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Primeira Cruzada e a conquista de Jerusalém

A Primeira Cruzada foi convocada pelo papa Urbano II durante o Concílio de Clermont em 1095 e iniciou a expedição que levou à conquista de Jerusalém em 1099.

Por: Daniel Neves Silva Imagem de Pedro, o eremita, convocando a Cruzada dos Mendigos, movimento popular que antecedeu a Primeira Cruzada

Imagem de Pedro, o eremita, convocando a Cruzada dos Mendigos, movimento popular que antecedeu a Primeira Cruzada

As Cruzadas foram expedições militares organizadas pelos países cristãos da Europa a partir da convocação da Igreja Católica em 1095. O objetivo dessas expedições era reaver o controle sobre Jerusalém e outros locais da Palestina (chamada pelos cristãos de Terra Santa). Ao todo, foram organizadas nove Cruzadas, e a primeira delas iniciada a partir de 1096.

Antecedentes da Primeira Cruzada

A Primeira Cruzada foi oficialmente convocada pelo papa Urbano II durante o Concílio de Clermont, no ano de 1095. O discurso do papa, segundo os relatos, foi realizado com grande fervor e incitava a cristandade a defender dos muçulmanos o Santo Sepulcro. Além disso, Urbano II prometeu grande riqueza àqueles que participassem da jornada e garantiu a remissão dos pecados e salvação aos fiéis que lutassem.

Esse discurso de Urbano II era uma resposta ao pedido de ajuda do Imperador bizantino, Aleixo I. Os bizantinos estavam sofrendo sucessivos ataques dos turcos seljúcidas. Além disso, os peregrinos cristãos que rumavam à Jerusalém passavam por constantes violências pelos turcos. Isso acabou motivando o pedido de ajuda de Aleixo I.

A convocação das Cruzadas fazia parte do princípio constituído na Igreja Católica de guerra santa. O cristianismo havia surgido como uma religião pacifista, porém, a partir de um conceito desenvolvido por Santo Agostinho, os cristãos passaram a justificar a guerra contra os infiéis caso sofressem agressões.

Além disso, a convocação das Cruzadas era estrategicamente importante para o papa Urbano II, pois visava dois objetivos. O primeiro desses objetivos era concentrar a violência da nobreza europeia contra um mesmo inimigo e, se possível, direcioná-la para fora do continente europeu. Isso porque, por volta do ano 1000, uma série de conflitos entre nobres por disputas de terra estavam dividindo a Europa.

O segundo objetivo visado por Urbano II era a reunificação das Igrejas Ocidental e Oriental sob a autoridade de Roma. Ambas as Igrejas estavam rompidas desde 1054, quando houve o Grande Cisma do Oriente e a Igreja Oriental oficialmente desvinculou-se da Igreja Ocidental, o que levou ao surgimento da Igreja Ortodoxa.

A Primeira Cruzada teve uma resposta extremamente positiva, tanto dos populares quanto da nobreza europeia. Os relatos afirmam que, após o discurso de Urbano II, a plateia presente gritava Deus vult, que significa “Deus o quer” em latim. A adesão popular foi tão grande que, pouco antes da Primeira Cruzada, foi organizada uma cruzada popular de maneira espontânea, que ficou conhecida como Cruzada dos Mendigos.

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Primeira Cruzada

A Primeira Cruzada, convocada oficialmente em 1095, ficou conhecida também como Cruzada dos Nobres por causa da grande adesão da nobreza à causa cristã. Estima-se que, ao todo, a Primeira Cruzada tenha mobilizado cerca de 35 mil pessoas, que partiram de diferentes partes da Europa em direção à Constantinopla e, depois, para a Terra Santa. Os historiadores, em geral, consideram as estimativas acima de 35 mil como exageradas.

A quantidade de pessoas mobilizadas surpreendeu Aleixo I. Ele esperava que os reinos cristãos da Europa Ocidental mobilizassem apenas uma centena de soldados mercenários para auxiliá-lo. Entre os presentes, estavam personalidades importantes da Europa medieval do século XI, como Godofredo de Bulhão, duque da Lorena.

Os exércitos cruzados tiveram grande êxito durante a Primeira Cruzada e conseguiram tomar vários territórios dos muçulmanos. A expedição oficialmente iniciada em 1096 conquistou as regiões de Niceia, em 1097, e de Antioquia, em 1098. No ano seguinte, foi a vez de Jerusalém ser conquistada.

A cidade de Jerusalém foi oficialmente cercada pelos exércitos cruzados em 7 de junho de 1099. Após semanas de cerco que castigou essa cidade por causa da falta de alimentos e água, os cruzados resolveram atacar. Os relatos a respeito dessa conquista pelos cruzados ressaltam a grande violência dos cristãos contra a população de Jerusalém, independentemente se fosse muçulmana ou não.

Depois da conquista dessa cidade, os cruzados instauraram o Reino Latino de Jerusalém, além de outros reinos cristãos espalhados por diferentes partes da Palestina. Com a instalação desses reinos, uma série de ordens de guerreiros surgiram com o objetivo de dar suporte aos cristãos que estavam na Palestina, além de dar continuidade à guerra contra os muçulmanos. Uma das mais conhecidas foi a Ordem dos Cavaleiros Templários.

O domínio dos cristãos sobre Jerusalém foi bem curto, pois em menos de um século a cidade foi reconquistada pelos muçulmanos liderados por Saladino em 1187. Outras Cruzadas foram organizadas ao longo de quase dois séculos, no entanto, sem o sucesso obtido pela Primeira Cruzada.

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