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O uso do hífen

Por: Vânia Maria do Nascimento Duarte  Tal acento gráfico se encontra relacionado a circunstâncias específicas

Tal acento gráfico se encontra relacionado a circunstâncias específicas

Entre as muitas particularidades linguísticas proferidas pela gramática, há aquelas relacionadas aos sinais gráficos que, semelhantemente a tantas outras, desempenham funções específicas, tendo em vista as distintas circunstâncias que requerem a devida aplicabilidade.

E por ressaltar os sinais gráficos, o artigo em questão tem por finalidade discorrer acerca do hífen, uma vez caracterizado pelo fato de desempenhar múltiplas funções. Entre elas podemos destacar: 

* Fazer a junção entre palavras compostas;
* Determinar a divisão silábica de vocábulos;
* Ligar algumas palavras precedidas de prefixos;
* Unir pronomes átonos a algumas formas verbais, como é o caso da ênclise e mesóclise, entre outras.

Contudo, há que se ressaltar alguns questionamentos em relação ao uso deste sinal, principalmente agora que, com o advento da nova reforma ortográfica, foi alvo de significativas mudanças, com as quais devemos estabelecer certa familiaridade. Dessa maneira, retrataremos de forma detalhada o que ainda permanece e o que passou a vigorar depois do evento já ressaltado. Assim, vejamos:

Ocorrências linguísticas manifestadas por este:

1) Utiliza-se o hífen quando o prefixo terminar em vogal e a segunda palavra começar com a mesma vogal:




Observações dignas de nota:  


- Tal regra não se aplica aos prefixos “-co”, “-pro” e “-re”. Como podemos perceber por meio de alguns exemplos:

coobrigar – coordenar – reentrância – proinsulina...


- Nas palavras constituídas do prefixo “-pré”, no caso de este caracterizar-se como tônico:

pré-adolescente – pré-cozido – pré-natal – pré-pago...


-  Entretanto, quando átono, o hífen deixa de existir, aglutinando-se ao segundo elemento:

preestabelecer – preexistência – preeminência...


- Algumas exceções, antes manifestadas, continuam a prevalecer. Assim como:

auto-observação – contra-almirante – contra-atacar...


2) O hífen encontra-se presente quando o segundo elemento é iniciado por “h”:

anti-higiênico – co-herdeiro – super-homem – extra-humano...


* Em palavras como “subumano” e “coabitar” o hífen aglutina-se ao prefixo.


3) No caso de o prefixo terminar por consoante e a segunda palavra começar pela mesma consoante, o hífen encontra-se demarcado. Perceba:

hiper-requintado – super-resistente – super-romântico...


4) Mediante o prefixo “-sub” expresso em palavras iniciadas por “r”, tal sinal gráfico deixa sua marca. Como nos exemplos que seguem:

sub-reitor – sub-região – sub-raça...


5) Mediante os prefixos aquém, além, bem, ex, pós, pró, recém, sem, vice e pré, podemos também identificar a presença do hífen. Dessa forma, vejamos:

além-mar – bem-humorado – aquém-mar – pós-cirúrgico – recém-casado – vice-diretor – pré-vestibular – sem-vergonha – ex-namorado...


6) Constatamos a presença do hífen diante de palavras constituídas do advérbio “mal”, expresso em palavras nas quais o segundo elemento inicia-se por vogal ou pela consoante “h”. Como é o caso de:

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mal-educado – mal-humorado – mal-intencionado...


7) O hífen encontra-se presente mediante os prefixos “-circum” e “-pan”, quando retratados por palavras iniciadas por “m”, “n”, “h” e vogal.  Como bem nos mostram alguns casos:

pan-americano – circum-navegação – circum-hospitalar...


8) Com os prefixos de origem tupi-guarani, representados por  “-açu”, “-guaçu” e “-mirim”, o hífen encontra-se demarcado. Perceptível em:

cajá-mirim – amoré-guaçu – jacaré-açu...


9) Nos casos relacionados à ênclise e à mesóclise, podemos também encontrá-lo:

encontrá-la-emos – dar-lhe – levá-lo – propor-nos-emos...



Circunstâncias linguísticas nas quais não se constata o uso do hífen: 


1) Depois de prefixos, não se emprega mais o hífen em palavras iniciadas com “s” ou “r”. Além de tal aspecto, estas consoantes também são duplicadas. Perceba o que ocorreu:


Observações relevantes:


* Algumas exceções, já existentes antes do novo acordo, continuarão inalteradas, como é o caso de:

minissaia – minissérie...


2) O hífen deixou de existir quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento inicia por vogal diferente. Note os pontos significativos:





3) Em palavras que perderam  a noção de composição, não se constata mais o uso do hífen. Assim como nos apontam os exemplos retratados: 



Mas atenção:

* O hífen permanece em palavras compostas que não possuem elemento de ligação, como também naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas, expressas por:


bem-te-vi – couve-flor –  erva-doce – segunda-feira...


3) Nas distintas locuções (representadas pelas substantivas, adjetivas, adverbiais, verbais, pronominais, prepositivas ou conjuncionais), não encontramos mais o uso do hífen. Como podemos constatar em:




Eis as exceções:

cor-de-rosa – lua-de-mel – água-de-colônia...


4) Não se utiliza mais o hífen quando o prefixo terminar em vogal e o segundo elemento começar por consoante diferente de “r” ou “s”. Perceptível em:

contracheque – autopeça – semicírculo – antinatural – semideus...


5) O hífen não deve ser utilizado quando o prefixo terminar com consoante e a segunda palavra iniciar por uma consoante diferente ou por uma vogal. Note alguns exemplos:

hiperacidez – interurbano – subemprego – superinteressante – hiperativo...


6) Mediante palavras constituídas do advérbio “mal”, nas quais o segundo elemento inicia por consoante, o hífen não é recomendável. Assim, vejamos:

maldormido – malmandado – malvestido – malsucedido...