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Carta aberta

Por: Vânia Maria do Nascimento Duarte A carta aberta integra os chamados gêneros argumentativos e persuasivos

A carta aberta integra os chamados gêneros argumentativos e persuasivos

Entre os gêneros textuais que conhecemos, há aqueles cujo objetivo principal é expor em público opiniões ou reivindicações acerca de um determinado assunto – aspecto esse que os fazem assumir um caráter argumentativo e persuasivo ao mesmo tempo, dada a intenção do emissor em convencer o receptor de que suas ideias são reforçadas em argumentos plausíveis.

Representando-os, temos a carta aberta, a qual se difere da carta pessoal pelo fato de que esta trata de assuntos que dizem respeito somente aos interlocutores nela envolvidos, ao passo que aquela trata de assuntos cujo interesse é coletivo, normalmente se referindo a um problema de consenso geral. Assim sendo, ela pode ser utilizada como forma de protesto contra esse problema, como alerta, e até mesmo como meio de conscientização da população ou de alguém com certa influência, como, por exemplo, um representante de uma entidade ou do governo, acerca da problemática em questão.

No que diz respeito à composição, a carta aberta possui uma estrutura relativamente livre, constando-se das seguintes partes:

* Título – no qual se evidencia o destinatário;

* Introdução – parte em que se situa o problema a ser resolvido;

* Desenvolvimento – relativo à análise do problema, há a apresentação dos argumentos, os quais fundamentam o ponto de vista do(s) emissor(es). 

* Conclusão – na qual geralmente se solicita uma resolução para o assunto em pauta.


Com base nesses pressupostos, vejamos um caso representativo, no intuito de efetivarmos nosso conhecimento:

 

 CARTA ABERTA DE ARTISTAS BRASILEIROS SOBRE A DEVASTAÇÃO DA AMAZÔNIA 

Acabamos de comemorar o menor desmatamento da Floresta Amazônica dos últimos três anos: 17 mil quilômetros quadrados. É quase a metade da Holanda. Da área total já desmatamos 16%, o equivalente a duas vezes a Alemanha e três estados de São Paulo. Não há motivo para comemorações. A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas presta serviços ambientais importantíssimos ao Brasil e ao Planeta. Essa vastidão verde que se estende por mais de cinco milhões de quilômetros quadrados é um lençol térmico engendrado pela natureza para que os raios solares não atinjam o solo, propiciando a vida da mais exuberante floresta da terra e auxiliando na regulação da temperatura do Planeta.

Depois de tombada na sua pujança, estuprada por madeireiros sem escrúpulos, ateiam fogo às suas vestes de esmeralda abrindo passagem aos forasteiros que a humilham ao semear capim e soja nas cinzas de castanheiras centenárias. Apesar do extraordinário esforço de implantarmos unidades de conservação como alternativas de desenvolvimento sustentável, a devastação continua. Mesmo depois do sangue de Chico Mendes ter selado o pacto de harmonia homem/natureza, entre seringueiros e indígenas, mesmo depois da aliança dos povos da floresta “pelo direito de manter nossas florestas em pé, porque delas dependemos para viver”, mesmo depois de inúmeras sagas cheias de heroísmo, morte e paixão pela Amazônia, a devastação continua.

Como no passado, enxergamos a Floresta como um obstáculo ao progresso, como área a ser vencida e conquistada. Um imenso estoque de terras a se tornarem pastos pouco produtivos, campos de soja e espécies vegetais para combustíveis alternativos ou então uma fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, minerais e energia elétrica. Continuamos um povo irresponsável. O desmatamento e o incêndio são o símbolo da nossa incapacidade de compreender a delicadeza e a instabilidade do ecossistema amazônico e como tratá-lo.

Um país que tem 165.000 km2 de área desflorestada, abandonada ou semiabandonada, pode dobrar a sua produção de grãos sem a necessidade de derrubar uma única árvore. É urgente que nos tornemos responsáveis pelo gerenciamento do que resta dos nossos valiosos recursos naturais.

Portanto, a nosso ver, como único procedimento cabível para desacelerar os efeitos quase irreversíveis da devastação, segundo o que determina o § 4º, do Artigo 225 da Constituição Federal, onde se lê:

"A Floresta Amazônica é patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais"

Assim, deve-se implementar em níveis Federal, Estadual e Municipal A INTERRUPÇÃO IMEDIATA DO DESMATAMENTO DA FLORESTA AMAZÔNICA. JÁ!

É hora de enxergarmos nossas árvores como monumentos de nossa cultura e história.

SOMOS UM POVO DA FLORESTA!

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                                                                  Disponível em: http://www.amazoniaparasempre.com.br/