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As interjeições no poema de José Paulo Paes

Por: Vânia Maria do Nascimento Duarte O uso das interjeições no poema de José Paulo Paes é demarcado de forma intencional

O uso das interjeições no poema de José Paulo Paes é demarcado de forma intencional

Nossa experiência enquanto usuários da língua, atesta, de forma indubitável, que para formalizarmos (mais especificamente no plano da escrita) nossas intenções comunicativas, podemos dispor de um verdadeiro aparato de recursos que a língua nos oferece. Citá-lo, levando em conta toda a sua integridade, seria um tanto quanto descabido, por isso pautemos por enfatizar acerca das interjeições, consequentemente associadas aos sinais de pontuações, com não poderia deixar de ser, materializados na voz de ninguém menos que José Paulo Paes, um nobre representante de nossas letras. Para tanto, eis o poema ao qual resolvemos dar um caráter mais enfático:

Canção do Exílio Facilitada

lá?

ah!

sabiá…

papá…

maná…

sofá…

sinhá…

cá?

bah!

José Paulo Paes

Temos que as interjeições se materializam em algumas estrofes, tais como em:  ah! e bah!. Aprofundando um pouco mais nossas percepções, façamos um volta ao universo literário, e lá não podemos deixar de fazer menção à carga ideológica que todo escritor traz consigo ao escrever uma determinada obra, associando, obviamente, com as intenções comunicativas, já mencionadas. Pois bem, por se tratar de uma paródia destinada ao poema de Gonçalves Dias, Canção do exílio, as interjeições se fizeram vistas em decorrência do caráter subversivo impresso no próprio discurso de José Paulo Paes, haja vista que o sinal de interrogação, demarcado na primeira interjeição (cá?), foi justamente para expressar que a realidade circundante, ou seja, a fotografia do Brasil naquela época não se comparava de forma alguma às belezas demarcadas na voz de Gonçalves Dias, poeta do Romantismo. Dessa forma, como a ideologia dominante era a de enfatizar acerca da situação a qual imperava, sem máscaras, sem rodeios, sem ornamentos, o uso de tais recursos, tanto o primeiro como segundo, foi o de justamente fazer uma crítica, levada pelo lado irônico, sarcástico, ou seja, alegando que aqui não havia nada de fantasias, não havia sabiá, sinhá, sofá, entre outros aspectos, havia sim uma realidade pontual, sobrecarregada de aspectos por vezes até negativos, em se tratando de aspectos históricos, econômicos e políticos, acima de tudo.

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