Invasão da Polônia e o Início da Segunda Guerra

A invasão da Polônia, em 1939, deu início ao maior conflito da história da humanidade e fazia parte dos planos de Hitler para formar o “espaço vital”.

Por Daniel Neves Silva
Soldado alemão em um ataque aéreo durante a invasão da Polônia no dia 16 de setembro de 1939
Soldado alemão em um ataque aéreo durante a invasão da Polônia no dia 16 de setembro de 1939
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A Segunda Guerra Mundial foi o maior conflito da história da humanidade e resultou em cerca de 60 milhões de mortos e em grande destruição para a Europa. O estopim para o início da guerra foi a invasão da Polônia, realizada pelas tropas alemãs em 1º de setembro de 1939. O conflito estendeu-se até setembro de 1945 com a rendição japonesa.

Antecedentes

O clima de tensão que causou o início da Segunda Guerra remonta ao surgimento do Partido Nazista na Alemanha durante a década de 1920, sob a liderança do austríaco Adolf Hitler. Entre as ideias defendidas por Hitler, estavam a suposta superioridade do povo germânico (chamado de ariano), a perseguição aos judeus (antissemitismo) e a constituição de um “espaço vital” para que o povo ariano construísse um império (lebensraum).

Ao assumir o poder na Alemanha durante a década de 1930, Hitler promoveu a militarização e o armamentismo. Além disso, colocou em prática os projetos de expansão territorial para a formação do “espaço vital” ariano e anexou a Áustria e os Sudetos (região da Tchecoslováquia) em 1938. A passividade da Grã-Bretanha e da França nos eventos de 1938 trouxe segurança para Hitler realizar mais um movimento de expansão, dessa vez sobre a Polônia.

A Polônia, território alemão até o fim da Primeira Guerra Mundial, dividia duas posses alemãs. A intenção alemã era interligar a Alemanha com a Prússia Oriental e recuperar a cidade de Danzig. A demanda alemã sobre a Polônia remetia à Primeira Guerra Mundial e ao Tratado de Versalhes, que resultou na perda de territórios para a Alemanha.

Pouco antes da invasão da Polônia, Hitler realizou um acordo com a União Soviética para garantir a paz entre as duas nações em caso de guerra. O acordo também estipulava a divisão da Polônia entre Alemanha e União Soviética, pois, “aos olhos de Berlim e Moscou, o Estado polonês devia sua existência apenas à força maior dos Aliados em 1919 e não tinha legitimidade”|1|.

A Polônia percebeu que sua integridade territorial estava em risco e sabia que não possuía forças militares capazes de suportar um ataque alemão. Assim, foram assinados acordos entre Polônia, França e Inglaterra em que franceses e ingleses prometiam socorrer os poloneses caso fossem atacados. A ajuda, apesar de prometida, nunca chegou.

Início da Guerra

Alemães que moravam em Danzig saudando a chegada de Hitler em 19 de setembro de 1939 *
Alemães que moravam em Danzig saudando a chegada de Hitler em 19 de setembro de 1939 *

Na madrugada de 1º de setembro de 1939, a Alemanha de Hitler movimentou suas primeiras tropas no ataque coordenado contra a Polônia. Esperava-se que a resistência polonesa detivesse os exércitos alemães por alguns meses. Entretanto, não foi o que aconteceu, pois:

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“As forças alemãs eram muito superiores às da Polônia. Uma aviação moderna, a força dos panzers, como eram conhecidas as divisões de tanques e blindados do Exército alemão, e uma infantaria bastante disciplinada e bem treinada. Os poloneses foram pegos de surpresa e não puderam resistir à chamada blitzkrieg, a guerra-relâmpago”|2|.

A diferença existente entre as forças polonesas e alemãs é evidenciada pelo historiador Max Hastings no relato a seguir:

Os defensores [poloneses] posicionaram 1,3 milhão de homens contra 1,5 milhão de alemães, com 37 divisões em cada lado. Mas a Wehrmacht [exército alemão] era muito mais bem equipada, contando com 3.600 veículos blindados, contra 750 dos poloneses, e 1.929 aviões modernos, contra novecentos obsoletos|3|.

França e Inglaterra declararam guerra à Alemanha no dia 3 de setembro de 1939. Porém, a promessa de apoio militar aos poloneses realizada por franceses e ingleses nunca foi cumprida, pois:

os franceses não estavam dispostos a lançar uma ofensiva contra a linha Siegfried [defesas alemãs], como insistia Winston Churchill, menos ainda a provocar uma retaliação bombardeando a Alemanha. O governo britânico, da mesma forma, negou-se a ordenar que a RAF [força aérea britânica] atacasse alvos terrestres alemães|4|.

No dia 17 de setembro, além de inúmeras cidades polonesas já estarem sob o controle nazista, a Polônia viu sua fronteira leste ser invadida pela União Soviética. Com isso, o país não resistiu e, pouco mais de vinte dias depois, assinou sua rendição. A capital polonesa, Varsóvia, havia sido duramente castigada pelos aviões alemãs (Luftwaffe) e rendeu-se oficialmente em 28 de setembro de 1939.

A Polônia foi um dos países que mais sofreram durante a guerra com os massacres realizados pelos alemães e pelos soviéticos. Além disso, a perseguição aos judeus poloneses foi extrema, e inúmeros campos de concentração foram construídos na Polônia. Apesar disso, a resistência polonesa contra os alemães foi grande. Após a conquista da Polônia, Hitler levou a guerra para a Alemanha Ocidental.

|1| HASTINGS, Max. O mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012, p. 16.

|2| TOTA, Pedro. Segunda Guerra Mundial. In: MAGNOLI, Demétrio (org.). História das guerras. São Paulo: Contexto, 2013, p.364.

|3| HASTINGS, Max. O mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012, p. 18.

|4| Idem, p. 31.

*Créditos da imagem: Everett Historical e Shutterstock





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