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Marcha fascista sobre Roma

A Marcha fascista sobre Roma ocorreu de 26 a 28 de outubro de 1922 e tornou-se o evento até então mais emblemático do fascismo italiano.

As décadas de 1920 e 1930 tiveram como característica central, no âmbito político, a ascensão dos regimes totalitários. A crise geral (econômica, política e social) provocada pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918) abriu espaço para o nascimento de ideologias que se opunham às democracias liberais e aos impérios nacionalistas que compunham o cenário político do fim do século XIX. O primeiro modelo político tipicamente totalitário a se afirmar na Europa foi o fascismo italiano, idealizado por Benito Mussolini, que chegou ao poder em outubro de 1922. Essa ascensão de Mussolini ocorreu após um acontecimento que teve mais peso simbólico que propriamente revolucionário: a Marcha sobre Roma.

A marcha fascista sobre Roma ocorreu entre os dias 26 e 29 de outubro de 1922. Integrantes do movimento fascista de várias cidades italianas marcharam em direção à capital do país com o objetivo de pressionar o imperador Victor Emanuel III a fazer do líder Mussolini primeiro-ministro do Império. A Marcha sobre Roma tinha a pretensão de explicitar o avanço do fascismo na Itália, já que o Partido Nacional Fascista, fundado em 1921, havia obtido várias cadeiras parlamentares nas eleições de 1922.

Ao mesmo tempo em que ganhavam espaço pela via eleitoral, os chamados “camisas negras” (como eram conhecidos os fascistas) também realizavam práticas arbitrárias contra seus adversários políticos, como espancamento, incêndio de sedes e associações de outros partidos etc. O imperador Victor Emanuel III também já havia demonstrado, em algumas ocasiões, simpatia pelas ideias fascistas e isso contribuiu para a ascensão de Mussolini. A Marcha sobre Roma teria, portanto, mais o efeito de explicitar a tentação totalitária de Mussolini e dos “camisas negras” do que propriamente realizar um golpe contra a monarquia, como diz o especialista em fascismo, Martin Blinkhorn:

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Um ano depois da criação do PNF, Mussolini foi o primeiro-ministro da Itália, e o fascismo italiano tinha franqueado o primeiro estágio de sua conquista do poder. Embora os propagandistas fascistas logo tenham forjado aquilo que se verificaria ser um mito duradouro – o de uma 'revolucionária' Marcha sobre Roma – a trajetória de Mussolini para o mais alto cargo no fim de outubro de 1922 foi, na realidade, facilitada por elementos do establishment italiano” [1].

O caráter simbólico dessa marcha estava no fato de ela “imitar” dois outros acontecimentos históricos ocorridos na capital italiana: 1) a marcha sobre Roma feita por Otaviano (futuro imperador Augustus), em 06 de maio de 44 a.C, na ocasião em que ele retornava de suas campanhas militares no Oriente Próximo e 2) a marcha sobre Roma efetuada pelo revolucionário Giuseppe Garibaldi, líder dos “camisas vermelhas”, em agosto de 1862. Esses dois acontecimentos permeavam o imaginário dos italianos e serviram de base para causar impressão psicológica por parte dos fascistas.

NOTAS

BLINKHORN, Martin. Mussolini e a Itália Fascista. Tradução: Ivone C. Benedetti. São Paulo: Editora Paz e Terra Ltda, 2010. p. 42.

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Acima, Mussolini, no centro da imagem, rodeado por companheiros fascistas

Acima, Mussolini, no centro da imagem, rodeado por companheiros fascistas

Por: Cláudio Fernandes