. As regiões conquistadas eram integradas ao império a partir da construção de estradas.

Os incas referiam-se ao seu império como “Tawantinsuyu”, que significa “império das quatro direções”, segundo a historiadora Marianne Mahn-Lot|1|, ou “terra dos quatro quartos”, segundo o historiador Nicholas J. Saunders|2|. Os quatro pedaços do império eram chamados pelos incas de Chinchasuyu (norte), Antisuyu (leste), Contisuyu (oeste) e Collasuyu (sul).

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Política

As quatro partes que dividiam o Império Inca (os chamados “suyu”) eram governadas por uma pessoa diretamente nomeada pelo imperador. Essas áreas, em alguns casos, eram divididas em pequenas províncias, que, por sua vez, eram administradas por um governante local, o grande responsável por conduzir todas as obras de infraestrutura necessárias.

As estradas foram as principais obras realizadas pelos incas. Ao todo, eles construíram cerca de 30.000 quilômetros de estradas|3|. O uso delas, no entanto, era apenas para os oficiais, autoridades e o exército inca.

Os incas mantinham postos administrativos nos locais que haviam conquistado como forma de mantê-los sujeitos à autoridade de Cusco. Além disso, eles também mantinham as regiões conquistadas sob seu controle por meio da instalação de uma população de língua e cultura quéchua nos locais conquistados. Essas pessoas transferidas eram chamadas de mitmaq.

Sociedade

Os incas possuíam uma sociedade hierarquizada, isto é, que era dividida em classes sociais, com diferentes níveis de importância e prestígio. Naturalmente, o topo da pirâmide social era ocupado pelo imperador inca, conhecido como Sapa Inca.

Abaixo do imperador, estava a nobreza, que poderia ser organizada em três grupos: aqueles que haviam herdado a nobreza hereditariamente desde a origem do império, aqueles que haviam ganhado esse status por merecimento à medida que o império expandia-se, e os curacas, autoridades dos ayllus.

O ayllu era uma unidade social em que um grupo de pessoas compartilhava suas terras e trabalho. Era papel do curaca organizar a divisão do trabalho em cada ayllu, assim como organizar a partilha de tudo que era produzido. Os curacas também eram responsáveis por ajudar famílias de seu ayllu que estivessem enfrentando dificuldades.

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A sociedade também possuía um grupo de comerciantes, que poderiam comercializar desde mercadorias simples até mercadorias luxuosas (lembrando que não havia dinheiro entre os incas). O grupo mais numeroso da sociedade inca era formado por homens comuns, que exerciam atividades agrícolas e pastoris.

Religião

Representação moderna de Inti, o deus Sol dos incas.
Representação moderna de Inti, o deus Sol dos incas.

A religião dos incas, assim como a religião de diversos povos pré-colombianos, possuía mitos de origem para justificar a sua própria existência e a de seus costumes. Um dos mitos de criação falava que o Sol teve piedade dos humanos porque viviam de maneira inculta e incivilizada (dentro dos padrões estabelecidos pelos incas). Assim, o Sol enviou irmãos cósmicos para criar locais de adoração ao Sol e também para transmitir toda a instrução e conhecimento que fossem necessários aos homens.

Segundo esse mito de criação, a cidade de Cusco encheu-se de pessoas em razão da atuação desses irmãos cósmicos. Outro mito afirmava que a criação da humanidade havia sido realizada por Viracocha (o deus supremo dos incas), que moldou os homens da argila e deu-lhes características únicas.

Os incas acreditavam que os locais geográficos estavam diretamente ligados com o mundo espiritual, assim, locais como montanhas e cavernas eram vistos como sagrados e poderiam tornar-se espaços de adoração aos deuses. Os incas chamavam esses lugares de huacas. Um festival importante da religiosidade inca acontecia em festejo a Inti, o deus Sol. Esse festival era o Inti Raymi.

O festival conhecido como Inti Raymi é realizado até hoje no Peru. (Créditos: Roberto Epifanio e Shutterstock)
O festival conhecido como Inti Raymi é realizado até hoje no Peru. (Créditos: Roberto Epifanio e Shutterstock)

Viracocha era o nome da divindade mais poderosa para os incas, e Inti era a divindade mais adorada, justamente por ser considerado o deus da realeza inca. Existiam outros deuses, como Pacha Mama, Mama Coca, Mama Kilya, Cuichu, Ilyap’a etc.

Na religião inca, existiam sacerdotes e sacerdotisas que dedicavam suas vidas aos deuses. Os sacerdotes, inclusive, eram os responsáveis pela observação dos astros. No que se refere às mulheres, o grupo de sacerdotisas de destaque eram as acllas, jovens escolhidas para realizar a adoração ao deus Inti.

As acllas eram escolhidas pela sua beleza para tornar-se sacerdotisas e eram responsáveis também pelo cuidado da família real. Algumas delas eram escolhidas como concubinas do imperador. Outras eram escolhidas para sacrifícios aos deuses, ritual conhecido como capac hucha.

Economia

Curvas de nível é o nome que se dá à técnica de cultivo utilizada pelos incas.
Curvas de nível é o nome que se dá à técnica de cultivo utilizada pelos incas.

A principal forma de sustento dos incas era o trabalho agrícola. A agricultura inca tinha como principais produtos o milho e a batata (esta era um item de grande variedade na região andina). Além disso, eles também produziam itens como quinoa, abóboras e pimenta e criavam animais como lhamas e alpacas. Todo o trabalho era realizado como parte do ayllu.

A produção agrícola dos incas era realizada por meio de uma técnica conhecida como “curva de nível”. Essa é uma técnica utilizada em solos muito inclinados e garante melhor aproveitamento da terra, além de evitar que ocorra erosão pelo escoamento da água.

Existia também o comércio, mas como não havia moeda, a obtenção de mercadorias era realizada pela troca. Os impostos cobrados pelo imperador eram pagos a partir do que era produzido pelos incas. Essa cobrança também poderia ser feita a partir de trabalho compulsório, chamado de mita. Na mita, os homens eram convocados anualmente para realizar um período de trabalho compulsório tanto em obras públicas quanto no exército.

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Decadência dos incas

Durante os reinados de Pachacuti, Tupac Yupanqui e Huayna Capac, o Império Inca esteve em seu auge, porém, após a morte súbita de Huayna Capac em decorrência da varíola, os incas entraram em decadência por causa de uma guerra civil travada por Huáscar e Atahualpa, os dois filhos de Huayna Capac que disputavam o trono inca.

Após cinco anos de guerra, o Império Inca ficou fragmentado, facilitando a conquista dos espanhóis. Em 1532, a guerra teve fim com a vitória de Atahualpa, que logo em seguida foi capturado e executado pelos espanhóis (haviam chegado na região em 1531) liderados por Francisco Pizarro. Com a execução de Atahualpa, os espanhóis subjugaram a elite local a sua autoridade e instituíram o Vice-Reino do Peru.

|1| MAHN-LOT, Marianne. A conquista da América Espanhola. Campinas: Papirus, 1990, p. 50.
|2| SAUNDERS, Nicholas. J. Américas antigas: as grandes civilizações. São Paulo: Madras, 2005, p. 196.
|3| Idem, p. 193.


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