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Uso das aspas

O uso das aspas é recorrente na modalidade escrita. Elas servem, geralmente, para isolar um termo ou destacá-lo na frase.

Por: Luana Castro Alves Perez No Brasil, fazemos uso das aspas curvas. Em Portugal, tradicionalmente se empregam as chamadas aspas angulares («...»)

No Brasil, fazemos uso das aspas curvas. Em Portugal, tradicionalmente se empregam as chamadas aspas angulares («...»)

Você já deve saber que todos os sinais ortográficos da língua portuguesa apresentam uma função específica em nosso idioma, não é mesmo? Alguns são mais usados, outros esporadicamente, mas o sinal sobre o qual falaremos agora é bem recorrente na modalidade escrita e não saber suas funções pode prejudicar o entendimento de um texto. Afinal, você sabe o que são e para que servem as aspas?

As aspas são um sinal ortográfico duplo («...» ou “...”) empregado geralmente para isolar em um texto uma citação ou uma expressão que se quer destacar. É curioso observar que, em Portugal, por exemplo, usam-se tradicionalmente as aspas angulares (« aspas »), que são de tradição latina e utilizadas pelos tipógrafos. No Brasil, o uso das aspas angulares é pouco difundido, pois por aqui a tradição nos faz empregar as chamadas aspas curvas (“aspas”). Bom, agora que você já sabe algumas curiosidades sobre as aspas, que tal estudarmos suas regras e usos? O Alunos online preparou para você dicas sobre o uso das aspas:

Regras para o uso das aspas:

As aspas devem ser empregadas sempre que você for abrir e fechar citações. Observe o exemplo:

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.”

(Clarice Lispector - fragmento de crônica publicada no Jornal do Brasil em 1968).

 Quando a intenção é exprimir ironia ou conferir destaque a uma palavra ou expressão fora de seus contextos, as aspas também são empregadas:

Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um “amor”.

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(Fragmento do poema “Moça linda bem tratada”, de Mário de Andrade)

 As aspas também estão presentes em casos de neologismos, arcaísmos e gírias:

"(...) Já outro, contudo, respeitável, é o caso - enfim - de 'hipotrélico', motivo e base desta fábrica diversa, e que vem do bom português. O bom português, homem de bem e muitíssimo inteligente, mas que, quando ou quando, neologizava, segundo suas necessidades íntimas.”

(Tutameia – Terceiras estórias. Guimarães Rosa*)

* Guimarães Rosa é um escritor de nossa Literatura muito conhecido pela criação de neologismos. Segundo ele, “hipotrélico” significa “pessoa pedante”, que tem pouco respeito com a opinião alheia.

 Quando houver empréstimos linguísticos, também conhecidos como estrangeirismos, no texto:

Venha provar meu “brunch”
Saiba que eu tenho “approach”
Na hora do “lunch”
Eu ando de “ferryboat”...

(Samba do Approach - Zeca Baleiro)

 Para destacar o nome de uma obra literária:

Perto do coração selvagem” (Clarice Lispector)

Regras para a pontuação quando houver aspas:

 Se a frase começa e termina com aspas, o ponto deve ficar dentro das aspas. Exemplo:

Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.”

(Machado de Assis)

 Se a frase não está integralmente dentro das aspas, a pontuação deve ficar fora das aspas:

Concordo com Machado de Assis, que dizia “o dinheiro não traz felicidade para quem não sabe o que fazer com ele”.