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Coesão textual

Por: Vânia Maria do Nascimento Duarte A coesão textual representa uma das características necessárias à construção de todo e qualquer discurso, conferindo-lhe clareza e objetividade

A coesão textual representa uma das características necessárias à construção de todo e qualquer discurso, conferindo-lhe clareza e objetividade

O texto não representa um simples emaranhado de palavras, dispostas de forma solta, desconexa. Seja ele constituído desta ou daquela intenção comunicativa, as partes que o compõem têm de estar entrelaçadas entre si, de modo a formar um todo lógico, preciso, coerente. Caso assim não se apresente, as ideias nele abordadas assemelhar-se-ão a uma colcha de retalhos, formada de partes desordenadas.

Dessa forma, texto tem tudo a ver com tessitura, entrelaçamento. Mas para que tal aspecto se manifeste de forma efetiva, a presença de alguns elementos, considerados elementares, é necessária. Entre eles, a coesão, responsável por atribuir clareza, precisão e objetividade ao discurso ora proferido. Assim, podemos defini-la como um conjunto de recursos linguísticos de que dispõe a língua, de forma a estabelecer as ligações necessárias entre os constituintes de uma frase, entre as orações de um período e entre os parágrafos de um texto. Trata-se de uma relação harmoniosa, a qual permite ao leitor uma leitura agradável, fazendo com que o texto não se torne repetitivo, tampouco enfadonho. Nesse sentido, a coesão se subdivide em referencial e sequencial.

A coesão referencial se caracteriza como uma retomada de determinados termos do texto antes expressos, manifestando-se sob dois processos. Dentre eles, destacamos:

Substituição

Tal processo se manifesta quando uma determinada palavra é retomada por intermédio de um elemento gramatical, seja ele um pronome, advérbio, numeral ou verbo. Vejamos alguns exemplos:

Sua atitude desagradou a todos ali presentes. Da próxima vez não faça mais isso.

Temos que o pronome demonstrativo “isso” se tornou responsável por estabelecer tal aspecto.

Durante as férias visitamos lugares paradisíacos. No próximo ano voltaremos.

Inferimos que o advérbio também se ocupou da mesma função.

Reiteração

Esse processo se faz evidente quando ocorre a repetição de determinadas expressões, sendo elas manifestadas pelo emprego de:

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

→ Palavras sinônimas:

Aplaudimos seu desempenho durante a reunião, por isso recomendamos que continue mantendo essa performance, sempre.

→ Expressões nominais definidas:

Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa, continua lindo.

→ Nomes genéricos (coisa, gente, negócio, entre outros):

Não entre nessa parceira, pois esse negócio pode ser arriscado.

A coesão sequencial, embora não se manifeste pela retomada de termos, permite que o texto progrida normalmente. Assim como a anterior, revela-se sob dois processos:

Sequenciação temporal

Nela atestamos a presença de alguns recursos, tais como:

→ Encadeamento lógico, expresso por uma ordenação linear dos elementos:

Fez as malas, despediu-se de todos e viajou.

→ Emprego de elementos que demarcam a ordenação das sequências temporais:

Antes estava sem perspectivas, agora me sinto repleto de esperanças ao falar sobre o assunto.

→ Partículas temporais:

Ontem parecia desacreditado, hoje se mostrou confiante.

→ Correlação de tempos verbais:

Se pudesse voltar atrás não teria agido daquela forma.

Sequenciação por conexão

Ocorre mediante o uso de:

→ Preposições ou locuções prepositivas:

O resultado não foi positivo, apesar do enorme esforço.

→ Conjunções ou locuções conjuntivas:

Procure se aprimorar bastante, a fim de obter um cargo melhor.  (finalidade)

Promoveu um grande evento, porém não conseguiu agradar a todos. (adversidade)

→ Pausas:

Pode ser que suas ideias o agradem, como pode ser também que...

 

Aproveite para conferir nossas videoaulas sobre o assunto:

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