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Mahatma Gandhi

Mahatma Gandhi foi um importante ativista indiano que lutou pela independência da Índia e ficou mundialmente conhecido pelo seu método de resistência pacífica.

Por: Daniel Neves Silva Estátua em homenagem a Mahatma Gandhi, localizada em Malpe, região ao sul da Índia*

Estátua em homenagem a Mahatma Gandhi, localizada em Malpe, região ao sul da Índia*

Mohandas Karamchand Gandhi, também conhecido como Mahatma Gandhi (“mahatma” significa “grande alma”), foi um ativista indiano que ficou mundialmente conhecido por criar uma forma de protesto e resistência não violenta e por ter conduzido o processo de independência da Índia, oficialmente concluído em 1947. O princípio de protesto não violento criado por Gandhi ficou conhecido como Satyagraha e influenciou outros nomes importantes do século XX, como o ativista Martin Luther King Jr.

Atualmente, novos estudos realizados sobre a vida de Gandhi abordam também algumas críticas a respeito de determinadas ações de Gandhi em vida. Os novos estudos mostram o pouco apreço de Gandhi pelos negros, sobretudo durante o período de 21 anos que esteve na África do Sul. Existem também críticas sobre a forma como Gandhi tratava os membros da casta mais baixa dos indianos, os dalits. Por fim, críticas recentes questionam o tratamento que Gandhi dava às mulheres, sobretudo sua esposa.

Nascimento e juventude

Mohandas Karamchand Gandhi nasceu em Porbandar, na costa oeste da Índia, em 2 de outubro de 1869, uma época em que a Índia era parte do Império Britânico. Gandhi era filho de Karmachand Gandhi, governador daquela região de Porbandar, e de Putlibai Gandhi (4ª esposa de Karmachand). Grande parte dos princípios religiosos que Gandhi acreditava foi ensinada por sua mãe, que era devota de Vishnu, uma deusa do hinduísmo.

Durante sua infância, Gandhi ficou conhecido como uma criança com uma personalidade introvertida, e os relatos afirmam que ele era apenas um estudante razoável, que não se destacou. Aos 13 anos, conforme a tradição de sua região, os pais de Gandhi realizaram seu casamento arranjado com Kasturba Gandhi (tinha 14 anos na época).

Em setembro de 1888, Gandhi deixou sua mulher na Índia e partiu para Londres, na Inglaterra, com o objetivo de se formar em Direito para exercer a função de advogado. Na Inglaterra, Gandhi foi um estudante aplicado e procurou inicialmente se adaptar à nova sociedade. Durante sua estadia na Inglaterra, Gandhi tornou-se vegetariano e passou a frequentar a London Vegetarian Society (Sociedade Vegetariana de Londres). Gandhi também realizou leituras que aprofundaram suas crenças religiosas.

Em junho de 1891, Gandhi concluiu seus estudos de Direito e retornou à Índia para tentar um emprego. Após dois anos de buscas sem sucesso, Gandhi recebeu uma oferta de trabalho na África do Sul (na época, outra colônia inglesa), para onde se mudou em 1893. Gandhi permaneceu na África do Sul por 21 anos e lá passou por grandes transformações, que foram as responsáveis por torná-lo um grande ativista.

Vida de Gandhi na África do Sul

Na África do Sul, Gandhi teve a sua primeira experiência com o preconceito racial, e essa experiência lançou-o no ativismo em defesa dos direitos dos indianos que viviam naquela região. Apenas uma semana após chegar, Gandhi, durante uma viagem de trem, foi convidado pelas autoridades a se retirar da primeira classe e dirigir-se para a terceira classe. Gandhi recusou-se a se retirar para a terceira classe, uma vez que havia adquirido passagem para a primeira classe e, por isso, foi expulso da locomotiva.

Essa situação alertou Gandhi a respeito da discriminação existente na África do Sul e, após uma legislação contra os indianos ser aprovada, Gandhi optou por estender sua permanência na África do Sul (originalmente ficaria apenas um ano) para lutar contra a discriminação que a população indiana sofria na região.

