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Ofensiva alemã de 1943: a Batalha de Kursk

A Batalha de Kursk foi resultado de uma ofensiva alemã na União Soviética em 1943 com o intuito de retomar o controle das ações no fronte oriental.

Por: Daniel Neves Silva Memorial da batalha de Kursk, localizado na cidade de Kursk, na Rússia *

Memorial da batalha de Kursk, localizado na cidade de Kursk, na Rússia *

A batalha de Kursk é muito conhecida por ter sido a maior batalha de blindados da Segunda Guerra Mundial. Ela foi uma vitória decisiva dos soviéticos e marcou o fim de qualquer possibilidade dos alemães na União Soviética.

Antecedentes

Desde que haviam sido derrotados na gigantesca batalha de Stalingrado, o exército alemão havia recuado cerca de 800 km no território soviético. Além dos recuos territoriais, a capacidade industrial alemã demonstrava sinais de enfraquecimento, pois não conseguia suprir as necessidades do exército alemão nos diferentes fronts de luta.

A União Soviética, pelo contrário, havia superado a fase de maior risco na guerra. Os exércitos alemães que chegaram próximo de conquistar Moscou agora estavam a quilômetros de distância da capital soviética. O exército soviético ainda lidava com um grande número de perdas humanas, mas era reposto rapidamente. Além disso, a indústria soviética estava a pleno vapor e entregava armamentos em velocidade muito maior que a Alemanha.

A Alemanha conseguiu barrar o avanço do exército soviético, e Hitler planejou um ataque para retomar as ações de guerra na URSS. As preocupações alemãs na União Soviética eram aumentadas em virtude de uma ofensiva aliada que acontecia na Sicília, sul da Itália. Hitler queria o mais rápido possível que a situação na União Soviética fosse colocada sob controle para que pudesse reforçar as defesas italianas.

A estratégia alemã era concentrar uma ofensiva em uma posição enfraquecida do exército soviético que se localizava próximo da cidade russa de Kursk. No entanto, as intenções alemãs foram descobertas pelo sistema de inteligência dos Aliados (chamado de Ultra). Os soviéticos foram informados da estratégia alemã, e os generais do exército soviético convenceram Stalin (líder da URSS) a esperar o ataque alemão.

O ataque alemão era visto por ressalvas por quase todos os generais alemães, mas Hitler não deu ouvidos para os conselhos de seus generais e ordenou o ataque. O ataque alemão colocou cerca de 780 mil alemães contra cerca de 1,9 milhão de soviéticos. Como os soviéticos esperavam o ataque, o que os alemães encontraram foram defesas muito bem posicionadas.

Operação Citadela

A ofensiva alemã recebeu o nome de Operação Citadela e foi iniciada em 5 de julho de 1943. Em questões de armamentos, os alemães mobilizaram cerca de 2.700 tanques contra 3.600 tanques soviéticos, além de 2.000 aviões contra 2.400 dos soviéticos e 10 mil peças de artilharia contra o dobro de peças soviéticas |1|.

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A superioridade das defesas soviéticas havia sido completamente ignorada por Hitler mesmo com as informações da equipe de reconhecimento aéreo. Além disso, as lideranças alemães decepcionaram-se ao perceber que os soviéticos esperavam o ataque alemão. Nos primeiros dias da Operação Citadela, aconteceram grandiosos confrontos entre a aviação de guerra alemã contra a soviética, conforme o relato do historiador Antony Beevor|2|.

As perdas soviéticas em relação às alemãs foram muito maiores (como em toda a guerra), mas a superioridade numérica dos defensores era tão grande que as perdas eram repostas facilmente. Após dias de batalha, o comando soviético percebeu que o ataque alemão havia se enfraquecido. Com isso, foi organizada uma contraofensiva, que foi chamada de Operação Kutuzov.

A Operação Kutuzov deu início à Batalha de Prokhorovka, na qual a infantaria e a divisão blindada de alemães e soviéticos trocaram tiros à queima-roupa em campo aberto. Ao mesmo tempo, os ataques da aviação alemã diminuíram pela escassez de combustível encarada pelos alemães. No dia 13 de julho, Hitler reuniu todos os comandantes responsáveis por Kursk e ordenou a retirada dos exércitos alemães para auxiliar as defesas italianas.

Consequências

A vitória soviética em Kursk foi decisiva, pois selou o destino do conflito que estava em curso na União Soviética e iniciou a marcha do Exército Vermelho para Berlim. Poucos dias após vencer em Kursk, os soviéticos retomaram o controle sobre uma série de cidades que estavam sob o controle alemão. Além disso, o exército alemão sofreu com a perda de ânimo e de cerca de 50 mil soldados, além de inúmeros aviões e blindados.

|1| HASTINGS, Max. O mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012, p. 407.
|2| BEEVOR, Antony. Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 534.

*Créditos da imagem: Sergey Lavrentev e Shutterstock





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