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Arcadismo

Propomo-nos a reafirmar que toda manifestação literária é resultante de fatores relacionados ao meio social como um todo. Dessa forma, ao analisarmos a situação que permeou o século XVIII, passamos a compreender melhor a maneira pela qual se deu o Arcadismo – uma das escolas que integram a periodização da literatura brasileira.

O século em questão foi profundamente demarcado por transformações sociais. A começar pela Revolução Industrial, operando grandes mudanças no cenário vigente. Com o êxodo rural, o nível de urbanização cresceu de forma significativa, e a forma de trabalho passou a ser assalariada, aumentando assim o nível de produção, que passava a se concentrar em grandes unidades fabris. Dava-se assim início a uma nova era – a era do progresso tecnológico e científico, colocado a serviço da produção de bens.

No âmbito político, a aristocracia fora perdendo seu poder de força e, consequentemente, entrava em declínio o absolutismo monárquico, passando a ceder lugar à burguesia – uma vez colocada em primeiro plano. Assim sendo, tais transformações também contaram com a participação de transformações no campo filosófico – uma delas foi o Iluminismo, corrente filosófica baseada na razão, fator determinante na obtenção de conhecimento. Originando-se na Inglaterra, no final do século XVII, obteve forte expansão na França, no século XVIII, tendo como principais precursores os filósofos René Descartes e Espinosa, figuras reveladoras de um ideário voltado única e exclusivamente à razão e à ciência, por acreditarem que todos os fatos deveriam ser isentos de toda e qualquer intervenção divina. Acreditavam também na bondade do ser humano e na igualdade entre todos, defendendo veementemente a ideia de que quem o corrompe (o ser humano) é a própria sociedade, levando-o a conduzir atos não condizentes com a sua posição enquanto tal. Vale dizer que essa afirmação está relacionada ao pensamento de Rousseau e Voltaire – importantes filósofos que exerceram poder de influência. 

Com base em tais pressupostos, é importante considerarmos que o Iluminismo tinha por objetivo formar uma sociedade mais igualitária e esclarecida, razão pela qual o século XVIII ficou conhecido como o Século das Luzes. Tendo em vista esta série de influências um tanto quanto decisivas para o movimento em referência, principalmente no tocante à racionalidade, podemos dizer que o Arcadismo também é conhecido como Neoclassicismo, concebido como uma retomada aos valores clássicos, baseados, principalmente, nas ideias de Aristóteles.


Em se tratando dessa retomada, há que se ressaltar que alguns preceitos mantiveram uma estreita ligação com alguns elementos relacionados a algumas máximas latinas. Entre elas podemos destacar: 

* Inutilia truncat (cortar o inútil) – Tal posicionamento representa uma repulsa aos excessos preconizados pela arte barroca. Assim, os representantes árcades optavam pela simplicidade, pela ordem direta da linguagem e pela clareza. 

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* Carpe diem (aproveitar o dia) – Mediante as instabilidades advindas do mundo material, tendo em vista a fugacidade da vida, o ideal era aproveitar os prazeres proporcionados por esta, antes que passassem.

* Fugere urbem (fugir da cidade) – Com base nas ideias de Rousseau, em consonância com o crescimento desordenado das cidades, desencadeou-se o bucolismo – manifestado por uma evocação nostálgica do campo e da natureza. Dessa forma, o anunciador (emissor) integra-se à vida campesina, abnegando-se dos valores citadinos.

* Locus amoenus (lugar ameno) – De acordo com a concepção dos árcades, a natureza era vista como um lugar ameno, aprazível, a qual lhes proporcionava equilíbrio e paz interior.

* Aurea mediocritas (equilíbrio do ouro) – Como a simplicidade se revelava como elemento preponderante, o luxo e a ostentação eram vistos como algo inconcebível. Portanto, os representantes árcades pregavam o ideal de uma vida simples, permeada pelo equilíbrio, isto é, sem miséria nem riqueza, contando apenas com o essencial, que pudesse lhe proporcionar tempo para a virtude e a arte.

Desse modo, os representantes árcades, inspirando-se na Arcádia grega – uma região mitológica habitada por deuses e pastores, onde se vivia de acordo com as regras do amor e o prazer – fundaram distintas academias literárias, denominadas de arcádias. Os membros dessas academias reuniam-se com frequência no intuito de discutir assuntos relacionados às artes como um todo. Para tanto, adotavam nomes de poetas gregos ou latinos, denominando-se pastores.

Mediante as elucidações ora evidentes, é interessante também analisarmos um pouco mais acerca das características que tanto demarcaram a arte neoclássica, exaltadas a seguir:

* Racionalismo – Por ser a arte uma imitação do real, toda criação que dela se originasse deveria ser filtrada tão somente pela razão. Sendo assim, o artista deveria recorrer a emoções genéricas, não aquelas oriundas de paixões criativas – fruto da inspiração pura e simples do anunciador.

* Exaltação da natureza – Opondo-se radicalmente à realidade proporcionada pelos centros urbanos, os representantes árcades iam ao encontro da natureza, a qual lhes proporcionava subsídios suficientes para a purificação da alma.

* Imitação dos antigos – A arte greco-romana, considerada modelo de perfeição, equilíbrio, beleza e simplicidade exerceu forte influência aos moldes neoclassicistas no que se refere à temática, às regras de composição e ao predomínio de figuras mitológicas.

* Preocupação como o homem natural – De acordo com as ideias de Rousseau, o homem primitivo, mantendo uma estreita relação com a natureza, ainda não foi corrompido pelos padrões sociais, conforme preconiza a teoria do “O bom Selvagem”, obra pertencente ao referido filósofo.


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Tomás Antônio Gonzaga - Um dos representantes árcades

Tomás Antônio Gonzaga - Um dos representantes árcades

Por: Vânia Maria do Nascimento Duarte