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O que são verbos vicários?

Por: Vânia Maria do Nascimento Duarte O verbo vicário desempenha a função de substituir outro já mencionado no contexto

O verbo vicário desempenha a função de substituir outro já mencionado no contexto

O termo vicário lhe soou um tanto quanto estranho? Não se preocupe, tão logo entenderá que seu sentido se refere a algo que costumeiramente praticamos, tanto em conversas cotidianas quanto em situações relacionadas à escrita.

Assim como várias palavras que compõem nosso léxico são oriundas de outras línguas, tal denominação, “vicário”, originou-se do latim vicarius, cuja acepção semântica se refere a “fazer as vezes de, substituir”.
Portanto, de modo a compreendê-los melhor, analisemos o enunciado que segue:

Nós já não nos encontramos mais com tanta frequência como fazíamos antigamente. 

Em vez de utilizar o verbo fazer (fazíamos), poderíamos empregar o mesmo verbo para a construção do discurso, o qual se manifestaria da seguinte forma:

Nós já não nos encontramos mais com tanta frequência como nos encontrávamos antigamente.

Assim procedendo, parece que a repetição acaba interferindo na qualidade da mensagem. Em razão disso, podemos contar com os elementos coesivos, os quais evitam que a ocorrência se manifeste. No caso em questão, a substituição que é dada ao verbo funciona tão somente como uma espécie de sinonímia, conferindo-lhe o mesmo significado de antes. Eis então a função dos verbos vicários – realizar a referida substituição, quase sempre manifestada pelos verbos ser e fazer.

Constatemos assim outros casos representativos, com vistas a compreendermos melhor. Observemos, pois, os pares enunciativos:

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Poderíamos plenamente concordar com a troca de horário, porém não concordamos.

Poderíamos plenamente concordar com a troca de horário, porém não o fizemos.

Constata-se que o verbo fazer (fizemos) ocupou a função de substituir o verbo concordar. (concordamos)


Se ele não aceita a promoção, não aceita porque não se interessa.

Se ele não aceita a promoção é porque não se interessa.

Havemos de convir que o verbo ser (é) substituiu o verbo aceitar (aceita).


Certamente, se desistiu do passeio, desistiu por motivos pessoais. 

Certamente, se desistiu do passeio foi por motivos pessoais. 


Concluímos que o verbo ser (foi) “gentilmente” substituiu o verbo desistir (desistiu).