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O Biocombustível é mesmo um Combustível Limpo?

Por: Jennifer Rocha Vargas Fogaça O biocombustível é menos poluente que os combustíveis fósseis, mas não é totalmente limpo

O biocombustível é menos poluente que os combustíveis fósseis, mas não é totalmente limpo

Os biocombustíveis, tais como o biodiesel, o etanol e o biogás, são cada vez mais mostrados nos meios de comunicação como melhores que os combustíveis fósseis derivados do petróleo, tais como a gasolina e o óleo diesel. Para se referir a essas novas alternativas de fontes de energia são usados os seguintes termos: “combustível limpo”,“ecologicamente correto” ou “combustível verde”.

No entanto, esses termos não passam totalmente a verdade, pois difundem a ideia de que eles não trazem nenhum impacto negativo sobre o meio ambiente. A realidade é que até o momento, ainda não há nenhum combustível completamente limpo.

Não podemos negar o bem que esses novos combustíveis trazem ao meio ambiente, pois a combustão dos combustíveis fósseis, principalmente o óleo diesel, libera para o meio ambiente vários gases e partículas do elemento carbono, como o gás carbônico (CO2). A cada vez mais crescente utilização desses combustíveis tem aumentado a concentração desses gases na atmosfera, intensificando o efeito estufa natural e levando ao agravamento do problema do aquecimento global.

Além disso, esses combustíveis contêm muitas impurezas de compostos sulfurados, liberando também óxido de enxofre para o meio ambiente, o que contribui muito para a ocorrência de chuvas ácidas.

Assim, com respeito somente a esses pontos citados, os biocombustíveis são uma alternativa vantajosa, pois eles são “limpos” no sentido principal de não interferirem no ciclo do carbono. Dessa forma, o biocombustível anula o efeito estufa, uma vez que o replantio da cultura utilizada significa crescimento de área verde e, em tese, captura do CO2 lançado na queima da cultura anterior.

Os biocombustíveis são limpos por não interferirem no ciclo do carbono

Por exemplo, o etanol é um biocombustível produzido no Brasil principalmente por meio da cana-de-açúcar, sendo que isso implica em desmatamento e monoculturas. Em diversas regiões ainda se utiliza a queima da palha da cana para realizar um novo plantio, o que acarreta na emissão de dióxido de carbono. Mas, depois que o replantio é feito, o dióxido de carbono volta a se fixar novamente no vegetal durante o seu crescimento pelo processo da fotossíntese.

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Já na extração do petróleo e na queima de seus derivados, o dióxido de carbono é lançado na atmosfera e vai se acumulando. O biocombustível também emite menos monóxido de carbono e material particulado que os derivados do petróleo. Portanto, com respeito à contribuição de carbono para a atmosfera, o biocombustível é considerado um combustível limpo.

Porém, os ciclos de outros elementos também precisam ser considerados, como o ciclo do nitrogênio ativo, que é essencial para o crescimento das plantas e para a química da atmosfera. As queimadas e a combustão dos biocombustíveis, como o etanol, não liberam apenas os gases de carbono citados, mas também NO e NO2, formaldeído e acetaldeído (vapores tóxicos) e muito material particulado.

A emissão de nitrogênio ativo traz consequências regionais e locais, tais como:

  • Os óxidos de nitrogênio podem reagir com a água da chuva, gerando ácido nítrico e resultando em chuva ácida;
  • Contaminação das águas de rios e lagos, bem como do solo;
  • Afeta o equilíbrio do ecossistema. Pode ocorrer o processo de eutrofização, em que as algas se proliferam com a grande quantidade de nitrogênio ativo no meio. O excesso de algas libera gases tóxicos para peixes e animais, diminuindo a qualidade da água. Isso também ocorre com algumas plantas devido ao excesso de nitrogênio no solo.

Eutrofização de algas causada por excesso de nutrientes químicos, como nitrogênio e fósforo. Autor da imagem: F. Lamiot
Eutrofização de algas causada por excesso de nutrientes químicos, como nitrogênio e fósforo.
Autor da imagem: F. Lamiot

Portanto, no que se refere à emissão de nitrogênio, tanto os combustíveis fósseis, como os biocombustíveis não são ambientalmente limpos. Não existe combustão limpa. A diferença é que os combustíveis fósseis trazem impactos globais e os biocombustíveis trazem impactos regionais.