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Origem da Tabela Periódica

Por: Jennifer Rocha Vargas Fogaça Monumento em Petersburgo, Rússia, em homenagem ao famoso cientista Dimitri Mendeleyev, o autor da Tabela Periódica

Monumento em Petersburgo, Rússia, em homenagem ao famoso cientista Dimitri Mendeleyev, o autor da Tabela Periódica

Visto que a quantidade de elementos químicos que foram descobertos ao longo do tempo foi aumentando cada vez mais, os químicos perceberam que seria necessário organizá-los de uma forma que tornasse seu estudo mais fácil.

Alguns cientistas notaram que vários elementos possuíam propriedades e características que se repetiam periodicamente.

Para você entender, vamos fazer uma analogia: O calendário possui dias que estão organizados numa repetição de sete em sete. Baseados nisso, temos várias atividades que se repetem periodicamente segundo essa organização. Por exemplo, às vezes você faz aula de dança toda quinta-feira, assim, essa é uma atividade periódica, porque ela se repete de sete em sete dias, sempre na coluna da quinta-feira.

Aula de dança todas as quintas é um evento periódico
Aula de dança todas as quintas é um evento periódico

O mesmo acontece com os elementos, eles podem ser agrupados em colunas, sendo que os elementos numa mesma coluna possuem propriedades que se repetem periodicamente.

Até chegar ao modelo da Tabela Periódica atual surgiram várias ideias de como os elementos poderiam ser organizados. Uma das primeiras foi proposta pelo químico alemão Johann Wolfgang Döbereiner (1780-1849), feita em 1829 e denominada de Tríades, pois ele classificava os elementos em grupos de três, como mostrado abaixo:

Lítio (Li) – Sódio (Na) – Potássio (K)
Cloro (Cℓ) – Bromo (Br) – Iodo (I)

Selo impresso pela Alemanha mostra Johann Wolfgang Dobereiner, químico, por volta de 1980.1
Selo impresso pela Alemanha mostra Johann Wolfgang Dobereiner, químico, por volta de 1980.1

Outra ideia foi a do Parafuso Telúrico, proposta em 1862 pelo químico e geólogo francês Alexandre Béguyer de Chancourtois (1819-1886), em que ele colocou os elementos em ordem crescente de massa atômica em formato de um parafuso, ou seja, na forma de uma espiral de 45°, em que havia 16 elementos em cada volta. Os elementos com características semelhantes ficavam um embaixo do outro.

Parafuso telúrico de Chancourtois
Parafuso telúrico de Chancourtois

No ano de 1864, o químico inglês Alexander Reina Newlands (1837-1898) colocou os elementos em colunas de sete em sete, segundo a ordem crescente de suas massas atômicas. Esse modelo de organização foi denominado lei das oitavas, porque para ele as propriedades dos elementos deveriam se repetir de sete em sete da mesma forma que as notas musicais.

Alexander Reina Newlands (1837-1898)
Alexander Reina Newlands (1837-1898)

Em 1866, Julius Lothar Meyer (1830-1895) dispôs os elementos em seis grupos de acordo com suas valências. Ele notou que a diferença entre as massas atômicas dos elementos consecutivos do mesmo grupo era constante, mas ele não chegou a nenhuma conclusão de relevância quanto à importância desse fato.

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Julius Lothar Meyer (1830-1895)
Julius Lothar Meyer (1830-1895)

Por outro lado, um trabalho importantíssimo para o desenvolvimento da Tabela Periódica foi o do químico russo Dimitri Ivanovitch Mendeleyev (1834-1907), proposto em 1868. Assim como Meyer, Mendeleyev ordenou os elementos de modo que as suas propriedades fossem consideradas funções periódicas das suas massas atômicas.

Ele distribui todos os elementos até então conhecidos em linhas, sendo que os elementos que eram quimicamente semelhantes eram encontrados na mesma coluna vertical.

O mais impressionante foi que Mendeleyev deixou alguns espaços vazios entre alguns elementos e disse que era porque os elementos que preencheriam esses espaços ainda seriam descobertos. Além do mais, ele disse até mesmo quais seriam as propriedades de tais elementos químicos. E foi o que realmente aconteceu!

Outro ponto que mostra como esse cientista era realmente brilhante é que ele colocou alguns elementos na mesma coluna, porque tinham propriedades semelhantes, porém as massas atômicas deles não estavam na ordem crescente. Foi o que ele fez, por exemplo, colocando o telúrio (128) antes do iodo (127). Ele se justificou dizendo que as massas atômicas desses elementos foram medidas de modo errado. Com o tempo, provou-se que realmente a ordem que ele colocou estava correta.

Selo impresso na URSS, Circa, mostra Mendeleyev e elementos com as respectivas massas atômicas por volta de 19692
Selo impresso na URSS, Circa, mostra Mendeleyev e elementos com as respectivas massas atômicas por volta de 19692

Em 1913, o físico inglês Henry Gwyn Jeffreys Moseley (1887-1915) provou experimentalmente que as propriedades dos elementos variam periodicamente de acordo com o número atômico (Z), que é o número de prótons em seu núcleo atômico. Com isso, a Tabela Periódica de Mendeleyev foi atualizada e passou a apresentar a ordem adotada hoje, que em vez de ser em ordem crescente de massa atômica, os elementos são dispostos em ordem crescente de número atômico.

Henry Gwyn Jeffreys Moseley (1887-1915)
Henry Gwyn Jeffreys Moseley (1887-1915)

Para saber mais sobre a organização da Tabela Periódica atual, leia o texto abaixo:

* Créditos das imagens:

1: rook76 e Shutterstock.com

2: Olga Popova e Shutterstock.com

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