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Malcolm X

Malcolm X foi um dos grandes nomes do ativismo afro-americano que lutou por melhorias na condições de vida dessa comunidade nos Estados Unidos, na década de 1950 e 1960.

Por: Daniel Neves Silva Malcolm X, filho de um ministro batista, converteu-se ao Islã enquanto esteve na prisão*

Malcolm X, filho de um ministro batista, converteu-se ao Islã enquanto esteve na prisão*

Malcolm X foi um dos principais nomes do ativismo em defesa dos direitos da comunidade afro-americana nos Estados Unidos durante a era americana dos movimentos em luta dos direitos civis. Filho de um pastor batista, ele atuou grande parte de sua vida no Nação do Islã, sendo, talvez, o membro de maior destaque desse grupo durante as décadas de 1950 e 1960.

Juventude de Malcolm

Malcolm X nasceu em Omaha, estado de Nebraska, em 19 de maio de 1925. Foi registrado com o nome de Malcolm Little, e seus pais chamavam-se Earl Little e Louise Little. Seu pai era um ministro batista e atuava em uma organização que lutava por mais direitos para os negros tanto nos Estados Unidos como em outras partes do mundo. O nome dessa organização era Universal Negro Improvement Association (Associação Universal pelo Progresso dos Negros).

O ativismo de Earl Little atraiu a atenção e o ódio de organizações de supremacistas brancos, o que fez com que Earl e sua família sofressem perseguição. Earl Little foi obrigado a se mudar de cidade por duas vezes: moraram em Omaha, Milwaukee e, por fim, em Lansing (Michigan). Uma vez estabelecidos em Lansing, a perseguição continuou: tiveram sua casa incendiada em 1929. Em 1931, uma tragédia aconteceu, e supremacistas brancos assassinaram Earl Little.

Após a morte de Earl, a mãe de Malcolm não conseguiu criar os filhos por conta própria e acabou sendo internada em uma clínica psiquiátrica. Malcolm e seus irmãos foram direcionados para abrigos de adoção na própria cidade de Lansing. Malcolm viveu em um desses locais durante três anos (entre 1938 e 1941).

No período em que esteve no orfanato, Malcolm continuou com seus estudos, no entanto, um episódio desmotivou-o e levou-o a abandonar a escola. Um professor de Malcolm menosprezou-o quando ele mencionou que pretendia seguir a carreira de advogado. Após abandonar os estudos, Malcolm mudou-se para casa de sua meia-irmã, Ella Little-Collins, que ficava em Boston, Massachusetts.

Em Boston, Malcolm começou a fazer serviços de engraxate nas ruas, o que lhe trouxe novas amizades. Com o tempo, Malcolm passou a frequentar bares e clubes, consumir bebidas alcoólicas e, por fim, a consumir e vender drogas. Logo, passou a cometer pequenos delitos e, em um desses delitos, foi detido pela polícia de Boston.

Malcolm foi preso em 1946, durante um roubo, e seu julgamento sentenciou-o a 10 anos de prisão por arrombamento e roubo de propriedade particular. Durante sua prisão, esteve instalado em duas penitenciárias: uma em Boston e outra em Norfolk (a partir de 1948).

Entrada no Nação do Islã

Foi na prisão que Malcolm foi apresentado ao grupo Nação do Islã, uma organização afro-americana de orientação religiosa islâmica. Esse grupo lutava pelos direitos da comunidade afro-americana e defendia a ideia de que, se esses direitos não fossem alcançados pacificamente, a solução seria a separação dos negros americanos em uma nova nação.

O Nação do Islã surgiu na década de 1930, na região de Chicago, Illinois, e atua até hoje nos Estados Unidos. Uma organização especializada no estudo de movimentos extremistas nos Estados Unidos, chamada Southern Poverty Law, caracteriza o Nação do Islã como uma organização extremista. O grupo atua até hoje, embora não possua a mesma força de outros tempos.

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Na prisão, Malcolm passou a ler diversos livros e iniciou uma intensa troca de correspondências com Elijah Mohammad, líder do Nação do Islã. Elijah afirmava na época ser o mensageiro escolhido para pregar a palavra de Allah. A aproximação de Malcolm com Elijah fez com que ele se convertesse ao Islamismo e se tornasse membro do Nação do Islã em 1952.

Com a sua entrada no Nação do Islã, Malcolm realizou uma alteração no seu nome conforme exigia o regulamento do grupo. Malcolm abandonou o sobrenome “Little”, afirmando que esse nome fazia parte da herança que lhe havia sido legada pelo escravismo nos Estados Unidos. No lugar, foi adicionado o X para ressaltar a perda de sua identidade africana durante o tempo da escravidão.

Depois de sair da prisão, Malcolm passou a atuar de maneira ativa e ganhou importância dentro da hierarquia do Nação do Islã. O crescimento de Malcolm nos quadros internos do grupo fez com que ele se tornasse ministro de um templo do Nação do Islã no Harlem, um bairro de Nova York. Malcolm ganhou popularidade por sua boa escrita (ele se tornou jornalista) e por sua ótima capacidade de falar em público.

Defendia a ideia de que os afro-americanos deveriam utilizar de todos os meios necessários para conquistar os seus direitos. Malcolm chegou a defender que, se necessário, os afro-americanos deveriam utilizar a violência para se autodefender em casos de ameaças. Ativistas que defendiam a conquista dos direitos a partir de meios pacíficos, como Martin Luther King Jr., eram criticados por Malcolm.

Malcolm deixa o Nação do Islã

A partir de 1962, a relação de Malcolm X com os membros do Nação do Islã desgastou-se. Isso aconteceu por causa de boatos internos que foram espalhados afirmando que Malcolm tentaria tomar o lugar de Elijah como líder da organização. Posteriormente, a relação de Malcolm e Elijah enfraqueceu em razão de escândalos na vida pessoal de Elijah que iam contra os princípios da própria organização.

A relação azedou de vez após alguns comentários de Malcolm sobre o assassinato do presidente americano John F. Kennedy. Os comentários repercutiram mal para a imagem do Nação do Islã nos Estados Unidos e isso gerou críticas internas a Malcolm. Por essa razão, Malcolm foi suspenso por 90 dias e acabou anunciando seu desligamento do Nação do Islã em 1964.

Após isso, Malcolm realizou viagens pela Arábia Saudita e pelo continente africano. Em visita a Meca (cidade sagrada do Islã), Malcolm alterou seu nome para El-Hajj Malik El-Shabazz e mudou algumas de suas visões sobre a luta dos afro-americanos. Malcolm abandonou seus ideais considerados mais extremistas e adotou uma postura que defendia a conciliação e o convívio harmônico.

Criou duas novas instituições para atuar na causa do ativismo afro-americano e islâmico, o que gerou a inimizade de alguns de seus ex-colegas do Nação do Islã. Os membros do Nação do Islã passaram a temer que Malcolm “roubasse” seus membros, o que fez com que integrantes do grupo organizassem um ataque contra Malcolm.

Malcolm foi morto em 21 de fevereiro de 1965, enquanto discursava em um auditório no Harlem, Nova York.

*Créditos da imagem: Wlablack e Shutterstock