Alunos Online


Casimiro de Abreu

Casimiro de Abreu, Fagundes Varela, Álvares de Azevedo e Junqueira Freire souberam de forma ímpar representar
a segunda fase do Romantismo brasileiro.

Casimiro de Abreu, nascido em 1939, filho de José Joaquim Marques de Abreu e Luísa Joaquina das Neves, viveu boa parte de sua vida em barra de São João, Rio de Janeiro. Recebeu apenas instrução primária no Instituto Freeze, em Nova Friburgo, cidade serrana do estado do Rio. Em 1853, juntamente com o pai, embarcou para Portugal, a fim de continuar seus estudos sobre comércio, já iniciados. Lá estando, entrou em contato com a “massa” intelectual e começou a escrever parte de sua obra. Em 1856, aos 16 anos, publicou e viu representada sua peça “Camões e o Jaú”, passando a escrever posteriormente para a imprensa portuguesa. 

Em 1857 retornou ao Brasil para trabalhar com o pai no armazém, embora continuasse escrevendo para alguns jornais – época em que conheceu e fez amizade com Machado de Assis. Levando uma vida desregrada e boêmia, publicou seu livro em 1859, aos 20 anos, intitulado “As Primaveras”. Em 1860, já tuberculoso, veio a falecer, numa fazenda das proximidades do Rio de Janeiro. 

Seu estilo de vida, assim como o de tantos outros que compuseram a época em questão, incita-nos a discorrer acerca de um importante aspecto que tanto demarcou o Romantismo brasileiro: como sabemos, toda criação artística tem como cenário, como pano de fundo, um contexto social, provindo das mazelas que a sociedade se incube de apresentar. Assim, o indivíduo (sobretudo os artistas de forma geral) frente a um clima de insatisfação com o mundo em que se vê inserido, opta por se refugiar em um mundo centrado no próprio “eu”, deixando prevalecer sentimentos voltados para a tristeza, o egocentrismo, a melancolia, o desejo de solidão e muitas vezes cultuando a própria morte – tida muitas vezes como válvula de escape.

Nesse clima, envolto por tais sentimentos, podemos depreender que determinadas características se sobressaem nas criações do poeta em questão, veja:

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Minh'alma é triste

Minh'alma é triste como a rola aflita
Que o bosque acorda desde o alvor da aurora,
E em doce arrulo que o soluço imita
O morto esposo gemedora chora.

E, como a rôla que perdeu o esposo,
Minh'alma chora as ilusões perdidas,
E no seu livro de fanado gozo
Relê as folhas que já foram lidas.

E como notas de chorosa endeixa
Seu pobre canto com a dor desmaia,
E seus gemidos são iguais à queixa
Que a vaga solta quando beija a praia.

Como a criança que banhada em prantos
Procura o brinco que levou-lhe o rio,
Minha'alma quer ressuscitar nos cantos
Um só dos lírios que murchou o estio.

Dizem que há, gozos nas mundanas galas,
Mas eu não sei em que o prazer consiste.
— Ou só no campo, ou no rumor das salas,
Não sei porque — mas a minh'alma é triste!   
[...]

Desejo

Se eu soubesse que no mundo
Existia um coração,
Que só' por mim palpitasse
De amor em terna expansão;
Do peito calara as mágoas,
Bem feliz eu era então!

Se essa mulher fosse linda
Como os anjos lindos são,
Se tivesse quinze anos,
Se fosse rosa em botão,
Se inda brincasse inocente
Descuidosa no gazão;

Se tivesse a tez morena,
Os olhos com expressão,
Negros, negros, que matassem,
Que morressem de paixão,
Impondo sempre tiranos
Um jugo de sedução;  
[...]

Outra característica, que também se fez relevante na era romântica deixa se evidenciar neste último exemplo – a idealização do amor. A figura da mulher se articula numa espécie de jogo duplo: ao mesmo tempo em que o poeta se vê tentado pelos seus mais íntimos desejos, ou seja, mesmo que ele se sinta provocado pela figura feminina, ele a vê como algo intocável, inatingível, alguém que se aproxima da figura angelical, divina. Nitidamente podemos confirmar que tais aspectos prevalecem por meio da segunda e terceira estrofes.



Aproveite para conferir nossa videoaula relacionada ao assunto:

Casimiro de Abreu (1839-1860) – um dos representantes da segunda geração romântica

Casimiro de Abreu (1839-1860) – um dos representantes da segunda geração romântica

Por: Vânia Maria do Nascimento Duarte