A partir daí, Gandhi transformou-se em um líder da comunidade indiana na África do Sul. Em 1896, optou por retornar à Índia para buscar sua família. Após retornar, em janeiro de 1897, Gandhi foi reconhecido por uma multidão de sul-africanos, que começou a linchá-lo. Gandhi foi resgatado pelas autoridades e conseguiu fugir.

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A partir de 1899, estourou a Guerra dos Bôeres, travada entre colonos franceses e holandeses contra as autoridades britânicas. Nesse período, Gandhi organizou um grupo de voluntários para atender os soldados ingleses feridos durante o conflito. A ajuda oferecida por Gandhi não melhorou o tratamento que era designado pela Inglaterra aos indianos.

Gandhi permaneceu durante anos lutando contra as injustiças praticadas contra os indianos na África do Sul. Sua atuação rendeu-lhe prestígio e reconhecimento internacional e, quando decidiu retornar para a Índia, em 1914, foi recebido pelos locais como um herói nacional.

Retorno para a Índia e a luta pela independência

Durante seu retorno, Gandhi continuou engajado na luta contra as injustiças praticadas pelos britânicos e tornou-se o grande nome que conduziu a Índia à independência. A partir daí, Gandhi também aprofundou seus princípios religiosos e consolidou o uso do Satyagraha, que, em tradução literal, significa “força verdadeira”.

Na prática, o Satyagraha é um princípio que defende uma resistência obstinada e focada de maneira não violenta contra uma arbitrariedade ou injustiça cometida contra o indivíduo. O indivíduo que pratica o Satyagraha compromete-se a não se aproveitar de nenhum momento da fraqueza do seu agressor, mas também oferece uma resistência obstinada ao se negar não violentamente a seguir uma lei injusta. O objetivo dessa resistência é fazer com que o agressor perceba a injustiça que causa para que assim abandone suas práticas injustas.

Gandhi usou essa filosofia durante a década final que esteve na África do Sul, porém, foi a sua utilização na luta pela independência da Índia que a popularizou. A luta de Gandhi contra as injustiças a partir da Satyagraha também lhe rendeu a alcunha de “Mahatma”, que significa “grande alma”. Gandhi nunca aceitou essa alcunha, pois a considerava inapropriada para si.

A estratégia utilizada por Gandhi na luta pela independência consistia em boicotar as fontes de obtenção de renda utilizadas pelos britânicos. Gandhi colocou-as em prática somente a partir de 1919, quando a Primeira Guerra Mundial encerrou-se. Entre as táticas de Gandhi, destacaram-se:

  • Gandhi instruiu o povo a produzir suas próprias roupas para evitar o consumo das mercadorias têxteis produzidas e vendidas pelos ingleses;

  • Gandhi conduziu uma multidão até o mar para que as pessoas produzissem seu próprio sal e evitassem pagar um imposto cobrado pelos britânicos sobre o sal;

  • Convocou greves gerais e realizou greves de fome para chamar a atenção das pessoas ao realizar uma resistência obstinada e pacífica contra os britânicos;

  • Instruiu os indianos a abandonarem os conflitos existentes entre muçulmanos e hindus na Índia.

A liderança de Gandhi pela independência da Índia seguiu durante toda a década de 1920, 1930 e parte da década de 1940. Sua atuação fez com que fosse aprisionado por diversas vezes pelas autoridades inglesas. À medida que a população local voltava-se contra as autoridades coloniais, uma divisão interna surgiu entre muçulmanos e hindus.

Os muçulmanos passaram a defender a existência de um Estado muçulmano separado do Estado hindu como forma de garantir os direitos dos cidadãos muçulmanos. Isso levou a um conflito violento entre as partes e, apesar da oposição manifesta de Gandhi, nada pôde ser feito. O fim do colonialismo britânico na região levou ao surgimento da Índia e do Paquistão (parte muçulmana da Índia) como nações independentes em 1947.

Em 30 de janeiro de 1948, aos 78 anos, Gandhi foi assassinado por um hindu radical, que atacou Gandhi com uma arma de fogo. Gandhi recebeu três ferimentos à bala na residência que estava morando. Seu assassino, Nathuram Godse, foi preso, condenado pela morte de Gandhi e executado em 1949. Godse assassinou Gandhi porque o considerava culpado pela separação da Índia e do Paquistão.

*Créditos da imagem: dodin e Shutterstock